10 de Julho de 2009 | 12:18
O FOLHETIM PULP DE ANA PAULA MAIA 
A escritora Ana Paula Maia lança ‘Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos’, sua estréia na editora Record.
Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos é uma novela pulp escrita em 5 capítulos que narra a saga de dois brutamontes que ganham a vida matando porcos e distribuindo-os em frigoríferos. A única diversão é apostar em rinhas de cachorros. Edgar Wilson e Gerson são dois homens que esperam o mínimo da vida, trabalham muito, cumprem sagradamente suas tarefas e nutrem um pelo outro uma amizade excepcional. O resto importa muito pouco.
"O primeiro folhetim pulp da internet brasileira será publicado em versão impressa. As duas histórias que compõem o livro são: Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos e O Trabalho Sujo dos Outros , que inicialmente foi chamado de Barbudos Cretinos e suas histórias canalhas. A versão apresentada neste site corresponde ao conteúdo do formato impresso (...)"
O Trabalho Sujo dos Outros é uma novela escrita em 7 capítulos que conta a história de três homens que recolhem o lixo, quebram o asfalto e desentopem esgoto. Quando os coletores de lixo decidem fazer uma greve geral, a cidade começa a sucumbir e Erasmo Wagner inicia uma estranha jornada mística tendo um bode como condutor de um acerto de contas com o seu passado.
>>> Leia um trecho de cada novela no blog do livro 'Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos'.
>>> Assista ao trailer do novo livro de Ana Paula Maia:
Workshop: como publicar seu livro na internet, por Ana Paula Maia
“Nos dias 01 e 08 de agosto (sábado), das 10 às 14h, farei um workshop no Rio de Janeiro. Será realizado em duas etapas. Na primeira: uma breve introdução sobre a publicação folhetinesca; discutir a internet como veículo e o blog como suporte para a literatura, com apresentação do case do livro Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos. Apresentação de um blog formatado para a publicação de um livro eletrônico em capítulos. Os alunos devem levar um conto de três a cinco laudas para analisar sua melhor adequação e como editá-lo em capítulos para internet. Na segunda etapa demonstração do passo a passo de como criar um blog para a publicação de um livro eletrônico em capítulos.”
Saiba mais no blog da Ana Paula Maia.
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10 de Julho de 2009 | 11:50
HOMENAGEM AO POETA RODRIGO SOUZA LEÃO 
O autor de 'Todos os cachorros são azuis'(7Letras) faleceu no dia 02 de julho, aos 43 anos.
Por Ramon Mello
O poeta Rodrigo de Souza Leão foi homenageado na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em São Paulo.
Amigos do poeta realizaram leituras e performances musicais, entre eles:
Claudio Daniel, Donizete Galvão, Franklin Alves Dassie, Frederico Barbosa, Glauco Mattoso, Greta Benítez, Horácio Costa, Leonardo Gandolfi,Luiz Roberto Guedes, Marcelo Ariel, Márcio-André, Marco Antônio (Pezão), Paula Valéria, Pipol, Paulo de Toledo, Tatiana Fraga, Valéria Tarelho e Virna Teixeira.
O registro do evento será disponibilizado no site Cronópios.
Foto: Tomás Rangel

>>> Leia o último poema que Rodrigo Souza Leão postou no blog Lowcura:
COR AZUL.
A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário. Positive Vibrations.
>>> Além de escrever, Rodrigo Souza Leão se dedicava às artes plásticas. Nos últimos meses, ele estava fazendo aulas de pintura no Parque Lage. Veja algumas telas do artista:



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07 de Julho de 2009 | 15:48
AS FLORES DE MARIO BELLATIN 
O escritor mexicano Mario Bellatin concedeu uma entrevista exclusiva para o SaraivaConteúdo.
Por Ramon Mello
Foto: Tomás Rangel

O escritor mexicano Mario Bellatin, considerado um dos principais escritores latino-americanos contemporâneos, concedeu uma entrevista exclusiva para o SaraivaConteúdo.
Em breve, publicaremos o vídeo e a transcrição completa da conversa com Bellatin, que ocorreu durante a Flip 2009.
Enquanto isso, leia um pequeno trecho do seu livro, 'Flores' (Cosac Naify):

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04 de Julho de 2009 | 22:09
Exclusivas em Paraty 
Em breve, aqui na SaraivaConteudo, entrevistas com alguns dos principais nomes desta sétima Flip
Realizamos entrevistas com alguns dos grandes nomes desta Flip 2009 - em breve os vídeos entram no ar, junto com as transcrições na íntegra:
António Lobo Antunes, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, Rafael Coutinho, Marina Colasanti, Catherine Millet, Ondjaki, Cristóvão Tezza, Dira Paes e Affonso Romano de Sant'anna.
Em breve, aqui na
SaraivaConteudo.
Fotos de Tomás Rangel
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04 de Julho de 2009 | 21:26
Famílias em decadência 
Chico Buarque e Milton Hatoum falaram sobre seus livros que guardam algumas semelhanças ao abordar sagas de famílias em decadência
Por Bruno Dorigatti
Foto de Tomás Rangel
Na sexta-feira em Paraty teve muitos aplausos para Chico Buarque e Milton Hatoum, com tendas lotadas, e muitas pessoas em pé, do lado de fora, que acompanharam a leitura do mais recente livro de Chico, Leite derramado (Companhia das Letras), e da novela de Hatoum, Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras), que coincidentemente tem algumas semelhanças, seja na intensa brevidade de ambos os relatos, que condensam mais de cem anos da saga de famílias em decadência.
"Ele me copiou!", disse um bem humorado Chico, ao comentar a reação que teve quando leu a novela de Hatoum, feita sob encomenda para uma coleção sobre mitos de uma editora escocesa.
O compositor e escritor falou ainda da dificuldade de encontrar a voz narrativa.
"Aí fica um ano e meio com os problemas e preconceitos do narrador, mas cria uma empatia, pois ele passa a fazer parte da tua vida, como se fosse um parente mais velho. Fica difícil se despir, você carrega aquela memória desordenada daquele velho por um tempo".
Já Hatoum comentou o desafio de transformar o relato recorrente do mito do Eldorado em uma narrativa realista, quando ele perde sua lógica para virar ficção. "Não queria escrever um relato de um mito. O imprevisível conta muito, mas o sentido também".
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03 de Julho de 2009 | 22:00
Rodrigo e seu mundo azul 
O poeta Rodrigo Souza Leão, que faleceu no dia 02 de julho, foi lembrado em mesa dedicada à poesia na Flip
Por Ramon Mello
Foto de Tomás Rangel
Na FLIP 2009, durante a mesa "Evocação de um poeta", com Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz, o poeta Carlito Azevedo anunciou o falecimento do escritor Rodrigo Souza Leão. Antes do debate, Carlito teve a sensibilidade de evocar Rodrigo e dedicá-lo o encontro.
Em 2008, recebi um exemplar do romance,
Todos os cachorros são azuis (7Letras) para realizar uma entrevista com o autor que acabava de publicar através da bolsa literária da Petrobrás. Peguei o pequeno livro, fui para um café e mergulhei no universo de Rodrigo.
Liguei para o autor e solicitei um encontro; ele só fez uma ressalva: "A entrevista tem de ser aqui em casa". Topei. Em seguida ele justificou:
"Sou esquizofrênico e faz muitos anos que não saio de casa."
Fiquei receoso mas não desisti, enfrentei minha ignorância. A entrevista aconteceu numa quinta-feira no Rio de Janeiro.
>>> Leia a entrevista com Rodrigo Souza Leão, AQUI!
Saudades, meu caro.
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03 de Julho de 2009 | 15:50
Lobo Antunes, exclusivo 
O português falou da necessidade de desmistificar o escritor enquanto criatura superior.
Por Ramon Mello e Bruno Dorigatti
Foto de Tomás Rangel
- Foi engraçado?
- Foi ótimo!
- Só queria que fosse engraçado...
Enquanto nos preparávamos para a entrevista exclusiva - rápida, porém intensa - com António Lobo Antunes, ele nos questionava sobre a performance na coletiva de 40 minutos, que terminou com aplausos ao escritor português. Nela, Lobo Antunes comentou sobre sua educação severa, normativa, do norte do Brasil, já que seu avô era de Belém do Pará, abordou, ainda que a contragosto, a terrível experiência na guerra (ele esteve como soldado por quatro anos em Angola, no final dos anos 1970), a trajetória como médico psiquiatra, antes de poder se dedicar exclusivamente à literatura. Mas, sobretudo, procurou relatar como encara seu ofício, segundo ele, algo tão ordinário como qualquer outro, apesar do glamour e charme que ostenta. Confira alguns trechos da coletiva:
"Não me interessa nada contar estórias. O livro é algo simbólico, sem significado definido. Não procuro escrever romances naturalistas, realistas. Me interessa colocar o mundo entre as capas."
"Conhecem aquele tenista Bjorn Borg? Ele falava que os outros jogavam tênis; ele jogava outra coisa. É isso. Outra coisa. Procuro reinventar a escrita."
"Não se pode fazer nenhuma transigência ao leitor. O livro deve ser lido com as chaves do próprio livro, do escritor, e não com as do leitor. O livro é um organismo, com características próprias. Se os livros fossem anônimos evitariam vários problemas, poupava-se muito trabalho."
"Os bons livros foram feitos pra mim, e não interessa quem os escreveu."
E abaixo, a transcrição da entrevista exclusiva de Lobo Antunes, que você vai assistir aqui no
SaraivaConteúdo em breve.
O ESCRITOR
Lobo Antunes. Se você quer mesmo escrever, tem que escrever para ser o melhor. E tem que escrever para chegar o mais longe. Chegar o mais longe, no interior da alma humana, no interior da pessoa, no interior da vida – estar mais perto da vida.
Você conhece aquele pintor Paul Klee? Era um pintor suíço que quando morreu quis que o botassem perto de uma maternidade. Ele dizia: "Para estar perto do coração da vida". Então, escrever é um pouco isso, você tem que tentar estar mais perto do coração da vida, onde estão os homens – e você no meio deles.
O escritor não pode estar no alto que está. A gente nao pode amar aquilo que não pode tocar. Tem que estar no meio dos homens, entre eles. Só no meio dos homens que vale a pena viver.
Não entendo o artista distante que está a parte do mundo. Você é um homem comum, vivendo entre homens comuns. Seu trabalho é escrever, como podia ser pintor de paredes, engenheiro, médico, sapateiro...
É preciso desmitificar o escritor enquanto criatura superior. É um homem comum. Abraços como a criação que o cerca e não controla.
A POESIA
Lobo Antunes. Meu pai tinha sobretudo poesia [em casa]. Meu avô não tinha, porque achava que poesia era coisa de viado. Mas era sobretudo poesia: Bandeira, Drummond, Jorge Lima, Murilo Mendes... Escritores, mais ou menos o que a geração dele lia. Não lia muito, porque a poesia vende muito pouco. É engracado, porque na casa do meu pai nao havia fotografias de filhos, fotografias de família. Só havia fotografia de poetas. Eu tinha um imenso respeito pela poesia. Então, ao invés de encontrar um tio ou uma avó, passei a encontrar as fotografias dos poetas.
Lembro, uma vez, pouco antes de morrer, um dos meus irmãos perguntou: “O que gostaria de deixar para seus filhos?”. E eu respondi: “O amor das coisas belas. E fiquei com uma grande admiração por essa resposta. Eu tinha um imenso respeito pelos artistas, achava que eles sofriam mais que as outras pessoas. Não sei se sofrem mais, sofrem talvez da maneira mais aparentemente dramáticas. A nossa vida é feita de coisas tão contraditórias, os grandes sofrimentos, as grandes tranformações são interiores. Não se passam por fora, passam-se por dentro. Os grandes cataclismas e os grandes tremores de terra são sempre interiores.
O PROCESSO DE CRIAÇÃO
Lobo Antunes. Sabe, nada disso foi premeditado. Comecei a escrever com cinco, seis anos. Era muito interessante porque você punha as palavras uma seguida das outras e fazia sentido. Então era maravilhoso. Depois começa a ser dificil. Aos 14, 15 anos você nota que há uma diferença entre escrever bem e escrever mal. Aí começa a angústia, né? E, depois, aos 18, você compreende que há diferença para escrever uma obra-prima. Porque você quer escrever uma obra-prima, quer dizer o que nunca ninguém disse.
Tem que ser profundamente ambicioso: “Eu vou fazer o que até agora ninguém fez”. E pode falhar, evidente. Mas pelo menos não fica com remorso por não ter tentado.
O LIVRO MAIS RECENTE, MEU NOME É LEGIÃO
Lobo Antunes. Não era tanto a imigração que interessava. Todo livro é sobretudo uma reflexão pessoal e profunda sobre a arte de escrever. Era como se a polícia do livro fosse o escritor e aquelas vozes daqueles meninos fosse o material, que escapa de todas as maneiras, estão sempre fugindo. E, ao mesmo tempo, é inestinguível o ser de ternura daqueles meninos. Simplesmente, eles nao tiveram outro meio de exprimir a não ser matando, foi assim que foram educados. Porque só conheciam o mundo da violência, em que até o amor é pedido com violência. Aquilo que nós estamos pedindo sempre é: “Gostem de mim, gostem de mim, goste de mim... Reparem em mim, estou vivo, estou aqui”. Porque nós damos muito pouca atenção uns aos outros, nao há tempo. As pessoas vão ao psiquiatra porque ele é uma orelha muito grande pra quem podem falar. Em casa é difícil falar, porque chega em casa tem marido, mulher, filhos, televisão, internet. Então substitui-se o diálogo pelo comunicado. As pessoas não dialogam, emitem um comunicado como um boletim de saúde. E um livro é um objeto, uma coisa que acaba por se tornar vivo, porque ocm ela você pode partilhar. E o livro partilha consigo e você partilha com o livro, e consegue ter uma relação quase carnal, quase sensual com o livro, né? E fica apaixonado. Eu estou apaixonado pela Emily Brontë, O morro dos vendavais. Porque ela escreveu aquele livro para mim, e estava a dizer aq uilo que eu sentia. Aquilo que eu sentia e não era capaz de dizer, porque não me era consciente. Então você está lendo e sente a mesma coisa, isto que senti e não era capaz de dizer.
O TEMPO DA ESCRITA
Lobo Antunes. Isso é variável. Nunca menos de um, dois anos. Trabalhando todos os dias, oito, nove horas por dia, sábados, domingos. Não menos que isso. Mas você lê A cartucheira de Parma, de Stendhal, foi ditado em 57 dias. O tempo que você demora não torna o livro nem melhor nem pior. Tem livros que são mais rápidos que outros. Com A explicação dos pássaros eu tive só cinco ou seis meses. Com os outros tive muito mais tempo. É assim, milagres. Você não sabe porque em um dia faz três linhas, no outro dia faz uma página, trabalhando as mesmas horas. Não sei, não tenho uma explicação pra isso. Obrigado.
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02 de Julho de 2009 | 21:51
“Which God Are You?” 
"Que Deus é você?” Assim Richard Dawkins finalizou seu painel na Flip, em resposta à pergunta de como reagiria se, após morrer, se deparasse com Deus
Por Marcio Debellian
Foto de Tomás Rangel
“Apolo? Zeus? Que Deus é você?” Foi com esta pergunta que Richard Dawkins finalizou seu painel na Flip, em resposta à pergunta de Silio Boccanera de como reagiria se, após morrer, se deparasse com Deus.
E mantendo a sua essência de cientista, disse que se Deus perguntasse a ele “Por que não acreditaste em mim?”, diria: “Not enough evidence!”, a conhecida frase de Bertrand Russell.
A participação de Dawkins na FLIP, no mesmo ano em que se celebra os 200 anos de Darwin e os 150 anos do livro A Origem das Espécies, traz à tona uma reflexão sobre crenças religiosas no Brasil. Ele acaba de ter seu livro sobre o tema, A história da evolução (Companhia das Letras), publicado no Brasil.
No início da palestra, Silio chegou a dizer que gostaria que a platéia fosse educada ao reagir às declarações de Dawkins. Talvez ele esperasse uma reação mais fervorosa do público brasileiro, dada a forte tradição católica que atribuem ao país.
No entanto, o que se viu foram aplausos sucessivos, inclusive nas declarações mais contundentes. Dawkins “prega” que no mundo existem muito mais ateus do que se pensa, mas que as pessoas não tem coragem de assumir. “As pessoas são acostumadas a achar que não podem criticar as religiões”. Seu livro, Deus, um delírio (Companhia das Letras), já foi traduzido em 31 países, e o escritor vem percorrendo o mundo divulgando o trabalho e colhendo as mais diversas reações, como a de um politico de Oklahoma, EUA, que tentou censurar sua palestra no Estado.
Confira mais informações sobre o post abaixo sobre a entrevista coletiva de Dawkins em Paraty.
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02 de Julho de 2009 | 21:41
Verdades inventadas 
Reminescências, memória e história rondaram a conversa de Tatiana Salem Levy, Sérgio Rodrigues e Arnaldo Bloch
Por Ramon Mello
Foto de Tomás Rangel
A professora e crítica literária Beatriz Resende fez a abertura da mesa Verdades Inventadas, composta por Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy, fazendo uma provocação aos jornalistas. "Esses autores nos fazem pensar sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista. Se o diploma não ajuda, eles provam que também não atrapalha", disse ela, referindo-se aos livros Irmãos Karamabloch (Companhia das Letras), Elza, a garota (Nova Fronteira) e A chave de casa (Record), dos respectivos autores.
Cada autor fez uma leitura de um trecho dos livros enquanto a platéia acompanhava com uma pequena publicação avulsa distribuída pelas editoras. Antes de iniciar a leitura do livro que reúne ficção, memória e história sobre o clã da família Bloch, Arnaldo mostrou uma página do livro com a foto dele, aos cinco anos, na capa da revista
Manchete, publicação editada pela empresa da família.
Beatriz, Arnaldo, Tatiana e Sérgio
Tatiana convidou Arnaldo para ler as falas da mãe da protagonista do seu romance. Após a leitura, Arnaldo interrompeu a fala da Tatiana, que, brincando, reclamou com o escritor. Arnaldo se defendeu: "Surperproteção da mãe às vezes atrapalha."
Sérgio Rodrigues falou sobre a experiência de escrever um livro sob encomenda num curto prazo. E ainda leu um fragmento do capítulo 5 do livro que narra a história da menina Elza, brutalmente assassinada nos anos 193o, no contexto dos conturbados anos que precederam a ditadura do Estado Novo, de Getulio Vargas. "Acredito que essa tensão, essa urgência do prazo de entrega do livro foi para minha escrita".
[Leia a entrevista com o escritor aqui]
Um dos momentos mais emocionantes do debate foi quando Tatiana Salem Levy confidenciou um sonho da noite anterior, hospedada na pousada dos autores. "Sonhei que alguém da platéia me perguntava se o meu romance era autobiográfico. E eu respondi: 'Não!' E respondiam: 'Pior pra você. Seria muito melhor se fosse verdade.'"
E completou falando sobre o processo de criação: "Procuro a verdade literária e não a verdade dos fatos. Toda a minha questão é trabalhar a linguagem, a palavra".
Para finalizar Sérgio Rodrigues reforçou a fala de Tatiana com uma "notícia" para o público. "A verdade, na realidade, não existe."
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02 de Julho de 2009 | 21:08
Talese e a elegância 
O jornalista norte-americano resume os requisitos para uma boa reportagem, em sua coletiva de imprensa, praticamente uma "conferência excusiva"
Por Bruno Dorigatti
Foto de Tomás Rangel
Tempo, paciência e boa apresentação. E estar lá. Para o jornalista Gay Talese, autor de clássicos do jornalismo literário como "Frank Sinatra está resfriado",
A mulher do próximo (Companhia das Letras), O reino e o poder (Companhia das Letras) - sobre a história do New York Times - e Os honrados mafiosos (Expressão e Cultura), estes seriam os principais requisitos para uma boa reportagem. Com elas, você consegue obter todo o necessário para um bom texto, ainda que não consiga ter acesso a pessoa que está retratando. Talese não conversou com Sinatra, mas conseguiu fazer o melhor perfil do cantor, texto clássico publicado originalmente na Esquire que integra também a coletânea Fama e anonimato (Companhia das Letras). [Leia a reportagem no original em inglês aqui]

Talese e sua "conferência exclusiva" durante a coletiva de imprensa
Em sua entrevista coletiva na 7. Flip, Talese praticamente fez uma conferência para a sala repleta de jornalistas que por aqui estão. Respondeu a, se tanto, quatro perguntas e em cada uma delas, repassou sua história, e a história de algumas reportagens. Comentou sua viagem a China, em 1999, quando foi atrás da jogadora de futebol da seleção feminina que perdeu o pênalti na Copa do Mundo daquele ano nos Estados Unidos, em texto que acabou por tratar das mudanças que o país enfrenta nesse início de século; abordou a história de seu pai, italiano da Calábria que migrou para os Estados Unidos nos anos 1920; e tratou da sua trajetória, quando bateu na porta do New York Times, recém-formado, para pedir um emprego, por conta de um suposto primo de um dos diretores do jornal, que conheceu no Alabama, onde cursou jornalismo. Histórias todos incluídas em seu mais recente livro publicado no Brasil, Vida de escritor (Companhia das Letras), onde intercala sua biografia com reportagens que nunca conseguiu publicar, com certa predileção e grande curiosidade em focar nos fracassos e derrotas, sejam as suas ou de seus personagens.
Gay Talese conversa com Mario Sérgio Conti na mesa Fama e Anonimato no sábado, as 17h.
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