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Flip: Paulo Scott, um poeta em pele de prosador05. 07. 2013
 
Paulo Scott
 
 
 
 
Por Maria Fernanda Moraes
 
Narelle é a nova paixão de Paulo Scott. Ela é uma das protagonistas de Íthaca Road, o novo livro do escritor gaúcho, e já despertou amores alheios também. “Já me escreveram um e-mail contando que estavam encantados com ela”, contou achando graça.
 
Encontrei com Scott numa dessas casas antigas com paredes de pedras comuns em Paraty, numa manhã ensolarada que antecedia sua participação na mesa "Formas da derrota", na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). À tarde, na Tenda dos Autores, ele viria a revelar que enquanto escrevia Ithaca Road, chegou a chamar sua mulher, Morgana, pelo nome da protagonista, Narelle.
 
Esse encantamento não é à toa. O enredo de Íthaca Road remete à ideia da ilha contado na Odisséia, de Homero, que narra a viagem de retorno de Ulisses. A história se passa na Austrália e faz parte do projeto “Amores Expressos”, em que os escritores são enviados para determinados lugares e devem ambientar lá uma história de amor. Scott define Narelle com uma Penélope moderna [aquela que ficava esperando Ulisses voltar da viagem, enquanto tecia durante o dia e desmanchava o bordado à noite].
 
A emancipação feminina e a questão do gênero são temas fortes na prosa de Scott. “Em todos os meus livros há grandes mulheres, mulheres fortes. Acho que é uma coisa bem edipiana. Eu sou fascinado pelo modo natural das mulheres”.
 
Íthaca Road
 
Antes de assumir o ofício de escritor, teve uma carreira jurídica consistente que ‘brigava’ diretamente com a poesia. Contou que na época em que fazia mestrado em Direito Público e Econômico, se obrigou a parar de escrever poesia durante um tempo. E acabou ficando meio doente. “A solidez do meu projeto literário está muito calcada nisso. Eu sou muito fascinado e desejoso dessa familiaridade do universo imediato da linguagem poética. Isso me imuniza, de certa forma. Inclusive até pela expectativa de ter leitores”, revela.
 
Acompanhe mais da conversa:
 
Ithaca Road surgiu como uma encomenda e ainda tem a previsão de virar filme. Como você lidou com essa experiência de um trabalho encomendado?

Paulo Scott. Esse livro veio de uma encomenda, mas não é uma encomenda que determinou a história. Eu não acho nada de excepcional nisso. Teve um certo período que eu tive que esquecer que era uma encomenda. Demorou um tempo, alguns meses. O negócio é tentar esquecer um pouco que você deve uma obra a alguém que tem uma expectativa de uma boa história. Talvez essa seja a grande diferença. Quando você constrói um projeto seu, sem essa expectativa da encomenda, talvez não seja tão importante você ter grandes respostas.
 
Habitante Irreal (livro de 2011) levou seis anos para ser escrito e Íthaca Road também saiu bem depois da sua viagem à Austrália. Como funciona seu processo criativo?

Paulo Scott. Eu acho que cada livro é um livro, cada processo é um processo. E sempre vem aquela dúvida se de fato você tem capacidade de contar uma nova história. Cada vez vai ficando mais difícil de contar, você vai ficando mais crítico. É difícil escrever, é uma briga. Cada vez eu fico mais lento, mais crítico, cansado e mais a fim de contar alguma coisa que valha realmente a pena. O autoencantamento não funciona comigo. Eu prefiro desconfiar de mim mesmo.
 
Você costuma se declarar poeta, apesar do sucesso dos seus romances. Como a poesia entrou na sua vida? Ela é a responsável por ter lançado a fagulha de escritor?

Paulo Scott. Eu venho de um bairro pobre, de uma família de classe média muito trabalhadora e muito determinada. E nos 80, as amigas da minha mãe que vinham de família rica, diziam: ‘Ah, você tem um filho poeta, que maravilhoso!’ E minha mãe ficava preocupada: “Não, eu quero um filho juiz” [risos]. Por isso digo que de onde eu venho, ser poeta dá um pouco de vergonha. Eu fiz poesia até os 18, 19 anos. E depois passei para a prosa. Queria escapar um pouco dessa condição de poeta. No final das contas, o que fica, no contexto da arte, é a grande poesia. Mas era um pouco de preconceito meu mesmo, uma certa vergonha de saber que eu precisava trabalhar e me emancipar.
 
O autor Paulo Scott
 
A crítica costuma te classificar  como integrante da “nova safra de autores brasileiros” ou ainda da “profícua geração sulista”. Te incomoda de algum modo essas classificações?

Paulo Scott. Não me incomoda. Acho que a classificação faz parte do modo do ser humano pensar e facilitar as coisas pra si mesmo. Podem me guardar em qualquer caixinha. Eu não me enquadro em caixinha nenhuma.
 
Há algum tipo de linguagem artística que você ainda tem interesse em explorar?

Paulo Scott. Eu já exploro, na verdade. Tenho um espetáculo chamado “A timidez do monstro”. É um trabalho que mistura vídeo e música que faço com meus amigos. Somos músicos frustrados [risos]. Mas eu meio que matei isso em mim. Foi ganhando muito espaço e não tinha muito tempo para me dedicar. Eu tenho outros sete projetos que fazem essa mistura, mas precisam de investimento. E tem também um outro lado que você fica muito marcado, acaba virando o palhaço do palco. É divertido, mas acaba ganhando mais espaço do que os livros, entende?
 
O que podemos esperar de novo por aí?

Paulo Scott. Tenho dois livros em desenvolvimento. Em O Ano Em que Vivi Só da Literatura eu faço uma pequena crítica a mim mesmo, a esse meio que me acolhe como escritor. Tem também o Marrom e Amarelo que é uma história sobre eu e meu irmão. Eu sou o ‘mais amarelo’ da família e ele é ‘mais marrom’. E tem ainda Mesmo sem Dinheiro Comprei um Skate Novo, um livro de poesia já pronto. É o relato engraçado de um dia em que passei numa loja e vi um skate novo da Loft. Eu pensei: tenho cartão de crédito (com limites altos, ainda da minha fase de advogado), vou comprar! E fiz disso, poesia. Gostaria de disponibilizá-lo de graça, digitalmente. Vamos ver se consigo.
 
 
 
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