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03 de Setembro de 2010 | 10:39
 

Palavra encantada   

Bethânia costura música e poesia em recital de leituras que leva ouvinte a uma viagem interior

Dona do dom, como já sintetizou Chico César em versos lapidares da música homônima de 2001, Maria Bethânia sempre teve intimidade com as palavras, às quais foi apresentada na escola, ainda menina, pelo professor Nestor de Oliveira, mestre de sua cidade natal de Santo Amaro da Purificação, no interior da Bahia. Pelo dom naturalmente teatral, a declamação de poemas se tornou marca registrada dos espetáculos da intérprete. Quarenta e cinco anos depois de ter sido projetada nacionalmente ao substituir Nara Leão (1942 - 1989) no espetáculo Opinião, em fevereiro de 1965, a artista inverte a equação música + poesia em seu recital Bethânia e as palavras, em cartaz no Rio de Janeiro (no Teatro Fashion Mall, de sexta-feira a domingo, até 12 de setembro). A poesia agora é a senhora da cena, costurada por breves intervenções musicais, feitas com o auxílio do violão de Luiz Brasil e da percussão minimalista de Carlos César.

Lidas ou cantadas, as palavras ganham força na voz de Bethânia. Em pouco mais de uma hora, ela alinha quase 70 textos, lendo versos de poetas como Fernando Pessoa (de quem tem sido a principal propagadora no Brasil), Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cacaso, Ascenso Ferreira e Paulo Leminsky. As músicas - "Romaria", "ABC do sertão", "Último pau de arara", "Estranha forma de vida", "Cálix bento", "Genipapo absoluto" - entram em trechos, em breves intervenções que sublinham e ampliam o sentido das poesias lidas em cena.

É tudo muito simples, mas, ao mesmo tempo, grandioso. Na voz da intérprete, as palavras ganham vida e vão originando toda uma gama de sentimentos que proporcionam viagem ao mundo interior de cada espectador. Bethânia fala do sertão nordestino, passeia pelo universo português e cai no suingue de Santo Amaro, a sua aldeia, de onde ela começou a recolher emoções e sentimentos que hoje espalha pelo mundo através de seu canto. Seu novo espetáculo - desenvolvido em 2009 a partir de um convite da Universidade Federal de Minas Gerais - mostra o quanto as palavras podem ser encantadas quando ditas na hora e no tom certos.




 
 
02 de Setembro de 2010 | 17:43
 

Inéditas de Lennon   

Antologia 'Gimme some truth', que vai festejar em outubro os 70 anos do ex-Beatle, revela 13 gravações caseiras nunca lançadas em disco

Os 70 anos que John Lennon (1940 - 1980) completaria em 4 de outubro motivaram uma remexida no baú do ex-Beatle. Como já noticiado, na data do aniversário de Lennon, a EMI Music vai pôr nas lojas reedições de seus oito álbuns pós-Beatles e uma coletânea Power to the people. A novidade é que uma antologia editada juntamente com a coleção, Gimme some truth, vai revelar 13 inéditas gravações caseiras de Lennon. O material inclui também raras versões ao vivo e ensaios escritos pelo artista. Detentora dos direitos de edição do catálogo de Lennon, a gravadora EMI Music revelou esta semana as capas das reedições. Confira:

 




 
 
01 de Setembro de 2010 | 19:03
 

A festa de Sandra de Sá   

Cantora vai gravar DVD em show ao ar livre no Rio de Janeiro. Alcione, Caetano Veloso e Maria Gadú estão no elenco de artistas convidados

Sandra de Sá está em festa. Ao longo de 2010, a cantora está comemorando seus 30 anos de carreira. A festa começou em fevereiro com o lançamento de um disco de inéditas, Africanatividade - Cheiro de Brasil, e vai prosseguir este mês com a gravação de um DVD, o segundo da artista. O registro ao vivo vai ser feito em show ao ar livre, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ). O time de convidados inclui Caetano Veloso, Alcione e a onipresente Maria Gadú. A gravação vai gerar também um especial de TV a ser transmitido, em data ainda incerta, pelo Canal Brasil.




 
 
31 de Agosto de 2010 | 18:13
 

Djavan leve e solto   

Em seu primeiro disco de intérprete, 'Ária', cantor corre saudáveis riscos ao dar tom inusitado a músicas de Cartola, Edu Lobo, Tom Jobim, Luiz Gonzaga e Gilberto Gil

Assim como Milton Nascimento, Djavan tem uma marca tão forte como compositor que o público às vezes se esquece de que ele é também um grande cantor. O próprio artista se entrega tanto à arte da composição que nem sempre exercita o canto em músicas alheias. Por isso mesmo, Ária - primeiro disco de Djavan como intérprete em 36 anos de carreira fonográfica - é título surpreendente na discografia deste alagoano que, em sua terra natal, cantava Beatles numa banda chamada LSD. E que, ao migrar para o Rio, nos anos 70, atuou como crooner das boates cariocas entre 1974 e 1978, ano em que a gravação de "Álibi" por Maria Bethânia lhe deu a independência artística que seria sedimentada, no ano seguinte, com a gravação e o sucesso da balada "Meu bem querer". Pois Ária é como uma volta ao começo. Um retorno de Djavan aos tempos de crooner. Mas, como já disse Lulu Santos, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. E o fato é que Ária flagra um Djavan livre, leve e solto na abordagem de músicas de compositores como Cartola, Tom Jobim, Edu Lobo, Gilberto Gil e Chico Buarque, entre outros. Um Djavan maduro e ousado.

Lançado neste mês de agosto numa parceria da gravadora Biscoito Fino com o selo do cantor, Luanda Records, Ária é um disco em que Djavan sai da zona de conforto e corre saudáveis riscos ao interpretar, por exemplo, "Valsa brasileira" (Edu Lobo e Chico Buarque) sem carregar nas cores da dramaticidade. Os tons de Ária - disco de instrumental enxuto, calcado na voz e no violão de Djavan - são mais suaves e criativos. O samba "Brigas nunca mais", pérola da dupla Tom & Vinicius, vira uma valsa em sua parte inicial. "Treze de dezembro", tema de Luiz Gonzaga com Zé Dantas, é solado com vocalises, sem letra. "Disfarça e chora", samba de Cartola e Dalmo Castello, é enquadrado em outra moldura harmônica. Como um cantor inventivo, Djavan - visto acima numa foto de Christian Gaul - canta o standard sinatriano "Fly me to the moon" com suavidade, com sua voz voando sobre a melodia. Enfim, Ária é disco de um crooner calejado e diplomado na noite. Mesmo quando decepciona, como na releitura banal de "Palco" (Gilberto Gil), Djavan se revela vivaz e criativo. Aos 61 anos, o cantor exala ar juvenil em Ária.

Nesta quarta, 01 de setembro, o SaraivaConteúdo  faz uma entrevista exclusiva com o músico, que você assiste em breve no site.





 
 
30 de Agosto de 2010 | 18:39
 

Rita Lee lança clipe e estreia show   

Veja o vídeo de 'Ti ti ti', música do roteiro do novo espetáculo da roqueira, 'Etc.'

Rita Lee está lançando em seu site oficial o clipe de "Ti ti ti". Todo o marketing da cantora está centrado, por ora, na regravação dessa música que a própria Rita lançou no álbum Saúde em 1981 - sem grande repercussão - e que regravou este ano para ser o tema de abertura do remake da novela Ti ti ti (em exibição na TV Globo às 19h). "Ti ti ti", a música, foi o tema de abertura da versão original da trama, apresentada em 1985, mas no registro do efêmero grupo Metrô. O clipe ora lançado foi feito em casa e dirigido por Roberto de Carvalho, parceiro de Rita na composição e autor das imagens do vídeo, editadas por Daniel Todeschi.

"Ti ti ti" integra, claro, o roteiro do novo show de Rita, Etc., que estreou em SP e chega ao Rio de Janeiro em 18 de setembro.

> Assista ao clipe de Ti-ti-ti da cantora Rita Lee




 
 
29 de Agosto de 2010 | 17:20
 

Cores de Nina Becker   

Cantora inclui temas de Jimi Hendrix e Tom Jobim no roteiro do show em que apresenta os cancioneiros de seus discos 'Azul' e 'Vermelho'

Vocalista da Orquestra Imperial desde 2002, Nina Becker partiu para a carreira solo em dose dupla, tendo lançado neste mês de agosto dois discos, Azul (de tonalidades mais frias) e Vermelho (em tese, o CD mais quente). Mas o show de lançamento dos discos é um só. A estreia nacional foi neste fim de semana, em duas apresentações na arena do Espaço Sesc, em Copacabana, no Rio de Janeiro. No palco, rodeada por afiado quarteto, a cantora esboça tons sutis e experimentais que irmanam as músicas de Azul e Vermelho em roteiro que surpreende ao incluir temas das lavras de Jimi Hendrix ("May this be love - Waterfall") e Tom Jobim ("Estrada do sol", da parceria com Dolores Duran). Como as músicas de Azul foram gravadas em tom propositalmente desbotado, elas ganham mais cor em cena. Da mesma forma que a participação especial de Nelson Jacobina na guitarra deu colorido adicional a "Lágrimas negras" e ao "Samba jambo". Eis uma foto de Nina em cena, clicada por Rodrigo Amaral:




 
 
28 de Agosto de 2010 | 18:47
 

A inspiração de Milton   

Artista revela que ideia do álbum '... E a gente sonhando' nasceu da leitura do nome da cidade mineira de Três Pontas em livro da 'Billboard'

Foi na leitura do nome da cidade mineira de Três Pontas numa publicação da revista norte-americana Billboard que Milton Nascimento se inspirou para conceber seu álbum ... E a gente sonhando, no qual faz conexões com músicos e artistas jovens de Três Pontas, cidade na qual o cantor (nascido no Rio de Janeiro) foi criado. A revelação foi feita por Milton em vídeo postado em seu canal oficial no YouTube. "Essa história começou de maneira completamente diferente na minha vida", diz Milton, garantindo que a turma de Três Pontas recrutada para o disco cantou e tocou "maravilhosamente bem". ...E a gente sonhando é o primeiro disco de inéditas do artista desde Pietá, de 2002. Mas o repertório inclui algumas regravações.




 
 
27 de Agosto de 2010 | 16:30
 

Ivete no pagode   

Antes de embarcar para Nova York para gravar DVD no Madison Square Garden, cantora registra participação no novo trabalho do grupo Sorriso Maroto

Artista que transita em todas as classes e gêneros musicais, Ivete Sangalo está às voltas com os preparativos para a gravação de seu DVD no Madison Square Garden - agendada para 4 de setembro. Mas, antes de viajar para os Estados Unidos, arrumou tempo para gravar, no Rio, participação no DVD Sinais - O show, que marca a estreia do grupo de pagode Sorriso Maroto na gravadora Universal Music. A estrela baiana - vista com os pagodeiros na foto de Alberto Villar - se juntou ao Sorriso Maroto em um hotel carioca. A faixa escolhida para a participação foi "E agora nós", um sucesso do grupo.




 
 
26 de Agosto de 2010 | 09:37
 

Do Amor é pop   

Em seu primeiro CD, quarteto carioca mistura ritmos sem o tom experimental usado por dois de seus músicos na BandaCê, de Caetano Veloso

Formado por Gustavo Benjão (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria e voz), Gabriel Bubu (guitarra e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz), o quarteto Do Amor reúne alguns dos músicos mais cultuados da chamada nova música brasileira. Callado e Dias Gomes são dois terços da BandaCê, recrutada por Caetano Veloso desde 2006. Bubu é figurinha fácil em discos e shows do quarteto Los Hermanos (que vai se reunir para shows em outubro). Ou seja, não faltam credenciais.

Com quatro anos de estrada, Do Amor lança neste mês de agosto seu primeiro CD, batizado com o nome do grupo. Aguardado com expectativa, o disco não decepciona, mas surpreende. Esperava-se um trabalho calcado num som mais indie. Contudo, Do Amor soa despudoradamente pop em músicas como "Vem me dar", "Chalé", "Meu corpo ali" e "Brainy Dayz". Misturando ritmos com alegria juvenil, o grupo vai de samba-rock à moda carioca ("Morena russa") à carimbó à moda paraense ("Isso é carimbó"), passando pelo clima tropical da Bahia em "Pepeu baixou em mim". Do Amor, o disco, foi produzido por Chico Neves. Para quem mora no Rio, o quarteto vai mostrar as músicas do CD - sucessor de um EP editado em 2007 - em show no Teatro Rival, agendado para 10 de setembro dentro do projeto Rival + tarde.




 
 
25 de Agosto de 2010 | 22:40
 

Lados ocultos de Célia   

Som Livre edita disco que festeja os 40 anos de carreira da cantora revelada em 1970 por Flávio Cavalcanti. Ney Matogrosso participa do CD

Quem tem menos de 40 anos provavelmente pouco ou mesmo nunca ouviu falar de Célia. Cantora subestimada na indústria da música, ela chega aos 40 anos de carreira - iniciada em 1970 quando foi projetada em todo o Brasil por programa do apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923 - 1986) - com um CD classudo distribuído pela gravadora Som Livre neste mês de agosto. O lado oculto das canções é um disco em que Célia canta - com requinte, suingue e emoção polida -  músicas conhecidas nas vozes de cantores populares como Byafra ("Vinho antigo, 1979), Benito Di Paula ("Se não for por amor, 1973), Peninha ("Sonhos, 1977) e a dupla Jane & Herondy ("Não se vá", hit revivido pela cantora em dueto suntuoso com Ney Matogrosso). No meio de tantas joias do cancioneiro popular, Célia dá segunda chance a uma música linda de Adriana Calcanhotto, "Vidas inteiras", que quase ninguém conhece porque foi feita para a trilha de um filme que quase ninguém viu (Polaróides urbanas, de Miguel Falabella). A faixa é o destaque deste disco que merece atenção das novas gerações. Entre tantas vozes de mulher, ainda há de ter lugar para o canto de Célia.




 
 

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