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12 de Março de 2010 | 17:07
 

Cartunista Glauco Villas-Boas e seu filho são mortos em São Paulo   

O estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, é o principal suspeito

Baleados com quatro tiros cada um, o cartunista Glauco Villas-Boas, de 53 anos, e seu filho mais velho, Raoni Ornellas Pires Villas-Boas, de 25 anos, morreram antes de chegar ao Hospital Albert Sabin, na Lapa, na Zona Oeste de São Paulo.

Os corpos do cartunista Glauco e do filho dele, o universitário Raoni, serão enterrados neste sábado, 13 de março, no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, em Osasco, São Paulo.

A família morava num lugar afastado, numa comunidade de apenas dez casas próxima à área de preservação do Pico do Jaraguá, em Osasco, na Grande São Paulo. O local abriga também a sede da igreja Céu de Maria, fundada por Glauco e frequentada por adeptos do Santo Daime, religião que usa em seus rituais um chá alucionógino.

Os assaltantes teriam tentado fazer um sequestro relâmpago, levando o cartunista como refém. Eles estariam saindo da casa no momento em que Raoni chegava, voltando da faculdade. Ao ver o pai ensanguentado, o rapaz teria tentado negociar com os ladrões, que reagiram atirando.

A polícia suspeita de um ex-frequentador da igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista. O estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, é o principal suspeito do assassinato. Para o advogado da família, foi uma tentativa de assalto.

O cartunista é autor de uma família de tipos como Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge e Geraldinho.







 
 
11 de Março de 2010 | 19:59
 

FLIP 2010   

O britânico Terry Eagleton confirma presença na Festa Literária Internacional de Paraty

O crítico literário britânico Terry Eagleton é o mais novo convidado a confirmar FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty -, que acontece de 04 a 08 de agosto de 2010.

A obra de maior destaque do autor é  Teoria da Literatura: uma introdução , que traça a história do estudo de textos contemporâneos, desde os românticos do século 19 até os autores pós-modernos.

Em seu ultimo livro publicado no Brasil pela Editora Record, Em Depois da Teoria (2003), o autor analisa a inter-relação entre o intelecto e a vida cotidiana.

Além de Eagleton, estão confirmadas, na Flip 2010, as presenças do irlandês Colum McCann, do israelense Abraham B. Yehoshua, do britânico William Boyd e do indiano Salman Rushdie.


 




 
 
10 de Março de 2010 | 19:16
 

Prêmio Jabuti    

Na 52ª edição do Jabuti os internautas ganham participação relevante

Em 2010, o público poderá votar pela internet e os três livros mais votados ganham o Prêmio Jabuti. E também poderá ganhar um Jabuti o profissional de comunicação que se destacar por sua atuação pela causa do livro e da leitura.

Para participar, o livro deve ter sido editado no Brasil entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2009. A inclusão de uma nova categoria, implementada no ano passado, para homenagear obras de outros países traduzidas para a nossa língua vai ser repetida.

Editoras, escritores, autores independentes, tradutores, ilustradores, produtores gráficos e designers podem inscrever suas obras até o dia 31 de maio.

Mais informações site do Prêmio Jabuti.




 
 
09 de Março de 2010 | 13:53
 

Editora Saraiva vai lançar livros de ficção e não ficção   

Nova editora deve lançar, até o final do ano, ao menos 65 títulos nos dois segmentos

Poucos meses após a ruidosa chegada da portuguesa Leya ao mercado editorial brasileiro, a Editora Saraiva sinaliza a entrada na competição por obras de ficção e não ficção. Com a diferença de que a "nova" empresa já está há quase um século no Brasil, como livraria e editora, informa Raquel Cozer, d' O Estado de S. Paulo.

Líder na oferta de títulos jurídicos e uma das maiores em didáticos, com 22 milhões de exemplares vendidos em 2009, a Editora Saraiva quer conquistar a partir deste mês espaço no varejo - um mercado em expansão.

A Editora Saraiva lançará, até o final do ano, ao menos 65 títulos de ficção. A entrada se dará com obras que frequentam listas de best-seller nos EUA e "livros de filmes", publicados na esteira de estreias cinematográficas e com cenas de longas nas capas, método bastante adotado também pela editora Record. "Um acordo de franchising com as americanas Disney e Dreamworks abrirá caminho para as obras oficiais, com bastidores da produção e história ilustrada, da animação Como Treinar o Seu Dragão, ainda neste mês, e de Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, entre outros", escreve Cozer. 

Embora a livraria do grupo esteja prestes a lançar um ambicioso sites de download de livros, os lançamentos digitais devem sair com alguns meses de atraso em relação às obras em papel, afirma Thales Guaracy, diretor editorial contratado no fim do ano passado para coordenar esse trabalho, na entrevista ao Estadão.




 
 
08 de Março de 2010 | 13:31
 

Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens?   

Presidente da Primavera Editorial, Lourdes Magalhães, analisa os avanços e a inclusão feminina nos ambientes culturais e corporativos

*Lourdes Magalhães

                  
                  Crédito: Michele Mifano

“Mulher, você vai gostar, tô levando uns amigos pra conversar…” No centenário do Dia Internacional da Mulher, provavelmente a personagem de Chico Buarque, na divertida “Feijoada completa”, nem estaria em casa para recepcionar a trupe de amigos do marido. Ela estaria ocupada, desenvolvendo mil projetos no trabalho ou consumindo cultura. Brincadeiras à parte, dados estatísticos mostram os avanços e a inclusão feminina nos ambientes culturais e corporativos. As mulheres leem mais no Brasil, como demonstra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. Os dados revelam que 55% dos leitores brasileiros são mulheres – elas consomem, em média, 5,3 livros por ano contra os 4,7 livros anuais lidos pelos homens. Um outro estudo, conduzido pelo Instituto QualiBest, revelou que as mulheres internautas também leem mais: 55% leem pelo menos um livro por mês contra 42% dos homens. Nessa pesquisa, 65% afirmaram que leem por prazer, sendo ficção e romance os gêneros preferidos.

Mas, como não posso pecar pelo ufanismo, adianto que esse não é um fenômeno brasileiro. Pesquisas internacionais comprovam que as mulheres consomem mais cultura, ou seja, leem mais literatura de qualidade; assistem mais peças teatrais e filmes; visitam museus e exposições; e são maioria nas plateias de espetáculos de dança. Como se não bastasse, elas ocupam a maioria das cadeiras nos cursos de humanidades. Na Europa e Estados Unidos, por exemplo, superam os homens na leitura de ficção.

Em viagem recente a Paris para participar de encontros com autores, tive acesso – pela leitura de jornais e conversas informais com escritores franceses – a relatórios do governo francês que analisam dados de pesquisas realizadas entre 1973 e 2003 sobre a relação feminina com a cultura. Em 1973, por exemplo, 72% dos homens franceses leram um livro em 12 meses; em 2003 esse índice caiu para 63%. Entre as mulheres, o índice subiu de 68% (1973) para 74% (2003). Essa constância no crescimento do consumo cultural feminino ultrapassou o status de tendência para consolidar a permanência.

Um dado interessante que consta nesse compêndio de pesquisas sob o título “A fábrica sexual do gosto cultural” é que a participação feminina no consumo de cultura é mais significativo na faixa dos 40 anos – idade, na Europa, de jovens mães – que dão ênfase à educação cultural das meninas. Não à toa, uma pesquisa com três mil famílias mostrou que meninas entre seis anos e 14 anos leem mais que os meninos da mesma idade; sendo que 38% têm no cotidiano atividades culturais e artísticas como cursos de balé, teatro e pintura, contra 20% dos garotos.

No Brasil, a queda no analfabetismo indica que temos um longo caminho pela frente, mas que avançamos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 1991 e 2001 a taxa de analfabetismo caiu de 20,1% para 13,6% da população. No tocante à escolaridade assistimos à ascensão feminina contínua, um processo de inclusão educacional muito relevante porque tem reflexos na participação feminina nos melhores postos de trabalho do País. Em 2007, entre os brasileiros com mais de 12 anos de estudo – inseridos, portanto, no nível superior de ensino – 57% são mulheres. A projeção do IBGE é que a cada 100 pessoas com 12 anos ou mais de estudo, 56,7% são mulheres e 43,3% homens. Em 2009, de acordo com a empresa internacional Great Place to Work, 43% dos postos de trabalho das 100 “Melhores Empresas para Trabalhar – Brasil” são ocupados por mulheres; elas estão em 36% dos postos de liderança, inclusive na presidência de empresas.

Voltando ao título que motiva este artigo – “Por que as mulheres, brasileiras ou francesas, leem mais que os homens? – antes que alguém evoque a maior sensibilidade feminina para as artes, o hipotético “tempo de sobra” ou argumentos similares, recorro novamente ao estudo francês. Quando questionados no estudo sobre o que estão fazendo nos momentos de lazer, homens e os meninos revelam: dedicam mais tempo à televisão – especialmente programas de esportes –, acessam a internet e convidam os amigos para jogar videogame.


* Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial. Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA). Com experiência como consultora por 20 anos, a executiva atua no mercado editorial nacional e internacional desenvolvendo parcerias e contratos com agentes literários na avaliação de obras para a compra de direitos autorais, além de participar ativamente de feiras internacionais do setor. Lourdes Magalhães atuou em editoras consideradas referência no mercado como Ática, Scipione, Grupo Abril e Editora Brasiliense.

Ilustração: Jonathan Burton




 
 
08 de Março de 2010 | 00:52
 

POESIA DE DOMINGO   

A POESIA, de Francisco Alvim








Houve um tempo
em que Schmidt e Vinicius
dividiam as preferências
como maior poeta do Brasil.
Quando, por unanimidade ou quase,
nesse jogo tolo
de se querer medir tudo,
Drummond foi o escolhido, 
ele comentou:
alguém já mediu
com a fita métrica
para saber se de fato sou
o maior poeta?

Estava certo, 
Pois a poesia
quando ocorre
tem mesmo a perfeição
do metro -
nem mais
nem menos
- só que de um metro nenhum
um metro de nadas


[in Boa Companhia - Poesia. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2003.]
 




 
 
06 de Março de 2010 | 19:31
 

Lêdo Ivo é premiado na Espanha   

Poeta é laureado com Prêmio Rosalía de Castro pelo conjunto da obra

O poeta e acadêmico Lêdo Ivo recebe o Prêmio Rosalía de Castro, na Espanha. O Prêmio, atribuído pelo Pen Clube da Galícia, se destina a laurear o conjunto da obra de escritores e poetas representativos das línguas castelhanas, catalã, basca e portuguesa, cujas obras foram difundidas na Espanha.

O jornalista e poeta teve três dos seus livros publicados pelas editoras Calambur Editorial (Madri) e Vaso Roto (Barcelona). Entre seus livos, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.

Lêdo Ivo é membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.




 
 
05 de Março de 2010 | 13:51
 

Ferreira Gullar é homenageado na Casa do Saber   

O poeta maranhense, celebrado por Antonio Carlos Secchin e Adriana Calcanhotto, lê poemas do livro inédito

Ao lado Antonio Carlos Secchin e Adriana Calcanhotto, o poeta Ferreira Gullar participou da homenagem organizada pela Casa do Saber do Rio de Janeiro para celebrar seus 80 anos de vida.

Com o auditório lotado, o diretor da Casa do Saber, Armando Strozenberg, iniciou a celebração dando boas-vindas aos convidados e afirmando que Gullar o “ensinou que a vida sem arte não existe”. Em seguida, dedilhando o violão, Adriana Calcanhotto cantou o poema ‘Traduzir-se’, do livro Na Vertigem do Dia, de Gullar:

Uma parte de mim / é todo mundo: / outra parte é ninguém: / fundo sem fundo // Uma parte de mim / é multidão: / outra parte estranheza / e solidão. // Uma parte de mim / pesa, pondera: / outra parte / delira. // Uma parte de mim / almoça e janta: / outra parte / se espanta. // Uma parte de mim / é permanente: / outra parte / se sabe de repente. // Uma parte de mim // é só vertigem: // outra parte, / linguagem. // Traduzir uma parte / na outra parte / — que é uma questão / de vida ou morte — /será arte?

Ao fim da música, coube ao poeta e acadêmico Antônio Carlos Secchin apresentar Ferreira Gullar e sua obra. O texto lido por Secchin foi escrito para ocasião da candidatura do poeta ao Prêmio Nobel de Literatura, em 2002.

“Antes fazer essa leitura, quero dizer que verifiquei no Google: Gullar tem milhões com referências ao seu nome. Um poeta brasileiro com essa quantidade enorme de referências não pode ser pouca coisa.”, disse Secchin.

Visivelmente emocionado, Ferreira Gullar leu seus poemas prediletos para a platéia. E, antes de cada leitura, Gullar falava sobre gênese dos poemas. As histórias, que resumiam fatos cotidianos, revelaram a grandeza do poeta diante de seus “espantos”.

“A poesia nasce do espanto. Uns poemas nascem da reflexão, outros do acontecimento.”, disse o poeta ao falar sobre o nascimento de um poema, que surgiu ao olhar uma foto aérea da sua cidade natal quando trabalhava como editor de uma revista de arquitetura no Rio.
Ao falar sobre o poema ‘A Casa’, escrito no Brasil e reescrito em Moscou, Gullar afirmou: “A vida é uma invenção”. Os versos foram reescritos porque, ao sair do país, o poeta achou que tivesse perdido o papel. Mas ao retornar para casa descobriu que o poema descansava na gaveta.

A criação de um belo poema, partindo ou não de uma realidade inventada, pode surgir de um simples cheiro de uma flor ou uma fruta:

“Desde criança como tangerina e o cheiro dela me persegue. O cheiro me remetia a algo escondido. Eu queria escrever um poema, mas não tinha o que escrever. Escrever o que? ‘A tangerina é bonita’? Não. Fui pesquisar, descobri que tangerina é a laranja da China. Até que o poema começou a nascer de uma frase: ‘Com raras exceções, os minerais não tem cheiro’. Percebi o nascimento e comecei a escrever. Temos de ficar atentos ao nascimento do poema”, afirma Gullar e completa:

“Sabe quando escrevi ‘Nasce o poema’? Eu estava numa entrevista quando uma repórter me perguntou: ‘Como nasce o poema’? Comecei a explicar e percebi que estava nascendo o poema. Terminei a entrevista e fui para casa escrever o poema que estava nascendo.”

Um dos momentos mais bonitos da leitura de Gullar foi com o poema ‘Meu Pai’: meu pai foi / ao Rio se tratar de / um câncer (que / o mataria) mas / perdeu os óculos / na viagem // quando lhe levei / os óculos novos / comprados na Ótica / Fluminense ele / examinou o estojo com / o nome da loja dobrou / a nota de compra guardou-a / no bolso e falou: // quero ver / agora qual é o / sacana que vai dizer / que eu nunca estive / no Rio de Janeiro.

Ao anunciar “o último poema com historinha”, Gullar relembrou em versos o artista plástico Iberê Camargo. O poeta ficou amigo de Iberê após a tragédia que ocorreu nos anos 80: “O Iberê saiu para rua, à procura de uma loja de cartões natalinos, e quando parou numa esquina de Botafogo para assistir a discussão de um casal. O marido se irritou. Iberê sacou a arma e matou o homem.”

A pedido de Antonio Carlos Secchin, Gullar leu o famoso poema ‘Cantiga para não morrer’, mas antes brincou: “Mas a Claudia está na platéia”., referindo-se a companheira Claudia Ahimsa que assistia a cerimônia. O poema foi escrito para uma mulher que conheceu quando estava exilado na Rússia. 

Seguindo a leitura, Adriana Calcanhotto cantou o poema, que musicou com o nome de ‘Me Leve’: Quando você for se embora, / moça branca como a neve, /me leve. / Se acaso você não possa / me carregar pela mão, /menina branca de neve, / me leve no coração.  // Se no coração não possa / por acaso me levar, / moça de sonho e de neve, / me leve no seu lembrar.  // E se aí também não possa / por tanta coisa que leve / já viva em seu pensamento, / menina branca de neve, / me leve no esquecimento.

Secchin perguntou a Calcanhotto: “Como você conheceu a poesia de Gullar?”

“Minha mãe é professora e dava aula de manhã, de tarde e de noite. Então, ela só descansava depois do almoço – no momento que eu tinha que lavar louça. Ou seja, eu tinha que lavar louça sem fazer barulho. Desenvolvi uma técnica: ligava o rádio, baixinho. Assim que conheci o Gullar, numa canção. E depois na televisão, ele dizia loucuras. Gullar mudou minha vida.”

E, depois da conversa, Adriana cantou ‘Um gato chamado gatinho’, poema de Gullar, musicado para o show Adriana Partimpim. “O poeta é autor de literatura infanto-juvenil, mas quando lida com as crianças fala dos bichos. Drummond com os elefantes, Cecília com as borboletas e Gullar com os gatos, bichos domésticos.”, afirmou Secchin.
  
Há 11 anos sem publicar um livro de poemas, Ferreira Gullar leu poemas do livro inédito Em alguma parte alguma, que será publicado pela editora José Olympio.

“A poesia custa a nascer, não é que eu esteja trabalhando os poemas há 11 anos. Há poetas que conseguem trabalhar um tema, mas eu não sigo esse caminho. Como tudo é inventado, o espanto é interpretado a partir da minha visão de vida. Uma parte do livro é sobre o mistério do mundo. A idéia de ordem e desordem está presente. Meu livro novo abre com um poema intitulado ‘Fica o não dito por dito’. Ou seja, o que tenho de dizer não está no livro.”, brinca o poeta antes de ler poemas inéditos.

Conduzindo o término do encontro, Secchin pediu que Gullar contasse a história do ‘Trenzinho Caipira’, poema feito a partir de ‘Bachianas No 2’ de Villa-Lobos.

“Demorei 10 anos para fazer esse poema. Essa era a música que eu ouvi numa viagem de trem com meu pai. Eu queria fazer o poema para ele. Mas só fiz o poema quando estava exilado, escrevendo O ‘Poema Sujo’. Deixei da máquina, ouvi o disco do Villa-Lobos que carregava comigo e escrevi o poema."

Simulando o som de um trem nos acordes da guitarra, Adriana Calcanhotto cantou o 'Trenzinho Caipira'. Gullar, muito emocionado, ouvia de olhos fechados e mãos entrelaçadas. A platéia aplaudiu finalizando o encontro.  Gullar: “Um violão substitui uma orquestra”.

As homenagens não terminaram, Calcanhotto pediu para cantar uma música atual, celebrando o Gullar de hoje, 'Definição da moça' – letra feita a partir do poema que Gullar fez para a esposa Claudia Ahimsa.

Como defini-la / Quando está vestida / Se ela me desbunda / Como se despida? // Como defini-la / Quando está desnuda  / Se ela é viagem  / Como toda nuvem? // Como desnudá-la / Quando está vestida / Se está mais despida / Do que quando nua? // Como possui-la / Quando está desnuda / Se ela toda é chuva? / Se ela toda é vulva? 
  
“Temos que aproveitar que a musa está na platéia”

Armando Strozenberg encerra brindando com os convidados: “Vamos lançar aqui o movimento FGA: Ferreira Gullar na ABL!”



 




 
 
04 de Março de 2010 | 12:18
 

FLIP 2010    

Confirmados mais dois nomes estrangeiros para edição a próxima edição da festa

O israelense Abraham B. Yehoshua e o inglês William Boyd foram confirmados como palestrantes da próxima edição da Festa Internacional de Paraty 2010, que ocorre entre 4 e 8 de agosto. Já são quatro convidados internacionais da mostra, contando com o irlandês Colum MacCann e o anglo-indiano Salamam Rushie.

               

                        Abraham B. Yehoshua

Yehoshua lançou no Brasil, pela editora Companhia das Letras, os livros A Mulher de Jerusalém (2008), A Noiva Libertada (2007),Viagem ao Fim do Milênio (2001) e Shiva (2000). E William Boyd teve seu mais romance lançado no Brasil foi As Aventura de Um Coração Humano (Record). Além da literatura Boyd é autor de roteiros cinematográficos, como o do filme A trincheira (1999).

                

                                 William Boyd 

Neste ano, a data da Flip foi alterada por um mês devido a Copa do Mundo, que ocorre entre 11 de junho e 11 de julho, na África do Sul.




 
 
03 de Março de 2010 | 18:39
 

Programas de Bolsas 2010   

Biblioteca Nacional abre as inscrições para três seleções públicas

 

A Fundação Biblioteca Nacional divulgou a abertura de inscrições para três Programas de concessão de bolsas. As propostas poderão ser encaminhadas, até 31 de março, para o Programa Nacional de Apoio à Pesquisa, o Programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros e o Programa Nacional de Bolsas para Autores com Obras em Fase de Conclusão. 

Conheça as seleções:

Apoio à Pesquisa

Seleção de projetos com o objetivo de incentivar a pesquisa e a produção de trabalhos originais a partir do acervo da FBN/MinC para a concessão de até 20 bolsas, pelo período de um ano, nas áreas de Ciências Humanas, Sociais, Linguística, Letras e Artes. Confira o regulamento.

Apoio à Tradução de Autores Brasileiros

Com o objetivo de difundir a cultura e a literatura brasileiras no exterior, o Programa concederá até 20 bolsas, com valores de US$ 1 mil a US$ 4 mil, a editoras estrangeiras para apoiar a tradução do autor brasileiro. Confira o regulamento.

Bolsas para Autores com Obras em Fase de Conclusão

A iniciativa tem por finalidade incentivar a criação literária nacional e reconhecer a qualidade de textos de escritores brasileiros, por meio da concessão de seis bolsas no valor de R$ 6 mil, cada uma, para conclusão de obras. Confira o regulamento.

Mais informações no site da Biblioteca Nacional.

 




 
 

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