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Eva Furnari e a arte de encantar31. 07. 2012
 
A escritora Eva Furnari
Por Juliana Welling
 
As histórias criadas pela escritora e ilustradora Eva Furnari marcaram gerações. As trapalhadas mágicas da Bruxinha encantam crianças desde a década de 80, quando começaram a acompanhar as aventuras da personagem.

Com o tempo, as histórias de Eva também avançaram das páginas dos livros para o teatro, com inúmeras adaptações já realizadas. Até no campo da animação seus personagens foram parar. 
 
O ogro Godofredo e as meninas Trudi e Kiki receberam versões animadas, tendo sido exibidas em festivais, como o Anima Mundi 2010. “Há a intenção de se fazer uma série para TV”, acrescenta Eva, nesta entrevista.

Com mais de 30 anos de carreira, Eva Furnari começou o seu trabalho pela ilustração. Formada em Arquitetura e Urbanismo, foi professora de artes no Museu Lasar Segall de 1974 a 1979, e colaborou como ilustradora para diversas publicações infantis e juvenis.
 
Nos anos 80, foi convidada para participar da Folhinha, suplemento infantil do jornal Folha de S. Paulo, onde por quatro anos publicou tirinhas de histórias sem palavras. Foi aí que aconteceu o nascimento da Bruxinha, um de seus personagens mais famosos.
 
Há dois anos como autora exclusiva da editora Moderna, Eva relançou recentemente (em junho) Marilu, obra publicada pela primeira vez há onze anos.
 
Nesta nova edição, mexeu um pouco no texto sobre a garotinha que não achava graça no mundo. “Marilu tem pouca alteração. A história é a mesma, mas com o tempo a gente muda, passa a escrever melhor”, conta.

Autora de mais de 60 livros, tem obras publicadas no México, Equador, Guatemala, Bolívia e Itália. Já recebeu diversos prêmios, dentre eles, o Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração pelos livros: Truks (1991), A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos (1996), Anjinho (1998), Circo da Lua (2004), Cacoete (2006) e Felpo Filva (2007) – este pelo texto e ilustração.
 
A criação de Eva continua. Até o fim desse ano, deverá lançar Listas Fabulosas. Ela diz que não pode contar muita coisa. Mas será um livro de histórias e brincadeiras, também com novos personagens.
 
Além disso, a escritora participará de dois dias da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A programação ainda está sendo fechada. Mas quem passar por lá, certamente poderá conhecer um pouco mais sobre esta especialista em encantar jovens, crianças e adultos.

Você começou criando ilustrações e depois partiu para a escrita. Como aconteceu esse processo?

Eva Furnari. Sim, a escrita veio depois de quase 15 anos de carreira. Comecei fazendo desenhos sem textos. A primeira história que escrevi foi A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos. Percebi que seria complicado conta-la apenas com imagens. Então, fiz um desenho mais elaborado para esse livro e criei um texto maior.  A partir daí, comecei a escrever histórias mais longas.

O que mudou em Marilu desde a sua primeira edição, onze anos atrás?

Eva Furnari. Desde que fui contratada pela Moderna, estou reeditando os meus livros à medida que os contratos com as outras editoras vão vencendo. Marilu tem pouca alteração no conteúdo. A história é a mesma, mas o texto tem aproximadamente onze anos. Com o passar do tempo, a gente muda, passa a escrever melhor. Reduzi uma coisa ou outra, mas o contexto é o mesmo.

Como você criou a personagem? Você se inspirou em alguém?

Eva Furnari. Minhas criações são intuitivas, com universos simbólicos e lúdicos. Nunca são baseadas em pessoas reais, nem têm discurso moralista ou intelectualizado.  As histórias aparecem e eu vou fazendo anotações. Marilu também representa um pouco a criança mimada. Hoje, por exemplo, temos muitos problemas de crianças que têm chiliques por não serem atendidas nos momentos que elas querem. Neste sentido, Marilu é mimada e tinha uma forma negativa de olhar o mundo. Na história, essas duas questões são colocadas. Mas o enfoque principal é sobre os pontos de vista otimista e pessimista. Acho que vivemos hoje uma retomada do pensamento positivo, o que é muito bom.

E como foi a criação da Bruxinha, um de seus personagens mais famosos?

Eva Furnari. Em 1981, a jornalista Cecilia Zioni era editora da Folhinha, suplemento infantil do jornal Folha de S. Paulo. E ela fazia um trabalho bacana, direcionado para as crianças mais novas. Um dia, ela viu um dos meus livros, que havia sido publicado pela Ática, e me convidou para participar do caderno. Lá, eu fazia tirinhas semanalmente e tinha bastante liberdade para criar. Logo no começo, lá pela quarta tira, a Bruxinha apareceu. Quando completei 30 anos de carreira, em 2010, resolvi dar a ela o nome de Zuzu, e lancei mais dois livros com a personagem.  Nos próximos anos, também deverei lançar outras duas publicações com a Bruxinha.

E como será esse novo trabalho?

Eva Furnari. Será um compilado de histórias novas e antigas.
 
A personagem Bruxinha

Como é o seu processo criativo? 
 
Eva Furnari. Bem intuitivo. Na realidade, o ofício da escrita pede dois enfoques: o primeiro é aquele solto e intuitivo, no qual você pode brincar com as ideias. Normalmente a criação vem em pedaços, inacabada. Em um segundo momento, há a necessidade de uma “logística”, isto é, organizar as ideias de forma mais racional. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado para não se autocriticar em excesso, pois prejudica o ato da criação. Trava o escritor. Este processo de composição envolve uma série de fatores, é bastante delicado. Muitas vezes temos de trabalhar bastante até achar um final para a história. É difícil. Quase sempre mostro as minhas criações para pessoas próximas antes de encaminhá-las para a editora. É bom porque me revela novas percepções.

O que você acha das adaptações de suas histórias para o teatro? 
 
Eva Furnari. É sempre interessante ver uma releitura de seu trabalho, originalmente literário, para outra mídia como é o caso do teatro. E as pessoas que atuam nesta arte são verdadeiros apaixonados pelo que fazem. Acho bem gostoso.

Há alguma iniciativa para adaptações de suas histórias para o cinema?

Eva Furnari. Para o cinema não. Existem animações já feitas, como as realizadas com as personagens “Trudi e Kiki” e também com o ogro “Godofredo”.  Há a intenção de se fazer uma série para TV, mas isso ainda está sendo avaliado.
 
As animações dos personagens “Trudi e Kiki” e “Godofredo”

Desde o início de sua carreira, até hoje, o que você acha que mudou no mercado da literatura infantil?

Eva Furnari. Na década de 70, houve uma expansão do mercado da literatura infantil, ao mesmo tempo em que também houve o desenvolvimento da sociedade de consumo, onde a criança se tronou uma grande fatia. A partir disso, aconteceram mudanças na educação. Por influências da contracultura, por exemplo, a liberdade passou a ser muito importante. A escola tem buscado maneiras mais espontâneas e mais livres de educar. E dentro disso, o livro é uma das estratégias para tornar esse ensino mais interessante. Hoje, uma das maiores dificuldades é manter a atenção das crianças, que estão tão bombardeadas e saturadas de informações. E a atitude da escuta pode ser conseguida através do livro, que possui um ritmo mais humano, bem diferente do da internet. Acho que há muita obra excessivamente moralista e politicamente correta.  Mas, por outro lado, acho interessante e legítimo a educação por meio da literatura. Tudo isso amplia a capacidade de leitura.

Para você o que é um bom livro infantil?

Eva Furnari. Um bom livro infantil precisa ser um bom contador de histórias, com uma linguagem acessível para a criança. Mas também não podemos esquecer que nós, os autores, somos formadores de opinião. É necessário ter ética e apresentar questões bacanas, que valorize a saúde mental da criança, e dê alternativas para a superação das encrencas da vida. Só que é preciso ter talento para colocar tudo isso nas histórias. E hoje acho que um dos fatores mais complicados é a mudança no ritmo das pessoas. Está mais rápido. Um dos desafios é falar de coisas essenciais, mas sem excessos, sem muita enrolação. Ou seja, ter esta capacidade de síntese e, ao mesmo tempo, conseguir emocionar. As crianças estão cada vez mais velozes. 

O que você tem visto da produção infanto-juvenil atual? Quais livros você admira?

Eva Furnari. Temos boas produções. No Brasil, posso citar O Motoqueiro que Virou Bicho, (Ricardo Azevedo); O Sofá Estampado (Lygia Bujanga), e Saga Animal (Índigo). Dos estrangeiros, temos Estava Escuro e Estranhamente Calmo (Einar Turkowski); Gigantes Belgas (Burkhard Spinnen) e Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling). Creio que essas séries de sucesso têm muito a ver com o mundo atual. É o caso do Harry Potter, por exemplo. A J.K. Rowling é uma contadora de histórias genial, que escreve sobre um mundo mágico para uma geração educada sem o conceito de Deus, criada no materialismo. Há, por meio de suas histórias, uma possiblidade de transcendência.

Você está em fase de produção de alguma nova história?

Eva Furnari. No fim de 2012 deverei lançar um livro chamado Listas Fabulosas. Será um livro de histórias e brincadeiras, também com novos personagens. Também participarei da Bienal do Livro de São Paulo. Não tenho a programação fechada ainda, mas estarei lá durante dois dias, conversando com o público em geral.
 

 
Comentários (11)
Carlos - 11/08
favor alguém me diz o nome completo dela..... preciso muito saber agradeço a todos que conseguiram responder e agradeço a os que não também
pamela taisa - 06/08
Adoro a eva furnare hoje o teatro dela foi na minha escola foi muito legal e engraçado A dorei .eva gosto muito a bruxinha bjos.A tenho 11 anos so sua fa eva te adoro!!!!
ana beatriz fagundes - 07/03
eu ana beatriz amo eva furnari, sao muitos legais e, criativosqueria conhecela pessoalmente mas deixa eu crescer mais um pouco ne ......obs so tenho 10 anos.....beijao eva
Maria Eduarda Borba - 06/03
Ajudou muito em minha pesquisa!!!!
Lea - 25/11
belo trabalho!!
jamile - 06/10
gosto muito das suas histórias eva furnari
jamile - 06/10
os livros de eva furnari é muito bom!!!!
icaro - 20/06
costei muito do seus trabalho eva eu espero outros bjs
patricia - 24/04
olá gostaria de saber se os livros da eva furnari podem ser considerados imagéticos estou estudando o assunto e fico em dúvida quanto a citá-la.
wcjajams - 06/04
voce é maravilhosa beijos wcjajams
sabrina nizer - 20/02
goste muito da historia da bruxinha para bem eu so tenho 11 anos e sou sua fa eva furnari
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