Por Virginia Bastos, de Recife
Foto: Galo da Madrugada (2011) / Crédito: Carlos Oliveira / Prefeitura do Recife
Não é à toa que a Veneza brasileira abriga o melhor carnaval do Brasil.
Com apenas 11 anos de realização, já é considerado uma das maiores e mais democráticas festas do mundo e não são poucos os motivos que a exaltam: a cerimônia de abertura é um espetáculo à parte, que encena o ritual da antiga festa europeia.
E que mais tarde daria origem ao nosso carnaval, a Festa de Reis; o Bloco do Galo da Madrugada, que abre o sábado de Zé Pereira e é oficialmente considerado pelo Guinness Book o maior bloco de carnaval do mundo; a magia e a força da noite dos tambores silenciosos, uma cerimônia africana; sem falar nas agremiações, shows, blocos, troças e freviocas que se encontram espalhadas por diversos bairros em toda a cidade.
Às margens das Águas de Capivara, o famoso Rio Capibaribe que junto com o Beberibe recortam toda cidade, os clarins começam a tocar e batuqueiros. Cortes das 10 nações de Maracatu de Baque Virado, grupos de afoxés, tribos, caboclos de lança, orquestras, artistas e mais de 500 mil pessoas assistem a cerimônia de abertura.
É lá que o Prefeito João da Costa entrega a chave da cidade ao Rei e Rainha do Carnaval e uma placa comemorativa aos homenageados do ano, que em 2012 presenteia dois grandes nomes da cultura pernambucana, o cantor e compositor Alceu Valença e o artista plástico José Cláudio da Silva, que transformou a cidade numa galeria a céu aberto, com obras que retratam a cultura e o cotidiano da sua arte.
O sapateiro português que juntou os amigos no Rio de Janeiro e fez uma folia histórica ganhou a honra de ser lembrado em todo sábado de carnaval. O sábado de Zé Pereira é acordado pelo Galo da Madrugada que faz a cidade parar.
Seguido de apresentações em todos os pólos do Recife e arredores, que terão artistas nacionais e internacionais, blocos, dos mais tradicionais aos mais novos, agremiações, troças e freviocas, que compõe o cenário de todos os dias de carnaval.
O destaque da segunda é a Noite dos Tambores Silenciosos que acontece no Pátio do Terço e reúne nações de maracatu com o objetivo de louvar a virgem do Rosário – padroeira dos negros – e reverenciar os ancestrais africanos que sofreram na escravidão; no auge do ritual, a 00h, todas as luzes são apagadas e os maracatus são liderados por tochas até a Igreja da praça do Terço.
Noite dos Tambores Silenciosos, em Recife (2011)
Crédito: Jorge Luiz/Prefeitura do Recife