Por Ramon Mello
Foto de Tomás Rangel
> Assista à entrevista exclusiva de Adriana Lisboa ao SaraivaConteúdo
"Pensar em ser
escritora era como pensar em ser astronauta, uma coisa assim um pouco fora da
realidade. Eu não sabia que era uma profissão viável, possível. Fui fazer uma
outra coisa também não muito viável, que é trabalhar com música. Eu acabei
fazendo faculdade de música, me graduei em flauta." Assim pensava Adriana
Lisboa antes de se dedicar integralmente ao ofício da escrita.
Hoje escritora, Adriana
Lisboa acaba de lançar o segundo livro infantil: A sereia e o caçador de borboletas(Rocco) – o primeiro livro chama-se Língua de trapos (2005). A experiência de 10 anos de
carreira soma títulos conhecidos, como Fios
da memória (1999), Sinfonia em branco(2001), ganhador do Prêmio José Saramago, Um beijo de colombina(2003), Caligrafias(2004), O coração às vezes pára de bater (2005) e Rakushisha(2006).
Adriana ainda prepara a
publicação do novo romance, Como escrever
uma história de amor em Paris, escrito na França para o projeto Amores
Expressos. No entanto, o livro sairá pela editora Rocco, sem o selo da coleção.
A romancista brasileira, atualmente radicada nos EUA, já morou no Rio de
Janeiro, Petrópolis, Brasília, França e Japão. Tantas mudanças ensinaram a
lidar com a vida de uma forma mais tranqüila, encarando melhor as perdas (e os
ganhos).
A escritora tem livros
publicados na Itália, França, Portugal, Suécia, e é uma das poucas brasileiras
traduzidas nos EUA. Qual a sensação de ser publicada em outros países?
"Sem querer ser demagógica nem nada, acho legal saber que têm países se
interessando pela literatura brasileira, em primeiro lugar. E para mim, é
óbvio, tem uma satisfação em ver os livros por aí a fora.”
A relação com a escrita é construída diariamente, com disciplina, onde
o que importa é o trabalho, as histórias, os livros: "Eu procuro, já
percebi que um pouco demais, quebrar essa visão mitificada do escritor. Acho que aquilo que a gente fazO que fazemos é um
trabalho importante no mundo como qualquer outro. Por acaso a gente escreve.
Poderia estar aí sendo ser mergulhadora, astronauta, musicista, ou, seja lá o que forfosse. São trabalhos viáveis,
possíveis, eu sei disso. Para mim é uma coisa simples, ser escritora porque eu
gosto em primeiro lugar. É um cotidiano muito simples”.
Você está com 10 anos de carreira e têm quatro romances publicados, um
livro de contos, dois livros infantis - o segundo, A sereia e o caçador de borboletas (Rocco), acaba
de sair pela editora Rocco. Há diferença ao escrever em diferentes gêneros?
Adriana Lisboa. Não vejo muita distinção entre gêneros,
não. Nem em termos de faixa etária, escrever para adulto ou para criança,
quanto ao formato: crônica, conto, romance. É claro que cada um tem sua
linguagem específica, obviamente você não pode escrever para criança do mesmo
modo que escreveria para um adulto. Mas o que a gente não pode perder de vista
que é tudo literatura. E que existe um certo compromisso com a qualidade do ficcional, com seu
envolvimento com o ficcional, seja qual for o formato, seja qual for a faixa
etária para a qual você está querendo se dirigir. Isso é algo que, para mim,
cimenta essas coisas todas juntas. E me dá uma certa desenvoltura, pelo menos
no meu desejo – o resultado é uma outra coisa –, no meu impulso de transitar
pelos formatos diferentes.
Você é formada em música e literatura. Como foi essa transição para as
letras?
Lisboa. Eu nunca fui para a literatura porque nunca saí
dela, na verdade. [risos] Eu tenho uma ligação muito antiga com a literatura.
Você começou a escrever aos nove anos...
Lisboa. Muito nova. Quando eu aprendi a escrever, eu
comecei a escrever. Tive um espaço na escola, de professores incentivando que a
gente lesse poesia, escrevesse poesia, faziam concursos. EntãoSempre foi uma coisa que sempre curti fazer
e fazia informalmente.
Existia o desejo de ser escritora?
Lisboa. Existia. Mas era como se eu não levasse aquilo a
sério. Pensar em ser escritora era como pensar em ser astronauta, uma coisa
assim um pouco fora da realidade. Eu não sabia que era uma profissão viável,
possível. Fui fazer uma outra coisa também não muito viável, que é trabalhar
com música. Eu acabei fazendo faculdade de música, me graduei em flauta. Trabalhei
como flautista, como professora de música, durante um tempo, mas a música tem
muito de sacerdócio, tem que ter uma dedicação ao instrumento.
E a literatura não?
Lisboa. Mas a música, ainda mais quando você opta por se
dedicar a um instrumento, se você não tiver uma relação diária – quase como de
atleta, atleta treinando – com a manutenção do seu domínio, daquele
instrumento, a qualidade decai muito. Então chegou um momento que eu tinha que
dedicar muito tempo da minha vida para a música e sobrava pouco tempo para
fazer aquilo que eu realmente gostava: escrever nas horas vagas. Eu tinha muito poucas horas vagas, a
verdade é essa. Eu decidi tentar escrever um primeiro romance. Primeiro, se
dava conta de escrever, eu nunca tinha tentado, vê ver se conseguia publicar... E, conseguindo, se eu
poderia inaugurar uma carreira de escritora. Mas, para isso, para fazer daquilo
que me dava prazer a atividade central da minha vida. Nada mais do que isso.
Em geral, as pessoas mitificam muito a figura do escritor. Como é o seu
dia-a-dia como escritora?
Lisboa. Eu procuro, já percebi que um pouco demais, quebrar
essa visão mitificada do escritor. Acho que aquilo que a gente fazO que fazemos é um trabalho importante no mundo
como qualquer outro trabalho importante no mundo. Por acaso a gente escreve. Poderia
estar aí sendoser mergulhadora,
astronauta, musicista, ou, seja lá o que forfosse. São trabalhos viáveis, possíveis, eu sei disso. E que essa
coisa, essa aura em torno da atividade do escritor ou do artista, de um modo
geral, é algo que a gente precisa colaborar para diminuir um pouco. Porque isso
gera egos inflados demais. Na verdade, o que é importante não somos nós, é o
nosso trabalho, aquilo que a gente faz, são os nossos livros – são muito mais
importantes do que nós escritores, artistas, sei lá. Para mim é uma coisa
simples ser escritora, porque eu gosto, em primeiro lugar. É um cotidiano muito
simples, não preciso beber, não preciso me drogar, não preciso fazer nada. É
uma atividade que eu faço. Eu sou mãe, entende? Moro num país que não tenho
ninguém para ajudar, eu faço absolutamente tudo: sou mãe, faxineira,
cozinheira, todas as coisas que são necessárias de ser dentro de casa, e
escrevo também. Nos momentos que
eu escrevo, éÉ claro,
são momentos de profunda introspecção, de profunda solidão, silêncio... Uma
viagem para dentro de mim mesma, para dentro dos meus pensamentos e tudo mais. Mas mas também uma
forma de contato muito intensa com o mundo.
Você já morou no Rio de Janeiro, Petrópolis, Brasília, França, Japão e,
agora, EUA. Por que tantas mudanças?
Lisboa. Eu gosto de estar fora. Eu gosto de me mudar, em
primeiro lugar. Eu curto bastante essa idéia de mobilidade. Acho que, cada Cada vez que eu me mudo, eu faço uma reavaliação daquilo que
materialmente é essencial para mim. Essa reavaliação é sempre muito boa porque
sempre percebo que preciso de menos coisas que eu achava que precisava. E mudar
de país tem um ganho a mais, a gente não pode levar tudo. Quando muda de uma
cidade para outra dentro do país, você pega e reboca as coisas todas. Na minha
mudança – me mudei para os EUA há quase três anos – eu levei muito pouco; dos
meus livros eu levei 10%, se tanto. Nesses momentos você se pergunta: O que eu
preciso? Se você tiver que escolher 15 livros da sua biblioteca, o que você vai
levar? São exercícios interessantes. E uma coisa que acho bacana... Continuo
escrevendo em português, continuo escrevendo sobre o Brasil, sobre minhas
experiências aqui no Brasil. Mas acho legal o olhar de fora. Acho que quando
você sai e volta, sai e volta, isso te permite um olhar um pouco distanciado. Às vezes, quando vocêse está muito dentro, muito dentro, muito
dentro, isso te obscurece
um pouco.
Você é uma das poucas escritoras brasileiras traduzidas nos EUA. Como é a
experiência de ser publicada fora do país?
Lisboa. É uma relação que não é simples. Três por cento do
que é publicado nos EUA é de literatura em tradução. Dentro
desses três por cento não sei qual o percentual que é de literatura portuguesa
ou literatura brasileira, mas imagino que não seja muito. O fato de eu estar lá
foi fundamental para que essas traduções acontecessem. Mas mesmo assim é uma
figura de desapego. Recentemente tem se falado muito na figura do editor, não o
cara que publica o livro, mas o que edita o livro e mexe no texto. Isso pela
primeira vez aconteceu comigo, foi
a primeira vez que pegaram o meu livro e falaram: “Isso sai, esse
parágrafo pode sair, isso aqui fica melhor aqui, esse ponto vira vírgula, essa
vírgula vira ponto...” Trabalho de edição mesmo, de mexer na estrutura do
texto. Para mim foi uma coisa um pouco,...Não vou dizer dolorosa,
eu me senti um pouco insegura,com isso.sem saber se estou
traindo a mim mesma. Se um leitor bilíngüe, por exemplo, pegar o Sinfonia em branco(Rocco), que está sendo traduzido, a
versão original em português e pegar a tradução... A tradução tem cerca de 15%
a menos de texto do que a versão original,para
você ter uma idéia. Mas é um consenso. Isso precisa ser feito, inclusive
pela natureza da língua portuguesa com relação à língua inglesa. O leitor
americano, o que ele está a fim de ler, o que não está... Tem esse ajuste com o
mercado. É a primeira vez que estou me deparando com essa história.
Como é a relação com o público estrangeiro?
Lisboa. Essa relação, nos EUA especificamente, eu não tive
ainda porque esse meu livro que está traduzido ainda nem está no mercado. Ele
vai ser publicado em março do ano que vem.
Mas você tem livros publicados em outros países.
Lisboa. Sim. Eu já publiquei em Portugal, uma relação
sensacional. Tenho uma relação muito boa com os leitores em Portugal. Publiquei
recentemente, pela primeira vez, na França e fiquei surpresa com a
receptividade. Teve uma acolhida do público, o livro em dois meses foi para a
segunda edição. Foi um negócio muito surpreendente. Na Itália também, fui
publicada na Suécia...
Qual a sensação de ser publicada em outros países?
Lisboa. Sem querer ser demagógica nem nada, acho legal
saber que têm países se interessando pela literatura brasileira em primeiro
lugar. Acho isso bacana. O fato de um jornal como o Le Monde ou uma
editora como Alfaguara México, por exemplo, estarem interessados por aquilo que
se faz aqui no Brasil. E dispostos a ler em Língua Portuguesa, em traduzir a
Língua Portuguesa.
E para mim, é óbvio, tem uma satisfação em ver os livros por aí afora. Quase
como ver um filho seu fazendo coisas por aí e você: “Poxa, que legal.” [risos]
Você foi à França, através do projeto Amores Expressos, e escreveu um
novo romance. E agora o seu livro está fora do projeto, será publicado por
outra editora. Por quê?
Lisboa. Acho que algumas coisas no projeto estão sendo
revistas pelos próprios autores que participaram, a principal é a questão dos
prazos. A verdade é que o prazo original, que os autores tinham para escrever
seus romances, ninguém cumpriu. Sérgio Sant’Anna está aí ainda, falando que nem sabe se vai publicar o
livro dele ou não. O que é uma pena porque eu adoraria ler. Mas o fato é que o
meu livro foi escrito em, mais ou menos, seis meses. Foram seis meses durante
os quais eu me dediquei exclusivamente ao projeto depois que voltei de Paris. A
resposta da Companhia das Letras foi de que esse texto para ser publicado
precisava ser modificado. Eu até fiz um texto no meu blog falando sobre isso,
dizendo... Isso não me assusta, já recebi várias sugestões sobre os meus
textos, com outras editoras, e sem problema nenhum. Com essa experiência de
tradução nos EUA eu tenho
menos pudor ainda de mexer naquilo que faço. Só que não podia ser feito naquele
momento porque não era o meu momento, eu não estava a fim de pegar naquele
texto de novo naquela hora. E uma resposta precisava ser dada. Então diante
dessa urgência, eu acabei – de comum acordo com todo mundo, com a Companhia
[das Letras] e com o projeto – levando o meu texto para a editora Rocco, que
assinou um contrato de publicação comigo. Quer dizer, quando sair, se sair, vai
sair sem o selo da coleção, que era exclusivo da Companhia [das Letras].
O livro já tem nome, não é?
Lisboa. O livro originalmente se chama Como escrever uma
história de amor em Paris.
Como escrever uma história de amor em Paris?
Lisboa. Porque
...
Não. Como?
Lisboa. [risos] Escrevendo.
É difícil escrever por encomenda?
Lisboa. Não, eu não tenho problema em escrever por
encomenda. Eu até gosto, acho que dá um norte, sabe? Às vezes, você fica um pouco por aí,
perdido... Um dos meus livros que mais gosto, o único livro meu que não saiu
pela Rocco, é uma novelinha juvenil chamada O coração às vezes pára de bater,
foi uma encomenda da Publifolha. O Arthur Nestrovski me chamou e falou: “A
gente está fazendo uma coleção chamada Cidades Visíveis, são novelas para um
público juvenil ambientadas em capitais do Brasil. Queríamos que você
escrevesse alguma coisa sobre o Rio”. A única diretriz que eu tinha era essa,
que fosse sobre o Rio e para um público juvenil, adolescente. Eu adorei fazer
porque me dei a liberdade de escrever sobre um skatista, talvez eu nunca fosse
me dar essa chance. Sou fascinada por skate, acho o máximo. Então foi ótimo,
entrei no ambiente dos skatistas e fiz uma novela que eu curto para caramba.
Está até sendo traduzida na Suíça e virou um curta-metragem. As encomendas têm
isso, elas te levam. Às vezes, você está com o foco criativo numa coisa x e, de
repente, elas te levam para outro ambiente, para uma outra idéia.
O livro infantil A sereia e o caçador de borboletas (Rocco, 2009)
também foi uma encomenda?
Lisboa. Não. Esse livro foi um projeto meu.
Por que escrever para crianças?
Lisboa. Eu comecei a escrever para criança por uma razão um
pouco óbvia: comecei a ler para meu filho quando ele era um pouco menor. Ele
agora está com 11 anos, lê sozinho os calhamaços dele.
Seu filho lê seus livros?
Lisboa. Acompanha. Mas ele tem um gosto próprioo gosto dele, acho que é 99,9% do gosto das
crianças da idade dele, que são as séries de livros de fantasia. É uma coisa
que eu não faço. “Mas você devia fazer uma série, cinco, seis, sete volumes”
“Poxa, Gabriel.” [risos] Por enquanto, não me encomendaram. Quem sabe...
[risos] Eu gosto de escrever para crianças um pouco menores. Os dois livros
infantis que eu tenho são de uma faixa etária assim de sete a 10 anos, para
crianças bem pequenas mesmo. Eu lia para ele quando era menor, tinha o hábito
de ir com ele em livraria para escolher livro. A gente estava sempre com os
livros ao redor. E você acaba se envolvendo de tal modo, que dá o pulo. E dá
vontade de fazer também...
Em A sereia e o caçador de borboletas você
continuou com a parceria com o ilustrador Rui de Oliveira, que trabalho no
primeiro livro infantil. Fale sobre o trabalho do Rui.
Lisboa. Rui, seguramente, é um dos maiores ilustradores
brasileiros vivo – se não for o maior. O Rui tem mais tempo de carreira do que
eu tenho de vida, já ilustrou mais de cem livros. É uma fera, o cara é uma
sumidade mesmo. Foi um grande privilégio ter ele me acompanhando no Língua de trapos (Rocco), primeiro infantil que
publiquei em 2005. Foi muito bacana a editora ter concordado em convidar o Rui
para fazer esse trabalho junto comigo. E, quando apresentei para a editora o
segundo texto, eles
disseram, quase que automaticamente: “Vamos chamar o Rui. Deu super
certo no primeiro trabalho, vamos repetir a parceria”. O que é bacana do Rui,
embora ele seja um artista com um traço bastante reconhecível, ao mesmo tempo
ele se renova de livro para livro. Ele tem essa curiosidade criativa de fazer
pesquisas para cada trabalho, faz uma pesquisa extensíssima, inclusive de linguagens.
Meu primeiro trabalho infantil era poesia, então ele fez uma ilustração muito
mais solta, grafismos, poucos elementos figurativos. Nesse caso que é uma
historinha de começo, meio e fim, ele fez um trabalho bastante figurativo. É um
artista gigante, o maior privilégio trabalhar com ele.
Você não tem vontade de escrever um livro de poemas?
Lisboa. Eu escrevo muita poesia. Outro dia estava
conversando com o Antonio Cicero, não consigo avaliar o que eu faço. Não
consigo saber se a poesia que escrevo é boa ou ruim. Pode ser boa ou ruim, não
consigo ter o menor discernimento. Ele respondeu: “Mas é assim mesmo. Eu também
não consigo naquilo que faço. Acho que é normal para os poetas...” Isso foi uma coisa
que me surpreendeu. [risos] Um dos meus poetas preferidos, ainda por cima fazer
essa confissão. Mas de todo modo, eu não sei, ainda não tive essa coragem.
Recentemente, comecei a organizar um livro de poemas, até conversei com a Rocco
sobre isso e eles falaram: “A gente publica e tal...” Mandei alguns, aí o livro
devia ter uns 30 poemas. Cada vez que eu ia rever o livro eu tirava algum: 29,
28... Atualmente o livro deve ter uns cinco poemas mais ou menos. [risos] É
complicado para mim, largar, desapegar dos poemas. [risos]
Novamente pergunto: O que você diria para um jovem que pretende ser
escritor?
Lisboa. Não estou querendo fugir da raia da pergunta, não.
Me ocorreu uma resposta que o [José] Saramago deu quando foi a algum evento.
Até hoje foi a melhor resposta a essa pergunta, espero não citar errado. Foi
algo assim: “Não ter pressa, mas não perder tempo”. É importante não querer que
o texto fique pronto antes da hora. É importante você respeitar, que o próprio
texto vai dizer que está minimamente, suficientemente pronto. Porque pronto
acho que não fica nunca, um percentual grande de possibilidade de estar pronto.
Mas ao mesmo tempo não perder tempo. Na verdade, eu acho, quem escreve tem uma certa tendência ao
diletantismo, eu sou assim pelo menos, se interessa por vários assuntos e acaba
não escrevendo direito. Então, é importante se centrar no trabalho, saber o que
quer fazer. Por exemplo, um defeito que encontro no meu primeiro romance:
querer abordar todos os temas. A
impressão que eu tenhoTenho a impressão que eu que queria falar de tudo, como se nunca
mais fosse ter a oportunidade de escrever. É uma bobagem. Porque, às vezes, com
um pequeno tema, um pequeno assunto, você pode dizer muito. Pode dizer muita
coisa interessante. Acho importante esse foco, esse direcionamento, mas também
uma falta de pressa. Uma capacidade de deixar o livro se levar.
> Confira o site da autora
> Adriana Lisboa na Saraiva.com.br
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