19 de Junho de 2009 | 17:22
TROCANDO IDÉIAS COM RENATO RUSSO 
O DVD Renato Russo Entrevistas MTV é um precioso registro, principalmente para fãs do Legião Urbana
Por Ramon Mello
Sei que (teoricamente) esse post deveria estar no Blog de Música, mas decidi escrever aqui porque considero Renato Russo um poeta, como Cazuza, Caetano, Chico... A lista é extensa.
Então, com a licença de Mauro Ferreira:
Há poucos dias, assisti o DVD Renato Russo Entrevistas MTV com três longas entrevistas com o líder do Legião Urbana, produzido pelo pesquisador musical e jornalista Marcelo Fróes e lançado pela MTV, em 2006 - data dos dez anos de morte do “Olavo Bilac do rock brasileiro”.

Não custar relembrar que se trata de um registro antológico. Ou seja, mesmo se não souber cantar “Eduardo e Mônica” sem errar a letra, você vai gostar de assitir. Renato era bom de papo, são 142 minutos de conversa sobre música.
“Uma documento único, uma verdadeira aula de história e cultura”, está escrito na contracapa. É verdade, assista e comprove.
Antes, posso contar um pouco sobre essas conversas:
“Passado, Presente e Futuro”, entrevista realizada no apartamento de Renato, em Ipanema, em Maio de 94, é a conversa mais longa. O diretor e roteirista Jorge Espírito Santo, mediador do encontro, leva algum tempo para conduzir o diálogo com Renato, mas é possível conhecer toda a trajetória de Renato Russo, desde quando começou no Aborto Elétrico, em Brasília, até a intensa carreira da Legião Urbana.
"O que é Legião Urbana?" A primeira pergunta de Espírito Santo deixa Renato um pouco sem paciência, mas ele responde:
"É um conjunto musical brasileiro que canta letras em português a partir de uma batida 4X4, e a partir da experiência urbana de ser um jovem brasileiro (...)", em seguida, Renato interrompe a pede para recomeçar a entrevista.
No “MTV no Ar”, gravado pela equipe de jornalismo da MTV no Estúdio Discover, no Rio de Janeiro, dia 30 de maio de 1994, Renato usa o seu primeiro CD solo, The Stonewall Celebration Concert, para conversar sobre direitos humanos e homossexualidade. Segundo o músico e letrista, o álbum foi feito para "exorcizar um amor que era para dar certo e não deu" – referindo-se ao seu namoro com Robert Scott Hickmon, roqueiro que conheceu em Nova York, em novembro de 1989.
“A Entrevista”, encontro mais descontraído, gravado em 26 de Março de 93, aconteceu na sala do apartamento de Renato. Tranqüilo e íntimo, Renato conversa informalmente com o jornalista Zeca Camargo sobre amor, sexo e amizade. E não esconde os problemas com bebidas.
[Trecho de ‘A Entrevista’ disponibilizado no You Tube]
O registro é precioso, principalmente para fãs do Legião Urbana. É emocionante ver Renato comentando suas letras de música e de sua vida pessoal.
'Renato Russo: o Filho da Revolução'
Pegando carona nessas entrevistas, vale indicar a leitura de Renato Russo: o Filho da Revolução (Agir), do jornalista Carlos Marcelo, editor executivo do jornal Correio Braziliense.
O livro faz um recorte na vida do músico, quando ele morava em Brasília, então capital controlada pelos militares. Trata-se um Renato jovem, em fase de formação, que ainda usava o sobrenome de batismo, Mandredini Jr. Há letras e documentos inéditos que revelam aspectos pouco conhecidos da trajetória do artista. Além da pesquisa, o retrato do artista é desenhado através de depoimentos de vários amigos anônimos e alguns famosos como Ney Matogrosso, Dado Villa-Lobos, Millôr Fernandes, Dinho Ouro-Preto, Tony Bellotto e Herbert Vianna.
>>> LEIA MAIS:
O Trovador Solitário (Ediouro), de Arthur Dapieve
Renato Russo de A a Z - As idéias do líder'(Letra Livre), de Simone Assad
Conversações com Renato Russo (Letra Livre/Brasilivros)
Renato Russo & Cazuza - A Poética da Travessia (Malta Editores), de José Roberto da Silveira
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15 de Junho de 2009 | 18:41
TEATRO COMPLETO - CAIO FERNANDO ABREU 
O fato é que os textos de Caio – romances, contos e peças de teatro – são primorosos retratos de sua geração e merecem ser lidos.
Por Ramon Mello
Batizado por Lygia Fagundes Telles de “o escritor da paixão”, Caio Fernando Abreu dedicou sua vida ao jornalismo e à ficção. Antes disso, passou pelo teatro, tendo cursado o CAD (Curso de Arte Dramática da Faculdade de Filosofia) da UFRGS e não concluído, como aconteceu com o curso de Letras.
O fato é que os textos de Caio – romances, contos e peças de teatro – são primorosos retratos de sua geração e merecem ser lidos, relidos e, sempre que possível, levados ao palco. Então, nada melhor do que uma cuidadosa edição do livro Teatro Completo – Caio Fernando Abreu (Agir) para reacender o interesse pela obra teatral de Caio.

"Caio sempre adorou teatro, via tudo, conhecia todo mundo da classe teatral. No entanto, foi mais do que um espectador aficionado: tornou-se um homem de teatro. Embora bissexto, Caio foi ator, conheceu o palco por dentro. E bom ator. A última vez que comprovei esse fato foi quando da leitura que ele fez de sua peça recém-concluída: O homem e a mancha, na casa do ator Carlos Moreno, para quem a escrevera de encomenda. Essa leitura ficou-me na memória como uma deliciosa e tocante performance de comicidade e lirismo. Performance que, fiquei sabendo, repetiu publicamente em duas ocasiões, e com enorme sucesso, quando, já doente, voltara a morar em Porto Alegre."
[Trecho do prefácio assinado pelo diretor Luís Arthur Nunes na primeira edição do livro, publicado pela editora Sulina em 1996]
Na nova edição do livro, encontram-se as seguintes peças de teatro: Sarau das 9 às 11; Diálogos; A Comunidade do Arco Íris; Pode ser que seja só o leiteiro lá fora; Reunião de família (adaptação do romance de Lya Luft); A maldição do Vale Negro; Zona Contaminada; e O homem e a mancha – todos os textos foram revisados, corrigindo erros da edição anterior. Diretores que conviveram intimamente com a obra de Caio foram convocados para avaliação dos textos, entre eles: Luciano Alabarse, Gilberto Gawronski e Suzana Saldanha.
Há também fichas técnicas das montagens de estréia e um caderno de fotos, além da apresentação do ator Marcus Breda e do prefácio do diretor Luís Arthur Nunes, que também prefaciou a primeira edição.
“Este livro é filho de uma peça de teatro. Nasceu do processo de produção de O homem e a mancha, último texto teatral de Caio Fernando Abreu, escrito exatos dois anos antes de seu falecimento. Foi meu primeiro monólogo como ator e minha primeira realização como produtor teatral, numa parceria com o diretor Luís Arthur Nunes. Mas foi, antes de mais nada, nossa modesta homenagem póstuma a um amigo e, sobretudo, um escritor (e dramaturgo) genial.”
[Trecho da apresentação de Marcos Breda na nova edição do livro Teatro Completo – Caio Fernando Abreu, publicado pela editora Agir em 2008]
Antes de falecer, Caio cuidou de toda a sua obra, revisando e reescrevendo textos. É extremamente significativo (e uma bela homenagem) que sua obra dramática receba um tratamento especial dos amigos que acompanharam sua trajetória.
Caio Fernando Abreu merece o melhor, sem dúvidas.
>>> Assista entrevista com o escritor Caio Fernando Abreu no programa Entrelinhas, da TV Cultura:
>>> Assista a trajetória do escritor Caio Fernando Abreu, em reportagem RBS TV:
>>> LEIA MAIS:
- Caio Fernando Abreu - Inventário de um Escritor Irremediável (Seoman), de Jeanne Callegari
- Caio Fernando Abreu – Cartas (Aeroplano) Org. Ítalo Moriconi
- Caio Fernando Abreu - Melhores Contos (Global) Org.Marcelo Secron Bessa
- Caio 3d - O Essencial da Década de 1970 (Ediouro), de Caio Fernando Abreu
- Caio 3d - O Essencial da Década de 1980 (Ediouro), de Caio Fernando Abreu
- Caio 3d - O Essencial da Década de 1990 (Ediouro), de Caio Fernando Abreu
- Cenas de Intolerância - Col. Quero Ler Teatro (Ática), de Caio Fernando Abreu e Carlos Queiroz Telles
- Girassois (Global), de Caio Fernando Abreu
- As Frangas (Globo), de Caio Fernando Abreu
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15 de Junho de 2009 | 17:46
VÍDEO INÉDITO DE CAIO FERNANDO ABREU 
A leitura do texto 'O homem e a mancha' foi realizada no dia 28 de setembro de 1994, em Porto Alegre.
Por Ramon Mello
Em 1994, o ator Carlos Moreno (o eterno Garoto Bombril) foi a São Paulo pedir ao escritor Caio Fernando Abreu para fazer a adaptação teatral do texto Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes.

Depois de vacilar com a proposta, Caio aceitou o convite e escreveu o monólogo O homem e a mancha - exato dois anos antes de seu falecimento. No entanto, Carlos Moreno não gostou do texto, que acabou não encenando na ocasião.
A montagem do último texto teatral de Caio só foi realizada em 1996, em Porto Alegre, com a direção de Luís Arthur Nunes e atuação de Marcos Breda. No ano seguinte, a peça seguiu em temporada no Rio de Janeiro e em São Paulo. E, em 1998, partiu em turnê nacional.
>>> Assista um trecho da montagem de O homem e a mancha:
Lamentavelmente, Caio não chegou a assistir a montagem do texto que dedicou a Clarice Lispector – a escritora o chamava de Quixote. Mas o próprio Caio fez uma leitura pública do texto a pedido do seu amigo Marcos Breda, que teve a generosidade de disponibilizar o vídeo da leitura na web.
A leitura realizada no dia 28 de setembro de 1994, no teatro da Sala Álvaro Moreira, em Porto Alegre, fazia parte de um evento intitulado “Ciclo Caio Fernando Abreu”. Dividindo o palco com o ator Eduardo Fachel, Caio leu de forma tranqüila e bem-humorado, sentado diante de uma mesa, vestido com uma calça preta e uma camisa branca que ostentava a seguinte frase em inglês: Why to be normal?
Publicado na íntegra no YouTube, o vídeo está dividido em 10 partes:
Na parte 1, Caio fala sobre as motivações que o fizeram escrever o texto, apresenta o ator que interage à leitura dramática e inicia a apresentação. Da parte 2 a 9 é possível acompanhar a leitura e as risadas da platéia, que não se contém diante da ironia do texto e da entonação de Caio. No final, na parte 10, Caio conversa com a platéia sobre o monólogo e sobre a presença do humor em sua obra.
>>> Assista a leitura de O homem e a mancha, por Caio Fernando Abreu:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10
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08 de Junho de 2009 | 19:35
RICARDO SILVESTRIN: OFICINA LITERÁRIA ONLINE 
São lidos e comentados pelo orientador textos da produção do oficineiro, enviados conceitos teóricos e de criação literária.
O poeta, compositor, prosador e professor de literatura Ricardo Silvestrin, está orientando, via e-mail, escritores, aspirantes a escritores e apaixonados pela palavra escrita.
É uma oficina pela web. são lidos e comentados pelo orientador textos da produção do oficineiro, enviados conceitos teóricos e de criação literária nos diversos gêneros (poesia, conto, crônica, novela, romance e letra de música), além da análise de exemplos pertinentes de obras de outros autores.
O valor da oficina é de R$ 30,00 pela troca de cada 10 e-mails, 5 do oficineiro e 5 do orientador - podem ser comentados, a cada e-mail, 5 poemas ou dois contos, ou mesmo um capítulo de romance que esteja em desenvolvimento.
Contato: Ricardo Silvestrin
e-mail: ricardo.silvestrin@globo.com tel: (51) 99199770
>>> Ricardo Silvestrin nasceu em Porto Alegre, 1963. É formado em Letras, UFRGS/1985. É colunista do Segundo Caderno do Jornal Zero Hora. Integra o grupo musical os poETs. Saiba mais, aqui!
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08 de Junho de 2009 | 18:59
CONVERSA DE BAR: TATIANA SALEM LEVY 
Na mesa do bar Pangeia, durante o Festival da Mantiqueira, Tatiana contou as mudanças ocorridas desde o resultado do prêmio.
Por Ramon Mello
Em dezembro de 2007, Tatiana Salem Levy estreou com A chave de casa (Record). Tímida, lançando o primeiro romance, Tatiana concedeu sua primeira entrevista no Brasil, bebendo água mineral na mesa de um café no Leblon, no Rio de Janeiro. Passado algum tempo, a escritora foi premiada na primeira edição do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Livro de Autor Estreante – 2008.
A narrativa do romance é costurada por ficções e episódios autobiográficos. A narradora, neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição – tal como os pais fugiram para Lisboa por motivos diferentes. Tatiana, na busca das memórias familiares, tem carregado os leitores na sua viagem em busca de si própria. Impossível, não acompanhá-la.
Por que a atração pela memória?
"Porque acredito que viagens e memórias podem dar ‘pano para manga’. A questão da imigração sempre foi muito presente na minha casa. Em algum momento eu achei que tinha que recontar essa história, para poder viver a minha história. Acho que é uma história minha, mas muitas pessoas têm histórias parecidas. E também acredito que há memórias que nascem com a gente. Por exemplo, eu não conheci meus avós.", confidenciou a autora em entrevista ao blog Clickinversos.
Desde então, Tatiana tem viajado muito para falar sobre sua escrita. O que mudou? A timidez da escritora está muito mais branda devido às freqüentes entrevistas e mesas de debates que tem participado. Na mesa do bar Pangeia, em São Francisco Xavier, durante o Festival da Mantiqueira – acompanhada de Flávio Carneiro, Cecilia Giannetti, Tiago Novaes, Wesley Peres e Otávio Júnior –, Tatiana contou as mudanças ocorridas desde o resultado do prêmio.
Você ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance de estréia, A chave de casa. Mas na época do lançamento do livro você recebeu uma crítica negativa no Prosa & Verso. Como tem sido essa mudança?
Tatiana Salem Levy - Em primeiro lugar, é bom falar que antes do prêmio também saíram críticas positivas em outros espaços como no Estadão e na revista Bravo. Ganhei muito mais visibilidade com o prêmio, que foi importante para estimular o trabalho.
O romance será lançado em outros países?
TSL - Sim. Haverá uma publicação na França e na Espanha. E vendi os direitos para o cinema.
Quem é o diretor?
TSL - Toniko Melo, um jovem cineasta da produtora O2.
Quantos exemplares do livro A chave de casa já foram vendidos?
TSL - A última vez que eu soube, estava na faixa de cinco mil exemplares vendidos. Vendi mil livros na época do lançamento e os quatro mil após o prêmio.
O escritor Cristovão Tezza, ganhador de quase todos os prêmios literários do Brasil em 2008, na mesa que reuniu os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, disse que se ele tivesse 30 anos talvez ficasse deslumbrado com os prêmios. Você tem exatamente 30 anos, ficou deslumbrada com o resultado?
TSL - Fiquei, mas só nos dois primeiros meses. Acho que se eu tivesse 20 anos eu ficaria deslumbrada mais tempo. Depois, tive um momento que eu não queria ver ninguém. Não escrevo para ganhar prêmios ou para aparecer nos jornais. Minha relação com a literatura é muito mais profunda, secreta e silenciosa. Literatura nada tem a ver com mídia. Claro que quero ser lida, todo escritor quer leitores. Mas não quero ter esse compromisso com a mídia.
O que pensou em fazer com o prêmio?
TSL - Em viajar, comprar uma casa no campo. [risos] Adoro viajar.
Você viajou depois da premiação?
TSL - Muito. Mas a trabalho. Só descansei depois que fui para Angra, uma única vez. Quero ficar quieta descansando e escrevendo, sem responder e-mails.
Você era mais tímida.
TSL – Verdade. É que eu me acostumei em falar em público. Está falando isso porque foi a primeira pessoa que me entrevistou... [risos]
E a relação com a crítica e a imprensa?
TSL - Conquistei um espaço maior, o que tem sido muito bom.
Tem conseguido tempo para escrever?
TSL - Agora tento arranjar tempo, mas estou me organizando. Surgiram vários convites para festivais de literatura, palestras, oficinas...
Já pensa em outro livro?
TSL – Sim.
Qual o nome?
TSL - Não vou falar. [risos] Não quero criar mais expectativas. Já falei sobre o assunto e não deu certo.
>>> Tatiana Salem Levy estará na FLIP 2009, no dia 02 de julho, ao lado dos escritores Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues, na mesa Verdades Inventadas, mediada pela crítica literária Beatriz Resende. Confira a programação completa, aqui!
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04 de Junho de 2009 | 19:48
11° SALÃO FNLIJ 
O evento acontece no Rio de Janeiro de 10 a 21 de junho no Centro Cultural Ação da Cidadania
Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil
O Salão FNLIJ do Livro para crianças e jovens está recheado de atividades, como leituras de livros de qualidade, performances de ilustradores, lançamentos de livros, bate-papo com escritores e ilustradores, exposições etc. Estão programados mais de 150 lançamentos de livros, com a presença de aproximadamente 140 autores e muitas atividades de incentivo à leitura.

Nomes consagrados que ajudaram a inscrever a Literatura Infantil e Juvenil brasileira entre as melhores do mundo já confirmaram presença no evento, entre eles:
Adriana Falcão, Ana Maria Machado, André Neves, Bartolomeu Campos de Queirós, Bia Bedran, Carlos Heitor Cony, Eva Funari, Fernando Vilela, Graça Lima, Guto Lins, Ivan Zigg, Júlio Emílio Brás,Karen Acioly, Luciana Savaget, Luiz Antônio Aguiar, Lygia Bojunga, Mariana Massarani, Marina Colasanti, Nilma Lacerda, Odilon Moraes, Pedro Bandeira, Roger Mello, Rogério Andrade Barbosa, Rosana Murray, Rui de Oliveira, Ruy Castro e Ziraldo.
França é o país homenageado
A maratona literária entra na agenda das comemorações do Ano da França no Brasil, com a Caravana de Escritores Franceses no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, que traz a participação de cinco autores e ilustradores franceses, todos já editados no Brasil, especialistas em Literatura Infantil e Juvenil para participar do 11º Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil, além de exposições de ilustrações francesas no estande do país homenageado.
Entre os nomes confirmados estão: Dorothée de Monfreid, Gilles Eduar, Nathalie Beaux, Olivier Douzou, Timothée de Fombelle e Vicent Cuvellier.
O 1º dia do Salão FNLIJ é exclusivo para o professor
O dia 10 de junho é dedicado exclusivamente aos professores do ensino fundamental e médio das redes pública e privada. Nesse dia, os professores participam de visitas guiadas por um especialista ou professor da FNLIJ para conhecer as 70 editoras que expõem no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens as novidades do mercado editorial voltadas para esse público, participar de um encontro com autor e ilustrador, além de toda a estrutura do evento.
Destaque na Larousse, estandes 12 e 13 :
12/06 - 16h - Rosinha Campos - Companheiro!/Quem sou eu? - Que frio!/Só mais um poquinho
13/06 - 15h -Georgina Martins - Ave do paraíso
14/06 - 16h - Anna Cláudia Ramos - O menino das águas, a menina dos ventos
15/06 - 13h - Hermes Bernardi Jr. - O emaranhado da maçaroca
17/06 - 16h - Ninfa Parreiras - O menino no beco da pipa
Centro Cultural da Ação da Cidadania
A mudança do Salão FNLIJ do MAM (Museu de Arte Moderna) para o Centro Cultural da Ação da Cidadania, na região do Cais do Porto do Rio de Janeiro, visa oferecer mais espaço para a atividade de leitura e conforto ao público que vem crescendo a cada ano. Em 2008, o número de visitantes aumentou em 35%, comparado à edição anterior.
Serviço:
Endereço: Av. Barão de Tefé, 75, Saúde, RJ - Zona Portuária
Horário: segunda a sexta, das 8h30 às 18h; sábados, domingos e feriado, das 10h às 20h
Ingresso: R$ 3,00
Tel: (21) 2233-7460 / 2253-8177
Gratuidade para maiores de 65 anos, portadores de deficiência, professores da rede municipal e instituições que trabalham com crianças e jovens de comunidades de baixa renda, pré-agendadas com a FNLIJ.
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04 de Junho de 2009 | 12:55
CALCANHOTTO FAZ SHOW DE ABERTURA DA FLIP 
A cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto, que lançou em 2008 o livro Saga Lusa (Cobogó), fará a abertura da Flip no dia primeiro de julho
A cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto, que lançou em 2008 o livro Saga lusa (Cobogó), fará a abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) no dia primeiro de julho.

A venda dos ingressos começou na última segunda, 01. de julho, no site do Ingresso Rápido.
>>> Programação completa da FLIP:
01/07 - QUARTA-FEIRA
19h - Conferência de abertura- Davi Arrigucci Jr.
Poucos estudiosos da literatura no Brasil escreveram sobre Manuel Bandeira com o brilho de Davi Arrigucci Jr. Capaz de aliar a leitura cerrada dos versos do poeta aos movimentos mais amplos do modernismo no país, Arrigucci Jr. é autor de ensaios incontornáveis sobre Bandeira, tais como "Humildade, paixão e morte" ou "A beleza humilde e áspera". É o procedimento de leitura desses textos clássicos que serve de base para a conferência de abertura que o crítico e escritor faz em Paraty.
21h30 – Show
Adriana Calcanhotto com abertura de Romulo Fróes e banda
02/07 - QUINTA-FEIRA
10h - Mesa 1 - Novos traços
Rafael Coutinho, Rafael Grampá, Fábio Moon e Gabriel Bá
Raras vezes a produção de quadrinhos foi tão intensa no Brasil. Na trilha aberta por pioneiros como Larte e Angeli, esses jovens artistas têm flertado com a literatura e levado os quadrinhos brasileiros a um novo patamar de complexidade – alguns já venceram os prêmios mais prestigiosos da categoria, tanto no Brasil como no exterior. A primeira mesa da Flip pretende ser um retrato desse ótimo momento e apresentar para o grande público os nomes-chave dessa geração.
Mediação: Joca Reiners Terron
11h45 - Mesa 2 - Separações
Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira
Outra vida, livro mais recente do escritor carioca Rodrigo Lacerda, examina a fundo um relacionamento amoroso em crise. Nesta mesa em Paraty, Rodrigo conversa com um dos artistas que exploraram com mais interesse o assunto no Brasil: o dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira, diretor de Todas as mulheres do mundo e Separações, entre outros filmes.
Mediação: Paulo Roberto Pires
15h - Mesa 3 - Verdades inventadas
Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues
Em Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues, a história da jovem morta pelo partido comunista serve de guia para um experimento ficcional ousado e bem urdido. Em Os irmãos Karamabloch, Arnaldo Bloch vale-se da história de sua família, fundadora da Rede Manchete, para compor um livro em que convivem traços de biografia, romance e memorialismo. Os três elementos também se fazem presentes em A chave de casa, premiado livro de estreia da carioca Tatiana Salem Levy.
Mediação: Beatriz Resende
17h - Mesa 4 - China no divã
Ma Jian e Xinran
Ma Jian, em Pequim em coma, remexeu em uma ferida delicada da história recente da China: o massacre da Praça da Paz Celestial, que completa vinte anos em 2009. Já a jornalista Xinran foi buscar cicatrizes mais antigas: seu livro mais recente, Testemunhas da China, traz relatos de sobreviventes da revolução cultural liderada por Mao Tse-tung, que matou em torno de um milhão de pessoas entre 1966 e 1976. Num caso como noutro, estão expostos os pontos cegos da nação que deve liderar a economia do século xxi.
Mediação: Angel Gurría-Quintana
19h - Mesa 5 - Deus, um delírio
Richard Dawkins em conversa com Silio Boccanera
Nem precisaria ser no ano em que se completam duzentos anos do nascimento de Charles Darwin e 150 da publicação de seu livro mais importante, A origem das espécies. Mas a efeméride acrescenta um toque a mais à presença em Paraty de um dos darwinistas mais influentes em atividade no mundo, autor de O gene egoísta e Deus, um delírio.
03/07 - SEXTA-FEIRA
10h - Mesa 6 - Evocação de um poeta
Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas
O maior indício da perenidade de um autor é sua influência sobre as gerações seguintes. Nesse quesito, poucos podem rivalizar com Manuel Bandeira, referência inescapável desde as primeiras manifestações do modernismo no Brasil. Nesta mesa, três nomes de destaque da nova poesia brasileira discutem a atualidade do poeta.
Mediação: Paulo Henriques Brito
11h45 - Mesa 7 – O avesso do realismo
Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho
No trabalho de Bernardo Carvalho e de Atiq Rahimi invenção e experimentalismo falam mais alto do que as aspirações à prosa realista. Ambos não abrem mão da imaginação e do artifício como pilares da literatura – e levam ao limite a exploração das possibilidades abertas pela criação literária. Esse é apenas um entre os diversos pontos de partida para o debate entre os dois em Paraty.
Mediação: Beatriz Resende
15h - Mesa 8 - Sentidos da transgressão
Edna O’Brien em conversa com Liz Calder
No início dos anos 1960, a irlandesa Edna O’Brien teve exemplares de seu livro Country girls queimados pela comunidade religiosa local, incapaz de aceitar que a vida sexual das personagens fosse descrita com tanta crueza. Desde então, compôs uma obra densa e multifacetada, marcada pelo confronto com o conservadorismo da Igreja Católica, pela luta em favor da autonomia feminina no meio artístico e pela análise da obra de um de seus mentores literários, James Joyce.
17h - Mesa 9 - O eu profundo e outros eus
Mario Bellatin e Cristovão Tezza
Professor de uma escola de escritores no México,Mario Bellatin admite tudo – menos que o candidato a ficcionista inspire-se na própria vida para criar sua história. Um dos mais premiados autores brasileiros dos últimos anos, Cristovão Tezza fez exatamente isso em O filho eterno, e ninguém ousará dizer que não foi bem-sucedido. Qual, enfim, o papel da experiência pessoal na literatura? Eis o mote para a discussão entre os dois autores.
Mediação: Joca Reiners Terron
19h - Mesa 10 - Sequências brasileiras
Chico Buarque e Milton Hatoum
Em Leite derramado, Chico Buarque criou um narrador que personifica a desfaçatez da classe dominante brasileira. Em suas reminiscências delirantes, ecoam lembranças de família e uma visão ácida sobre a formação do país. Na obra de Milton Hatoum, reminiscência e memória familiar são igualmente uma pedra angular – mas que enquadram o país sob as lentes da presença árabe na Amazônia. O Brasil na visão desses dois grandes prosadores é o tema da mesa que eles compartilham em Paraty.
Mediação: Samuel Titan Jr.
04/07 - SÁBADO
10h - Mesa 11 - O dissonante século xx
Alex Ross em conversa com Arthur Dapieve
Crítico de música erudita da revista New Yorker, Alex Ross fala sobre O resto é ruído (2007), recém-lançado no Brasil. O livro foi um dos maiores acontecimentos da crítica musical dos últimos anos nos Estados Unidos. Com raro fôlego, tino literário e consciência histórica apurada, Ross mescla a análise formal das obras dos principais compositores eruditos do século xx aos momentos políticos decisivos do período.
11h45 - Mesa 12 - Entre quatro paredes
Sophie Calle e Grégoire Bouillier
Em Prenez soin de vous, exposição que representou a França na Bienal de Veneza de 2007 e que acontece em São Paulo em julho, Sophie Calle exibe a reação de 107 mulheres à carta de rompimento recebida de um ex-namorado. O escritor francês Grégoire Bouillier, autor de L’invité mystére, é o ex-namorado em questão. Pela primeira vez eles aparecem em público para discutir o episódio e embaçar ainda mais as fronteiras entre vida privada e vida pública, entre vivência pessoal e ficção.
Mediação: Angel Gurría-Quintana
15h - Mesa 13 - Segredos de família
Anne Enright e Tobias Wolff
Não é por acaso que a irlandesa Anne Enright e o americano Tobias Wolff já dividiram mesas em festivais pelo mundo afora: são muitas as afinidades entre as obras deles. Além da maestria no formato da narrativa curta, ambos têm na família fraturada um universo temático recorrente, de que é exemplo o irmão suicida em O encontro, de Enright, ou o padrasto violento no autobiográfico O despertar de um homem, de Wolff.
Mediação: Liz Calder
17h - Mesa 14 - Fama e anonimato
Gay Talese em conversa com Mario Sergio Conti
Gay Talese é um dos inventores do jornalismo contemporâneo – e ao mesmo tempo a encarnação dos dilemas da profissão. O autor responde por alguns dos textos mais precisos e bem costurados já feitos por um repórter, caso de “Frank Sinatra está resfriado”, de 1966. Em tempos de crise do jornalismo impresso, Talese representa um modelo de jornalista tão necessário quanto inatingível. Essa tensão entre o jornalismo de excelência que ele ajudou a criar e o jornalismo possível no século xxi é o centro de sua conversa com o jornalista brasileiro Mario Sergio Conti.
19h - Mesa 15 - Escrever é preciso
António Lobo Antunes em conversa com Humberto Werneck
O português António Lobo Antunes é autor de mais de vinte romances, que em conjunto o situam entre os maiores estilistas da língua. Apesar do idioma comum a Portugal e Brasil, o autor não vem ao país desde 1983 e já declarou que não incluía o Brasil entre suas prioridades – preferia deixá-lo para o antípoda José Saramago. Este evento em Paraty vem corrigir a lacuna. Polemista contumaz e avesso a aparições públicas, Lobo Antunes conversa sobre essa e outras dimensões de sua trajetória.
05/07 - DOMINGO
11h30 - Mesa 16 – As sem-razões do amor
Catherine Millet em conversa com Maria Rita Kehl
Em 2001, a crítica de arte francesa Catherine Millet fez de sua vida sexual movimentada o tema de um livro – e sacudiu as hostes conservadoras na Europa e nos Estados Unidos. Em 2008, publicou um livro que é o reverso do primeiro: um relato de como foi dominada pelo ciúme ao saber das aventuras sexuais do marido. Nessa mesa em Paraty, ela discute sua trajetória literária incomum com a psicanalista Maria Rita Kehl.
14h30 - Mesa 17 – O futuro da América
Simon Schama em conversa com Lilia Moritz Schwarcz
O futuro da América, livro mais recente do historiador inglês Simon Schama, revê a história dos Estados Unidos a partir dos temas da guerra, da religião, da imigração e da fartura. Os protagonistas são personagens comuns que atravessam momentos-chave da história do país – atores da “história narrativa” de que Schama é um dos mais notórios praticantes no mundo. Sobre esse trabalho, Schama conversa com a historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz – um dos nomes fortes dessa corrente historiográfica no Brasil.
16h15 - Mesa 18 - Antologia pessoal
Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura
A memória afetiva é o mote desta mesa que encerra a homenagem a Manuel Bandeira. Amigo e correspondente do poeta, o professor Edson Nery da Fonseca relembra os anos de convivência no Rio e em Pernambuco. Ex-aluno de Bandeira, Zuenir remonta aos tempos de aprendizado com o mestre. Na mediação, o jornalista Humberto Werneck, biógrafo de Jaime Ovalle e bandeiriano de primeira linha.
Mediação: Humberto Werneck
18h - Mesa 19 - Livro de cabeceira
Autores da Flip leem trechos de seus livros prediletos
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31 de Maio de 2009 | 15:34
II PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 
Conheça os finalistas que concorrem ao prêmio de R$ 200 mil
Por Bruno Dorigatti
No sábado à noite, foram indicados os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 nas duas categorias, Melhor Livro do Ano de 2008 e Melhor Livro do Ano - Autor Estreante 2008. O prêmio, a maior remuneração entre todos os de língua portuguesa - R$ 200 mil para cada um dos vencedores - teve 217 livros inscritos, 117 deles entre os de autor estreante. Em sua primeira edição, premiou O filho eterno (Record), de Cristóvão Tezza, e A chave de casa (Record) Tatiana Salem Levy.
Confira todos os finalistas.
Melhor Livro do Ano (de 2008)
Carola Saavedra, Flores azuis (Companhia das Letras)
João Gilberto Noll, Acenos e afagos (Record)
José Saramago, A viagem do elefante (Companhia das Letras)
Lívia Garcia-Roza, Milamor (Record)
Maria Esther Maciel, O livro dos nomes (Companhia das Letras)
Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras)
Moacyr Scliar, Manual da paixão solitária (Companhia das Letras)
Ronaldo Correia de Brito, Galiléia (Alfaguara / Objetiva)
Silviano Santiago, Heranças (Rocco)
Walther Moreira Santos, O ciclista (Autêntica)
Melhor Livro do Ano - Autor Estreante (de 2008)
Altair Martins, A parede no escuro (Record)
Contardo Calligaris, O conto do amor (Companhia das Letras)
Estevão Azevedo, Nunca o nome do menino (Terceiro Nome)
Francisco Azevedo, O arroz de palma (Record)
Javier Arancibia Contreras, Imóbile (7Letras)
Marcus Vinicius de Freitas, Peixe morto (Autêntica)
Maria Cecília Gomes dos Reis, O mundo segundo Laura Ni (Editora 34)
Rinaldo Fernandes, Rita no pomar (7Letras)
Sérgio Guimarães, Zé, Mizé, camarada André (Record)
Vanessa Barbara e Emilio Fraia, O verão do Chibo (Alfaguara / Objetiva)
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Sonia 28 de Julho de 2009 | 20:48
Sou diretora de uma escola pública na zona oeste do RJ.
Estamos inaugurando as atividades em nossa sala de leitura ,para crianças do 1º ao 5º ano.
Já fazemos rodas de leitura,hora do conto , jornalzinho escolar....Agora, queremos incluir nossos alunos no mundo virtual. Para isso , gostaríamos de contar com a ajuda preciosa de autores , escritores com os quais eles pudessem trocar mensagens.
Idéias e sugestões também são bem vindas...
Desde já agradeço sua atenção.
Sonia (sonivig@bol.com.br)
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31 de Maio de 2009 | 15:30
INSTANTÂNEOS DO II FESTIVAL DA MANTIQUEIRA 
Veja algumas imagens exclusivas da festa literária de São Francisco Xavier
Fotos de Ricardo Daumas
Livraria Saraiva ficou lotada durante os dois dias de evento.


Flávio Carneiro, Luiz Alfredo Garcia-Roza e Luis Fernando Verissimo recebem os leitores na Livraria Saraiva.


Verissimo foi o autor que mais vendeu e autografou livros no festival.

Os ganhadores do I Prêmio São Paulo de Literatura: Cristovão Tezza (que não largou sua máquina um minuto) fotografa Tatiana Salem Levy.



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31 de Maio de 2009 | 15:04
LITERATURA POLICIAL - 200 ANOS DE EDGAR ALLAN POE 
Luis Fernando Verissimo, Luiz Garcia-Roza e Flávio Carneiro falaram do romance policial e de seu principal nome
Por Bruno Dorigatti
Foto de Cintia Sanchez / Divulgação
A segunda mesa na Tenda Principal tratou do romance policial e seu principal artífice, a figura que definiu e inspirou todas as histórias que tratam de crimes, assassinatos, mistérios e estranhezas e não se enquadram nas estórias fantásticas e sobrenaturais que buscam sua explicação no além. Edgar Allan Poe surge em um momento onde o racionalismo científico passa a ser um objetivo e uma finalidade, o caminho pelo qual tudo poderia ser explicado através da investigação que deveria seguir um mesmo roteiro para desvendar estas estranhezas, agora não mais sobrenaturais, passíveis de explicação, reveladas pelo policial ou detetive cerebral. O primeiro parágrafo do conto "Os assassinatos da Rua Morgue", é uma declaração de princípios e o estabelecimento de modelos para seus seguidores onde a razão é levada aos extremos, para além dos limites dela mesma:
"As faculdades do espírito, denominadas analíticas, são , em si mesmas, bem pouco suscetíveis de análise. Apreciamo-las somente em seus efeitos. O que delas sabemos, entre outras coisas, é que são sempre, para quem as possui em grau extraordinário, fonte do mais intenso prazer. Da mesma forma que o homem forte se rejubila com suas aptidões físicas, deleitando-se com os exercícios que põem em atividade seus músculos, exultam os analistas com essa atividade espiritual, cuja função é
destrinchar enredos. Acha prazer até mesmo nas circunstâncias mais triviais desde que ponham em jogo seu talento. Adora os enigmas, as advinhas, os hieróglifos, exibindo nas soluções de todos eles um poder de "acuidade", que, para o vulgo, toma o aspecto de coisa sobrenatural. Seus resultados, alcançados apenas pela própria alma e essência, têm, na verdade, ares de intuição."
Este cientifismo busca obsessivamente a clareza no lugar da ambigüidade dos fatos, embora seja Poe também quem tenha afirmado que "a essência de todo crime permanece irrevelada". Mas a verdade é ou tem que ser necessariamente cristalina? Ou não seria feita de luz e sombras, que nunca se tornaria plenamente iluminada? O silêncio é tão constitutivo da fala quanto o que é dito e não podemos esquecer que o assassinato não se resume em saber quem matou, sendo este é apenas o ponto de partida.
Flávio Carneiro considera o parágrafo acima emblemático, quando Poe cria o detetive que é a máquina de pensar. "O sobrenatural explicado no final, que recupera sua naturalidade e se torna apenas estranhos, e seguem o método de observação, dedução e abdução. O que interessa aqui é o jogo da leitura que o narrador estabelece, nada confiável, espalhando pistas falsas pelo caminho. Ele sempre joga com as dúvidas, com uma possível leitura da trama, entre tantas outras. Poe escrevia de trás pra frente, sabendo já o efeito final a ser causado".

Luis Fernando Verissimo começou comentando a sua propalada pouco eloqüência, dizendo que, na verdade, não é ele que fala pouco, mas os outros que falam muito. Em seguida, falou de seus romances policiais, sejam eles paródias do gênero, como Ed Mort, o detetive subdesenvolvido que tropeça na própria incompetência ou na falta de sorte e produz momentos hilários inspirados nas clássicas histórias de Arthur Conan Doyle - o criador da clássica figura de Sherlock Holmes -; ou romances policiais strictu sensu, como O jardim do diabo (Objetiva), Gula (Objetiva) e Borges e os orangotangos eternos (Companhia das Letras) influenciados por Poe e Agatha Christie. Poe é um autor dos mais importantes para o argentino Jorge Luis Borges, que escrevia contos inspirados no escritor norte-americano e tinha particular interesse pelos jogos de espelhos e duplos. Atualmente, Verissimo trabalha em mais um romance policial, com o título provisório de Os espiões.
Auto-intitulando-se um ficcionista tardio - começou a escrever romances policiais aos 60 anos, após 40 anos deddicados às aulas de filosofia e teoria psicanalítica -, Luiz Alfredo Garcia-Roza falou de seus nove livros, oito deles protagonizados pelo detetive e delegado Espinosa, às voltas com crimes ambientados no Rio de Janeiro e, particularmente, em Copacabana. "Não tinha experiência prévia como autor de ficção, mas sempre fui um grande leitor de Conan Doyle, Chandler, Hammett, dos ingleses e franceses".
Segundo Garcia-Roza, a vantagem da escrita teórico-conceitual é que já existe um caminho preestabelecido a ser trilhado, como os textos de Freud no caso, por exemplo. "Isto dá um certo conforto, o escritor está amparado. Na ficção, o escritor fica desemparado, é um salto no escuro. Felizmente, fui bem aceito com o meu primeiro livro, Silêncio na chuva (Companhia das Letras), o que me abriu caminho para os outros. Tenho nove livros publicados em um tempo relativamente curto, dez anos, o que faz de mim um apressado. Quem começa aos 20 anos, tem a vida pela frente pode errar, tem tempo para melhorar. Já eu tenho pressa, meu tempo de vida útil pensante é menor."
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