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Tahereh Mafi fala do seu seu primeiro livro, "Estilhaça-me"08. 08. 2012
 
Tahereh Mafi
Por André Bernardo

A norte-americana Tahereh Mafi tem apenas 24 anos. Mas seu livro de estreia, Estilhaça-me, já foi publicado em 22 países, ocupa a lista dos mais vendidos nos EUA e teve os direitos vendidos para o cinema. Dito assim, parece até que o caminho percorrido por essa jovem escritora de origem islâmica foi fácil. Parece, mas não foi. Antes de publicar Estilhaça-me, a filha de imigrantes iranianos escreveu outros cinco livros, mas todos eles foram rejeitados pelas editoras. “Conheço pessoas que têm o sonho de ser escritoras. Mas por causa de alguns ‘nãos’, desistiram de realizá-lo. Quando tudo parece que não tem solução, que nada vai dar certo e que o fim está próximo, acredite: é nessas horas que você tem que se esforçar mais e mais”, recomenda Tahereh, que nasceu em Connecticut e, hoje, mora na Califórnia.

Estilhaça-me é o primeiro livro de uma série de três. O segundo, Unravel Me, deve chegar às livrarias americanas em outubro e o último, Destroy Me, em 2013. Por aqui, o recém-lançado Estilhaça-me conta a história de Juliette Ferrars, uma adolescente de 17 anos que nasceu com um estranho poder: o de matar as pessoas com um simples toque. Depois de acidentalmente causar a morte de uma criança, foi trancafiada em um manicômio. O que já era ruim fica ainda pior quando Juliette descobre que um tirano planeja usar seus poderes contra os opositores do regime. “Juliette é a pessoa que eu gostaria de ter sido quando tinha sua idade. Admiro quem passa por momentos difíceis com graça e dignidade”, elogia a escritora, que participou da Feira Literária Internacional do Tocantins (Flit).

Aos 24 anos, você já é autora de um best-seller publicado em 22 países. Você sempre quis seguir a carreira de escritora?

Tahereh. Sempre gostei muito de ler, mas jamais pensei que pudesse, um dia, escrever um livro. Parecia algo grande e distante para mim. Quando ingressei na faculdade, fui obrigada a ler muitos livros. Por quatro anos, eu me esqueci completamente do que era ler por diversão. Para passar nas provas, tinha que ler livros técnicos, acadêmicos. Quando me formei, passei a trabalhar das 9h às 17h. Em casa, não tinha o que fazer. Não gostava de assistir à televisão porque tinha a impressão de estar desperdiçando meu tempo. Então, voltei a ler por diversão, pelo simples prazer de ler. E voltei a ler os livros que eu lia no passado, quando era criança. Ler é maravilhoso porque transporta você para outros mundos. Através da leitura, conhece outras culturas. Daí, redescobri o prazer da leitura e, pouco tempo depois, decidi que queria escrever também.

Foi fácil encontrar uma editora interessada em publicar seu livro?
 
Tahereh. Comecei a escrever em agosto de 2009. Depois de ler tantos livros, pela primeira vez na vida e sem nenhum motivo aparente, pensei: “Talvez eu seja capaz de escrever um...”. (risos) O mais curioso é que, na hora que eu comecei, não fazia ideia sobre o que estava escrevendo. Antes de publicar Estilhaça-me, escrevi cinco outros livros. Todos eles, aliás, muito ruins e impublicáveis... Não é à toa que foram rejeitados... (risos) Até então, eu não sabia como escrever. Na faculdade, só escrevia não ficção. Nunca me aventurei a escrever ficção, e foi uma experiência e tanto. São muitas possibilidades e, algumas vezes, você pode se dar mal... (risos) Com Estilhaça-me, o processo foi fácil. Quero dizer: não foi fácil, mas foi mais fácil do que das outras vezes, entende? Pela primeira vez, escrevi algo que funcionava de verdade. E tudo aconteceu muito rápido. Conheço pessoas que têm o sonho de ser escritoras. Mas por causa de alguns “nãos”, desistiram dele. Quando tudo parece que não tem solução, que nada vai dar certo e que o fim está próximo, é nessas horas que você tem que se esforçar mais e mais. Não levei mais do que algumas semanas para encontrar uma editora interessada em publicar Estilhaça-me...
 
Você é filha de imigrantes iranianos e adepta do Islamismo, certo? De que maneira isso se reflete nos livros que você escreve?

Tahereh. Na verdade, não reflete. Isso é parte do que eu sou. Mas, como escrevo ficção para adolescentes, procuro escrever sobre temas universais. Prefiro deixar questões pessoais fora das histórias que escrevo. Quando sento para escrever, procuro falar sobre coisas que os adolescentes vivem em seu dia a dia, como as lutas que eles travam todos os dias, a busca por um lugar ao sol, a necessidade de conhecer a si mesmo, essas coisas.
 
Capa do Estilhaça-me, disponível nas lojas. O segundo e o terceiro livro da trilogia chegam nos próximos meses, mas já têm capa definida

Quando alguém fala em adolescente com poderes paranormais e destrutivos, logo penso em Carrie White, de Stephen King. Qual teria sido a sua fonte de inspiração para criar Juliette?

Tahereh. Quando comecei, não tinha ideia do que estava escrevendo. Um dia, estava sentada na minha escrivaninha quando me veio à cabeça a imagem dessa menina. Tudo o que eu sabia dela é que estava presa, com medo, sozinha e isolada do mundo por causa de um crime que cometeu. Sim, ela era culpada desse crime, mas, na verdade, não tinha a intenção de cometê-lo. E isso era tudo o que eu sabia sobre ela. Mas a voz que eu ouvia na minha cabeça era tão alta, mas tão alta, que eu me senti impelida a escrever mais e mais sobre ela. E foi isso o que eu fiz: eu me deixei levar. Não acho que isso tenha acontecido por acaso ou coincidência. Quando olho para trás, vejo que o livro é reflexo de tudo o que penso sobre o mundo que nos cerca. De uma forma geral, Juliette é a pessoa que eu gostaria de ter sido quando tinha a idade dela. Respeito muito as pessoas que atravessam momentos difíceis com graça, humanidade e dignidade. Nos próximos livros da trilogia, ela cresce, torna-se uma pessoa mais forte, consegue encontrar a si mesma e, principalmente, aprende a se amar da maneira que é e apesar de tudo pelo que passou. Eu admiro a Juliette por isso. Acho legal escrever sobre alguém que se admira. Eu gosto dela e, se pudesse, gostaria de ser sua amiga... (risos)

Que escritores marcaram sua adolescência? E quais foram os mais importantes na sua formação?
 
Tahereh. Gosto muito de Lois Lowry, uma romancista americana que escreveu The Giver (ainda inédito no Brasil). Lembro que, quando li esse livro pela primeira vez, comecei a fazer uma série de perguntas sobre o mundo em que vivemos. Ele realmente abriu a minha mente, e gostei muito disso. Mas já li muita coisa nessa vida. Quando estava na faculdade, li muitos livros sobre filosofia, poesia, história, etc. Procuro tirar inspiração de tudo o que leio.

Juliette nasceu com o poder de matar as pessoas com as mãos. Se você também pudesse nascer com um poder, qual seria?
 
Tahereh. Ah, eu acho que escolheria voar e ficar invisível. Assim, ninguém poderia me ver voando...
 
Os direitos de Estilhaça-me já foram vendidos para a Twentieth-Century Fox. Se pudesse escolher uma atriz para o papel de Juliette, quem seria?

Tahereh. Eu me encontrei poucas vezes com o pessoal da Fox e, nesses encontros, eles não costumam contar muita coisa para mim. Então, honestamente falando, não sei exatamente o que está acontecendo. Quando você vende os direitos de um livro, você vende e pronto. E pode se considerar uma pessoa de sorte se eles quiserem contar algo para você. Quanto à atriz, não tenho ideia sobre quem eu gostaria que interpretasse a Juliette. Procuro não pensar muito nisso, sabe? Adoraria que fosse alguém que, mesmo não sendo parecida fisicamente com ela, pudesse captar a essência da personagem.

O segundo livro da trilogia chama-se Unravel Me (Desvenda-me, em livre tradução). O que você pode adiantar sobre ele?

Tahereh. Olha, sem estragar a surpresa, digo apenas que Unravel Me vai surpreender. Posso garantir que ele vai responder a muitas das perguntas que ficaram sem respostas no primeiro livro. Quem são essas pessoas? E porque fazem o que fazem? Acredito que muitas respostas vão surpreender o público. Mas antes de surpreender o público, gostaria que essas respostas levassem o leitor a se perguntar mais sobre as pessoas que ele conhece. Ou, então, que ele pensa que conhece. Quem são elas? E por que fazem o que fazem?
 
 
Comentários (2)
Amanda - 24/04
são quantos livros no total ?
hanna_louca-por-estilhaça-me - 08/07
Queria saber como se chama quem é fã de estilhaça-me,tipo quem gosta de one direction é directioner, quem gosta de demi lovato é lovatics, e com estilhaça-me é o que?
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