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Guia reúne os fracassos amorosos de filósofos famosos 13. 11. 2012
 
Dizem que os filósofos são infelizes no amor. E a entrevista com Andrew Shaffer, autor do livro 'Os Grandes Filósofos que Fracassaram no Amor', confirma essa hipótese
Por Carolina Cunha
 
O que têm em comum Aristóteles, Friedrich Nietzsche, Platão e Rousseau? Todos buscaram entender as questões filosóficas da humanidade e todos foram amantes, namorados e maridos fracassados.

“Se conseguir uma boa esposa, vai ser feliz; se conseguir uma péssima, vai se tornar filósofo”, diz Sócrates, o influente pensador da Grécia Antiga. Além de passar o tempo interpretando a existência, ele era visto pelas ruas de Atenas levando bronca de sua geniosa mulher.  

“Por mais triste e doloroso que seja um celibato, um mau casamento é muito pior”, desabafa August Comte. Que o diga o filósofo medieval Pedro Abelardo, que foi castrado após mandar sua esposa para o convento, ou São Tomás de Aquino, filósofo cristão obcecado pelo celibato, que teve que resistir bravamente à sedução de uma prostituta enviada por sua família.

Intelectuais amam o conhecimento, mas será que conseguem se entregar ao mistério das paixões e dos relacionamentos? O escritor norte-americano Andrew Shaffer decidiu explorar o tema de um jeito bem-humorado em Os Grandes Filósofos que Fracassaram no Amor, livro recém-lançado pela editora Leya.

A obra retrata a vida amorosa de 37 filósofos famosos, como Simone de Beauvoir, João Calvino, Hegel, Immanuel Kant, John Locke, Arthur Schopenhauer e Platão. Alguns neuróticos, outros ávidos por entender as artimanhas do coração, poucos com casamentos felizes.

Andrew Shaffer é escritor e dono de uma irreverente empresa de cartões comemorativos, conhecida por testar os limites do bom gosto. O projeto começou por acaso, quando ele lançou cartões com frases de Nietzsche. Uma em especial falava sobre casamentos. Mas foi durante um momento perigoso (na sua lua de mel) que ele teve a ideia de pesquisar o lado afetivo dos filósofos.

O autor já participou de livros como The Atheist’s Guide to Christmas (O Guia dos Ateus Para o Natal, sem publicação no Brasil), tendo lançado este ano Fifty Shames of Earl Grey, uma paródia de 50 Tons de Cinza. Em sua versão, ele traz um arrogante executivo que seduz uma inocente mulher. Só que ele esconde um passado secreto, que inclui fazer compras no Walmart aos sábados e ler romances femininos apimentados.  

O SaraivaConteúdo conversou com Andrew Shaffer sobre o que ele aprendeu com a vida sentimental dos filósofos. E o autor pode atestar: se as palavras dos sábios fizeram história, pelo menos no amor seus ensinamentos podem não sobreviver para a posteridade.

Por que você quis escrever um livro sobre este assunto?

Andrew Shaffer. Na escola, eu nunca me conectei com o que os filósofos estavam dizendo. Eu precisava de um elemento humano para que aquilo fizesse sentido. Ao ler sobre suas vidas amorosas, eles se tornaram mais “reais”, e isso torna seus escritos e ensinamentos mais fáceis de serem compreendidos. 

O que você aprendeu com esses renomados intelectuais sobre a arte do amor?

Andrew Shaffer. Eu aprendi que até os homens e mulheres sábios são humanos. Eles são iguais à gente e têm os mesmos problemas. Todos nós falhamos no amor em algum momento. Só que para os grandes filósofos, foi apenas um pouco mais difícil, mais porque eles eram tão focados em seu trabalho.

Além de mentes brilhantes, o que mais os filósofos tinham em comum para fracassarem no amor? Você chegou a alguma conclusão?

Andrew Shaffer. A maioria deles ficou tempo demais dentro de suas próprias cabeças. Eles simplesmente pensavam demais, inclusive sobre seus relacionamentos. Eles também trabalhavam muito! Se o seu trabalho é “pensar”, você nunca termina o expediente, sai do escritório e vai pra casa.Você está sempre trabalhando.
 
Capa do livro
Digamos que alguém queira sair com um filósofo. Que conselhos você daria para essa pessoa?

Andrew Shaffer. Sou péssimo em dar conselhos amorosos! Se tivesse aprendido alguma coisa com eles, eu não estaria divorciado agora. A melhor coisa que eu posso dizer é que, se você ficar com alguém que é filósofo ou escritor, saiba onde você está se metendo. O trabalho deles provavelmente vai estar sempre em seus pensamentos.

O que é mais sexy: uma cantada genial ou uma mente genial?

Andrew Shaffer. Uma mente genial é mais sexy! Até a cantada mais genial não é páreo para apenas disparar “Qual é o seu nome?” e ter uma boa conversa.

Que lições amorosas esses grandes pensadores trazem para o nosso tempo?

Andrew Shaffer. Albert Camus escreveu "Abençoados os corações flexíveis; pois nunca serão partidos”. Muitas vezes, o amor romântico é idealizado no cinema, nos livros e na música, mas na vida real estamos bem abaixo disso. O casamento – amar uma única pessoa para sempre – é um ideal. Camus entendeu que a vida não se conforma facilmente com idealismos. Nós podemos ver isso com os casos extraconjugais dele e também com os nossos próprios.

Que filósofos não falharam no amor? Já existiu um “pegador intelectual”?

Andrew Shaffer. Jean-Paul Sartre foi o maior pegador intelectual que eu já vi. Ele não era bonito. Era baixo e vesgo. E mesmo assim, sempre teve mulheres caindo aos seus pés. Aos 74 anos de idade, quando estava banguela e cego, Sartre tinha 11 namoradas diferentes, ao mesmo tempo. 11! Mas ele era pequeno, charmoso e, o mais importante, tinha senso de humor.

E na vida amorosa das mulheres filósofas, o que te chamou a atenção?

Andrew Shaffer. Simone de Beauvoir tinha uma vida amorosa das mais interessantes. Tanto com Sartre, seu parceiro de longa data, quanto com seus muitos amantes, homens e mulheres. Mas eu queria ter achado mais mulheres em minha pesquisa! No livro, há apenas duas filósofas, basicamente porque a obra parte de uma perspectiva histórica e, no passado, as mulheres não tiveram as mesmas oportunidades educacionais e de carreira que os homens.

O que você pode nos contar sobre o livro Fifty Shames of Earl Grey?

Andrew Shaffer. Fifty Shames of Earl Grey é uma paródia da série 50 Tons de Cinza. A história é sobre um poderoso CEO de uma empresa chamado Earl Grey, que tem “cinquenta vergonhas” ou coisas que ele quer esconder, como ler novelas e romances eróticos.

Você acha que a protagonista de Fifty Shames of Earl Grey poderia fazer algum desses filósofos um pouco mais feliz?

Andrew Shaffer. A personagem feminina de Fifty Shames of Earl Grey não é muito inteligente e, por isso, seria um par impróprio para um filósofo. Eu acho que a maioria deles ficaria frustrada muito rapidamente!
 
 
Comentários (3)
Miriam Silva - 09/03
E o Aristótales,ele já teve alguma namorada ou amante?
sercel pirani - 23/02
Sou escritor tenho mais de 60 anos e faz mais de doze anos que não faço sexo, as pessoas pensam que é porque sou bipolar e tomo muitos antidepressivos, e me aconselham tomar Viagra, mas o que eu preciso mesmo é de uma linda mulher, mas só me aparece velhas feia, mas e seu status de sábio, mulher preferem burros sarados, ou muito ricos que são sempre sexy.
Carla Ribas - 16/11
Adorei a entrevista com o autor. Realmente, uma pessoa inteligente. Vou comprar o livro. A propósito, adorei o comentário dele em sua última resposta ao repórter...demonstra ser realmente um homem inteligente!
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