Por Natasha Ramos / Redação
PEDRO ALMODÓVAR
O aclamado cineasta espanhol Pedro Almodóvar apresentou ontem (19/5), no festival internacional de Cannes, o seu
La Piel que Habito (The Skin I Live In), um thriller, novo gênero em sua filmografia. “Este gênero corresponde ao período atual da minha vida. Quando comecei, fazia sobretudo comédias pop. Tinha vontade de acender a outros gêneros cinematográficos, apesar de não respeitar estritamente os códigos. Penso que voltarei a ela. E para este filme, também fui influenciado por Fritz Lang [diretor austríaco, famoso dentre outros filmes por
Metrópolis, 1927]”, disse Almodóvar na coletiva de imprensa realizada em Cannes.
Esta é a quarta vez que o diretor espanhol participa do festival francês. A primeira foi em 1999, com o filme
Tudo Sobre Minha Mãe, que ganhou nas categorias Melhor Diretor e Prêmio do Júri Ecumênico. Além deste, o filme
Volver levou o prêmio de Melhor Roteiro em 2006.
Almodóvar é conhecido por usar simbolismos e técnicas metafóricas para contar histórias circulares em que, frequentemente, retrata personagens femininas de temperamento forte e transsexuais. Seus filmes mais conhecidos são
Mulheres à Beira De Um Ataque De Nervos (1988),
Tudo Sobre Minha Mãe (1999),
Fale Com Ela (2002) e
Volver (2006).
Sobre seu mais recente filme,
La Piel que Habito, Almodóvar conta: "É uma história de sobrevivência em condições extremas, e isso é a história da humanidade". "Pensei ao mito de Frankenstein depois, e sobretudo à ligação com o mito dos titãs e de Prometeu."
Sinopse: Desde que a sua mulher foi vítima de um acidente de automóvel, o doutor Robert Ledgard, eminente cirurgião estético, dedica-se à criação de uma nova pele graças à qual poderia salvá-la. Doze anos após o drama, Robert consegue cultivar uma pele que é uma verdadeira couraça contra todas as agressões. Para além de muitos anos de investigação e de experimentação, Robert precisa de um cobaia, de um cúmplice e de uma ausência total de escrúpulos. Os escrúpulos nunca o afogaram. Marília, a mulher que se ocupou de Robert desde o dia em que nasceu, é a cúmplice mais fiel do mundo. Quanto ao cobaia...
TAKASHI MIIKE
O prolífico cineasta japonês Takashi Miike também apresentou ontem (19/5) seu longa
Ichimei, no festival de Cannes. Miike é conhecido como o Tarantino oriental, pois seus filmes são bastante provocativos, baseados em extrema violência e perversões sexuais, geralmente contém fins verdadeiramente bizarros.

Ichimei conta a história do samurai Hanshiro que, sem recursos e desejando morrer dignamente, pede para praticar um suicídio ritual na residência do clã Li, cujo intendente é Kageyu, um guerreiro de personalidade forte. Tentando desencorajar Hanshiro, Kageyu conta-lhe a história trágica de um jovem ronin, Motome, que veio recentemente com o mesmo pedido. Hanshiro fica traumatizado pelos detalhes horrorosos da sorte reservada a Motome, mas persevera na sua decisão de morrer honradamente. Na altura de cometer hara-kiri, faz um último pedido: deseja ser assistido no seu ato por três tenentes de Kageyu, todos ausentes devido a uma estranha coincidência. Desconfiado e furioso, Kageyu pede a Hanshiro para se explicar. Este último revela os seus laços com Motome e conta-lhe a história doce amárga das suas vidas. Kageyu acabará por compreender que Hanshiro lançou-se numa prova de força por espírito de vingança.