Por Marcio Debellian
Foto de Tomás Rangel
O painel que envolveu os dois escritores tinha o apelo do esperado primeiro encontro público do casal desde o rompimento. O segundo livro de Grégoire,
O convidado supresa (CosacNaify, 2009), lançado em Paraty, também contribuiu para esta visão extremamente associada à Sophie Calle.
Nele, o autor narra seus passos para elucidar o comportamento de uma mulher com quem viveu e o abandonou subitamente.
“No
L’invité mysthère (título original em francês) há o rompimento com uma mulher com quem eu vivi e que me deixou da noite pra o dia, sem nada dizer, não houve um e-mail de ruptura, nada... eu fiquei meio louco...”
O reaparecimento desta mulher é justamente para convidá-lo para ser o convidado misterioso da festa de Sophie Calle, uma tradição que a artista instituiu em suas festas de aniversário: cada convidado deve levar alguém desconhecido para a festa.

“Não tinha notícias dela havia três, quatro anos; e ela me telefona para me propor de ser o convidado misterioso da festa de aniversário de Sophie Calle. Eu disse a mim mesmo: não compreendo como essa mulher que eu amei, que me amou... com quem tive uma história muito forte, que desapareceu da minha vida, me liga justamente para isso.”
Grégoire vai a festa no impulso de elucidar o comportamento dessa mulher, acaba conhecendo Sophie, com quem veio a ter um relacionamento tempos depois.
Por tudo isso, era difícil, no início da Flip, dissociar a sua imagem da dela. No entanto, ao final do painel que reuniu os dois, ele caiu nas graças do público,
O convidado surpresa (CosacNaify) esgotou em Paraty e, ao que tudo indica, seu primeiro livro,
Rapport sur moi (
Relatório sobre mim), também deve ser traduzido e lançado no Brasil. Ele ainda é autor de
Cap Canaveral, seu primeiro romance lançado no ano passado e que narra um encontro entre um escritor maduro e uma jovem admiradora.
“A idéia de todos os meus livros é: acontecem coisas na realidade, mas a partir do momento que nos misturamos ao olhar para elas, não compreendemos o que elas querem dizer, então é preciso encontrar caminhos para contar. Então meu trabalho é de tentar estar na origem do que acontece na realidade.”
> Assista à entrevista exclusiva com Grégoire Bouillier ao SaraivaConteúdo