Fafá de Belém vive semana especialmente feliz. Depois de ter sido um dos maiores destaques do irregular
Elas Cantam Roberto, terça-feira em São Paulo, a cantora trouxe para o Rio o show
Água, em que revisita o repertório de seu segundo homônimo álbum, editado originalmente em 1977. O show estreou no Teatro Rival na quinta-feira, 28 de maio, e fica em cartaz até sábado, 30.
Fafá, para quem não viveu os anos 70, é uma das melhores cantoras surgidas nesta década farta em vozes femininas. Antes de se embrenhar por trilha mais sentimental, a partir de 1986, Fafá cantava música regional que conjugava brejeirice e sensualidade.
Água, o disco de 1977 que ela está revisitando este ano a partir de convite da direção da Virada Cultural paulista, é focado nessa vertente.
No palco do Rival, Fafá apresenta as 12 músicas do disco na ordem em que elas aparecem no LP original. A participação de sua filha também cantora, Mariana Belém, resulta especialmente interessante porque, no belo número de abertura, ela evoca a imagem da Fafá juvenil dos anos 70. Mariana também brilha ao sustentar os tons altos do refrão de
Araguaia, uma das músicas do disco que tinham caído em injusto esquecimento.

Para quem não liga
Água a seu repertório, o disco emplacou sucessos como
Pauapixuna,
Foi Assim (bolero até hoje obrigatório nos shows de Fafá),
Raça e
Sedução. As três últimas músicas foram agrupadas no lado B (sim, houve um tempo em que os álbuns tinham lados), como lembra Fafá, e mesmo assim foram hits retumbantes.
Das cantoras de sua geração, Fafá é - ao lado de Bethânia, a rigor projetada uma década antes - uma das poucas que conservam a mesma voz dos tempos de maior popularidade. Soma-se a esse vigor vocal a sua intensa capacidade interpretativa e o resultado é um show sedutor. Fafá vai da intensidade emocional de
Leilão à leveza da
Canção Passarinho com a mesma habilidade. O show é excelente e sinaliza que Fafá deve de vez em quando dar um mergulho em águas regionais.