Publicado originalmente por Mariana Rodrigues no Almanaque Saraiva
Fotos de Natasha Ramos (Marcos Caruso) e divulgação
Há 25 anos estreava no Rio de Janeiro a comédia teatral
Trair e coçar é só começar. Foram dois anos de apresentações ininterruptas que se tornaram o início de um sucesso impossível de se prever. A peça ainda está em cartaz, passou por 22 estados e fez rir cerca de 6 milhões de pessoas. Por trás dessa trajetória está o autor Marcos Caruso, que escreveu as atrapalhadas da empregada Olímpia em apenas três dias.
Caruso conversou com o Almanaque sobre o livro em comemoração ao aniversário de 25 anos de
Trair e coçar é só começar, que será lançado neste mês pela Benvirá. O autor é também responsável - ao lado de Jandira Martini - por peças como
Sua Excelência o candidato,
Porca miséria e
Operação Abafa. Como ator, recentemente esteve na montagem de
As pontes de Madison e estará na novela
Cordel encantado, da Rede Globo, que deve estrear em abril no horário das seis.
De onde surgiu a ideia da produção do livro? Como foi a produção? Quanto tempo levou?
Marcos Caruso. Recebi o convite da Editora Saraiva em meados de 2010 e começamos a trabalhar na produção do livro juntamente com a produção do espetáculo e a equipe de pesquisa da Saraiva. Desde o primeiro contato até a finalização, foram sete meses de trabalho.
Você poderia contar um pouco sobre a criação da peça?
Caruso. Era início de 1979 e eu estava desempregado. Utilizei-me dos conhecimentos de autores do gênero
vaudeville que havia lido ou representado. Escrevi a peça em três dias e três noites com o único objetivo de fazer o público rir, matematicamente, de 30 em 30 segundos.
A peça foi escrita em 1979, mas montada somente em 1986. Por que levou tanto tempo?
Caruso. Apresentei o texto para diversos diretores, autores e produtores que não se interessaram em montá-lo, talvez, penso, por estarmos atravessando um período ditatorial no qual autores brasileiros tivessem que levar ao público de teatro mais do que apenas uma comédia digestiva. A peça ficou na gaveta por seis anos.
Por que você nunca atuou na peça?
Caruso. Realmente escrevi um dos papéis para mim, porém, na época em que foi montada eu estava em cartaz com outro espetáculo. Depois tive a oportunidade de entrar no elenco, nas sequentes substituições, mas achava que em time que estava ganhando não se deveria mexer. Se a peça estava fazendo tanto sucesso sem mim, era melhor que eu continuasse de fora.
Quando percebeu que a peça estava se tornando um fenômeno?
Caruso. Quando passei um dia pelo Teatro Zaccaro, de 1.050 lugares, e havia poucos carros estacionados na rua. Entrei e vi que o teatro estava lotado, com cadeiras extras. Na saída percebi que o público tomava ônibus para ir para casa. Naquele momento disse: “A peça está atingindo um público que está indo ao teatro pela primeira vez”. O sucesso era absoluto, e só estávamos no quarto ano em cartaz.
Hoje, como vê o futuro da peça? Ela ainda tem espaço para continuar a ser encenada?
Caruso. A peça tem potencial para não sair de cartaz pelos próximos 10, 20, 30 anos. Se três gerações já a assistiram, outras três poderão se somar a elas. O tema é universal e atemporal e ainda não circulou pelo Brasil, um país continental.
Tem novos projetos?
Caruso. Preciso de tempo para realizá-los. O teatro e a TV, como ator, já me consomem o suficiente. Mas escrever, e com humor, está sempre nos meus planos. Para TV, gostaria de escrever minissérie e sitcoms. Para o teatro tenho um convite para encenar Jogo fatal, uma peça que virou filme com Michael Cane e Laurence Olivier. Talvez para 2012.
O que te faz sair de casa para ir ao teatro?
Caruso. Bons atores e bons autores. Um teatro que me faça refletir.
Curiosidades sobre Trair e coçar é só começar
* Estreou em 26 de março de 1986 no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz por dois anos;
* A personagem Olímpia foi interpretada por 12 atrizes diferentes;
* Mais de 6 milhões de espectadores;
* Nove mil apresentações em 22 estados brasileiros, além de Estados Unidos;
* Está no
Guinness Book nas edições de 1994 a 1997 como a mais longa temporada ininterrupta em cartaz do teatro nacional;
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Virou filme em 2006, estrelado por Adriana Esteves.
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