04 de Junho de 2009 | 13:45
Clássico de Bertolucci em DVD 
Finalmente em DVD o clássico de Bernardo Bertolucci: "Novecento 1900"
Um dos grandes filmes de Bernardo Bertolucci que ainda não havia sido lançado em DVD era o clássico Novecento 1900, realizado em 1976. A distribuidora Cinemax fez o grande favor de acabar com isso e acabou de lança-lo em DVD em sua versão integral de 314 minutos.
Estrelado pelo “monstros” Burt Lancaster, Robert De Niro, Gerard Depardieu, Dominique Sanda e Donald Sutherland, o filme é uma impressionante realização de Bernardo Bertolucci que reconstrói a história da Itália, desde o surgimento do fascismo até a queda de Mussolini em 1945. Uma verdadeira saga contada através da vida de dois jovens que possuem apenas um ponto em comum: uma forte amizade.
Com cenas inesquecíveis e de grande força poética, fotografadas magistralmente pelo grande Vittorio Storaro, e trilha sonora inesquecível do mestre Ennio Morricone, “ Novecento 1900 relata com extrema sensibilidade todos os fatos que marcaram a primeira metade do século 20. Um épico aclamado no mundo inteiro, sendo considerado pela crítica internacional como uma das principais obras do diretor italiano Bernardo Bertolucci.
> Assista ao trailer de Novecento
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25 de Maio de 2009 | 14:28
A arte do anonimato 
O fotógrafo Walter Carvalho adapta para o cinema romance de Chico Buarque
“Se você deseja escrever um livro, um artigo, um relatório de trabalho, um discurso, uma conferência, mas não tem tempo, nem prática, nem paciência para escrever; a solução é contratar um bom ghost writer”. Esta poderia ser uma das possíveis sinopses do longa-metragem Budapeste, adaptação homônima do livro de Chico Buarque, dirigido por Walter Carvalho, que estreou nos cinema no dia 22 de maio. Ghost writer, ou escritor fantasma, em português, é a expressão inglesa que define o profissional que presta serviços de redação de textos a outras pessoas. Ser ghost writer é brilhar à sombra.
O grande tema do filme é a arte do anonimato. O artista anônimo que se despe de todo e qualquer tipo de vaidade para deixar gravado na obra encomendada as características do contratante. O que mais, além do dinheiro, leva um personagem como José Costa, interpretado por Leonardo Medeiros, a se dedicar à tão ingrata profissão? As únicas pistas possíveis, ao longo do filme, estão em seus conflitos éticos e estéticos, os quais se presentificam em sonhos, alucinações e pesadelos. José Costa, ou Zsoze Kósta, conforme a grafia húngara, encarna a idéia do duplo que os artistas trazem dentro de si. Vem de uma linhagem de escritores fantasmas famosos como Cyrano de Bergerac e Anaïs Nin. O recurso do escritor fantasma, aliás, sempre foi e continua sendo muito utilizado no meio político. Vários presidentes tiveram os seus fantasmas: Lourival Fontes, por exemplo, escreveu os principais discursos de Getulio Vargas, embora a carta-testamento seja de autoria do jornalista João Maciel. Augusto Frederico Schmidt encarnou Juscelino Kubitschek. Eduardo Graeff, o de Fernando Henrique Cardoso. Até Obama tem o seu: Jon Favreau, um jovem fantasma de apenas 27 anos.

A estátua esquartejada de Lênin em proporções colossais descendo o Rio Danúbio é um dos momentos mais belos e impactantes do filme. Inclusive quando a câmera fica de cabeça pra baixo para vê-lo passar por debaixo da ponte. Será uma piada ou uma referência ao filme
Adeus Lenin!, cujo personagem reescreve anonimamente a história de seu país para satisfazer os ideais políticos de sua mãe? Se for uma piada, não funciona. Se for uma referência, muito menos. De qualquer forma não resisti à curiosidade de perguntar aos membros da equipe se aquela colossal estátua era cenográfica. Como saber? Vai que estão filmando o Rio Danúbio e, de repente, uma enorme barcaça passa transportando o único objeto que poderia tão bem definir a atual Hungria? Por que não aproveitar o acaso? O diretor, aliás, se permite certos maneirismos que, se não comprometem a narrativa do filme, em nada acrescentam. Chico Buarque, por exemplo, aparecendo em close num lançamento editorial, é uma homenagem simpática, mas desnecessária. A adaptação do romance já é, em si, um gesto reverencioso. É possível perceber que o diretor, com isso, brincava com a idéia dos duplos, pois, naquele momento, Chico Buarque encarnava o próprio
ghost writer de seu personagem Zsoze Kósta.
As cenas de apredizagem da língua húngara são poucos inspiradas, embora necessárias como ponto de transição do personagem. As cenas de sexo são bálsamos. Rendem homenagens ao
Livro de cabeceira, de Peter Grenaway. É um filme, claro, de fotógrafos. Peca por alguns clichês: poucos foram os autores que conseguiram retratar outras culturas sem cair na armadilha do lugar-comum e dos estereótipos. Para tanto, seria preciso ter um espírito universal como o de Bertolt Brecht, dramaturgo alemão que construiu sua obra abordando, entre outras coisas, culturas diferentes, sem jamais deixar de atingir o seu âmago e as suas peculiaridades. E ainda bem que Brecht veio à tona, pois, resumindo, diria que Budapeste é um filme com olhar estrangeiro e que se permite certos distanciamentos: quebra da ilusão por artifícios cênicos, tais como o personagem fazer comentários para a câmera ou Chico Buarque surgir em carne e osso comprando o seu próprio livro, ou melhor, o livro escrito pelo seu personagem. Esse é o jogo.
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25 de Maio de 2009 | 14:04
De volta do ostracismo 
O documentário Simonal – Ninguém sabe o duro que dei é um libelo à saga deste artista que teve o talento amputado no auge da carreira
Wilson Simonal é o Barbosa da nossa música popular brasileira. Assim como o goleiro da fatídica Copa de 50, Simonal também era negro, de origem humilde e teve o seu nome, a certa altura da vida, gritado pelas massas. Até que um ato (ou seria mero boato?) o devolveu ao ostracismo e à condenação inglória dos renegados nacionais. Simonal e Barbosa morreram ambos estigmatizados, cumprindo um tipo de pena expiatória, isenta de julgamento ou apelação, e sem jamais serem anistiados pelos crimes que não cometeram.
Descoberto no início da década de 1960 pelo polêmico Carlos Imperial, Simonal logo estourou nas paradas de sucesso. O seu carisma, aliado à facilidade que tinha de manipular as multidões, o tornou um showman sem precedentes no país. Fez sucesso, fama e dinheiro de maneira quase meteórica. Com apenas três anos de carreira já fazia turnês pela América do Sul e Central. Uma ousadia imperdoável para as classes dominantes brasileiras que logo o taxaram de traidor, delator, alcagüete, dedo-duro ou qual seja o outro nome que se dê a mais imperdoável, juntamente com o estupro, das misérias humanas.
Durante oitenta e seis minutos o documentário Simonal – Ninguém sabe o duro que dei flui impecável no que tange ao visual, se impondo não só pela força trágica do personagem, mas também pelo precioso material de arquivo, fruto de longa e depurada pesquisa. O projeto gráfico, a cargo de Duda Souza, incrementa o filme com um toque anos 60, meio tropicalista, meio kitsch, num barroquismo nada gratuito. Assim como o músico Arnaldo Baptista, Simonal também conheceu o inferno em vida; mas, ao contrário do primeiro, jamais encontrou o caminho de volta. Com todas as portas fechadas, a ele só restou se consolar no álcool. Morreu de cirrose hepática em 2000, aos 62 anos.
Os atuais documentários brasileiros cada vez mais cumprem o papel de resgatar ou simplesmente lançar uma nova luz sobre expoentes da nossa música. Foi assim com Cartola, Waldick Soriano, Humberto Teixeira, Simonal, Vinícius de Moraes, Tom Zé, Caetano Veloso, Titãs, Bethânia, Paulinho da Viola, Tati Quebra-Barraco e Nelson Freire, dentre outros. No caso de Simonal, a coisa se confirma, pois o filme traz à tona não só o perrengue pelo qual ele passou nos últimos 30 anos de sua vida, mas também recupera o grande intérprete que foi, apresentando-o à geração coca-cola, para a qual o nome Wilson Simonal não quer dizer absolutamente nada. A partir do filme, em circuito comercial desde 15 de maio, todos poderemos relembrar a sua apoteótica apresentação no Maracanãzinho, ou no intervalo do Festival da Canção, ou ainda de suas memoráveis apresentações com Sarah Vaughan, Elis Regina e tantos outros.
O documentário Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal, antes de mais nada, é um libelo à saga deste artista que teve o talento amputado no auge da carreira: primeiro pelos meios de comunicação (leia-se: Central Globo de Comunicação e Pasquim), depois pela própria classe artística e, por último, pela opinião pública. Sem direito a protestos, Simonal sofreu todo tipo de patrulha e humilhação. Tentaram apagar o seu nome da recente história musical brasileira. Seus discos saíram de circulação, fora dos catálogos. Shows? Impossíveis. Apresentações em programas de televisão? Impensáveis. Seu nome virou tabu. Sovaram na mesma massa homem e artista e o botaram em banho-maria para todo o sempre.
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