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Deep Purple quer ainda mais rock’n’roll10. 07. 2013
 
Jim Rakete
A banda Deep Purple
Por Andréia Martins
 
Foram oito anos de espera, mas para alívio dos fãs, o Deep Purple finalmente lançou um novo disco de estúdio, o 19º da carreira da banda. O álbum Now What? (E agora? em português) traz no nome uma pergunta que parece recorrente depois de tantos anos de estrada – mais de 40 no caso dos britânicos.
 
Em entrevista, o vocalista do Deep Purple, Ian Gillan afirmou que o nome do disco – ideia sua, segundo ele, reflete a sensação da banda antes de iniciar as gravações: “todos estavam relutantes em repetir o que já havia sido feito outras 18 vezes”. Não por falta de material ou inspiração. “Faltava foco. Nós estávamos nos divertindo, tocando e ensaiando”, conta ele.
 
Quem decidiu pegar a banda pelo colarinho e colocá-la em estúdio foi o produtor Bob Ezrin, que tem no currículo trabalhos com Alice Cooper, Lou Reed, Pink Floyd, Nine Inch Nails, Peter Gabriel, Kiss, Jane's Addiction e 30 Seconds to Mars, só para citar alguns. O resultado da parceria rendeu mais um disco clássico da banda, e o favorito de Ian no quesito sonoridade.
 
Aos 68 anos, o vocalista do Deep Purple diz ter planos fora da seara musical. No entanto, nem pensa em deixar a música. Aos 68 anos, ele garante: “Queremos mais”.
 
O que levou o Deep Purple a fazer um intervalo tão longo para lançar um novo disco?

IAN GILLAN. Simplesmente não havia urgência em gravar, embora tivéssemos muito material. Faltava uma voz para decidir: é hora de gravar. Foi o produtor do disco, Bob Ezrin, quem foi atrás de nós durante uma turnê no Canadá, em fevereiro de 2012, e começou a conversar sobre um novo disco.
 
Você sempre foi muito crítico em relação a sonoridade da banda nos discos do Deep Purple. Agora, declarou que Now, What? alcançou um nível que te deixou satisfeito. O que aconteceu?

IG. Esse é um detalhe que sempre me incomodou. Nós somos uma banda ao vivo, com vigor, e nem sempre senti que nossos discos passam isso. É algo na sonoridade, algo que se perde, talvez a tecnologia, não sei. Fora Made in Japan (disco ao vivo, gravado em 1972), que para mim é nosso melhor disco, nunca conseguimos alcançar essa sonoridade ideal, a não ser agora. E nós não mudamos. Continuamos tocando como antes. Então, a única resposta que eu encontro é nosso produtor, que conseguiu esse resultado maravilhoso. Ficou perfeito.
 
Já são 42 anos desde o lançamento de Smoke on the Water, um hit que vocês também nunca tiraram do set list dos shows. Essa canção ainda é muito especial para a banda?

IG. Esta música se tornou parte da banda, nunca me cansei dela. Smoke on The Water é uma música simples, um blues, um bom riff, fácil de tocar. Todo mundo aprende. E nos shows, nós temos que combinar as coisas. O público quer ouvir as músicas que gosta e sabe cantar. Então fazemos uma mistura. Algumas músicas não tocam no rádio, por exemplo, mas os fãs adoram. Temos que tocá-las. E agora vamos colocar três ou quatro músicas do novo disco.
 
Você tem parceiros musicais de longa data, como Roger Glover (baixista do Deep Purple) e o Tony Iommi (Black Sabbath). Qual o segredo de uma boa parceria?

IG. No final, é tudo uma questão de química, assim como nas relações do dia a dia. Fiz canções incríveis não só com eles, mas com outros parceiros. Isso acontece quando você se dá bem com a pessoa. Esse é o segredo.
 
Vocês vêm frequentemente ao Brasil. Tem algum programa favorito quando estão por aqui?

IG. Bem, são mais de 40 anos de banda. Queremos mais. Somos uma banda que gosta de tocar ao vivo e ir ao Brasil é sempre um prazer. No Rio, gosto de ir à praia e tomar caipirinhas. Agora tenho amigos lá e em São Paulo. Hoje aproveito para encontrá-los, tomar uma cerveja e colocar o papo em dia.
 
Soube que você está escrevendo um livro. É verdade? É sobre música?
 
IG. É, são dois na verdade. Um mais político, outro filosófico. Mas estou sempre trabalhando em tantas coisas. Eu gostaria de nunca ter dito isso. Agora todos estão esperando e eu vou ter que terminar (risos). Vou lançá-los uma semana depois que eu morrer (risos).
 
UMA TRAJETÓRIA DE CLASSE, RIFFS E PESO
 
                                                                                                      Crédito/Jim Rakete
Integrantes da banda
 
Neto de um barítono e sobrinho de um pianista de jazz, Ian Gillan começou cantando na igreja até chegar ao status de rock star e ganhar o apelido de "voz de prata". Entrou para o Deep Purple na segunda formação da banda, em 1969. Ficou até 1973. Pouco antes de retornar em 1984, gravou um disco assumindo os vocais do Black Sabbath. Ficou no Purple até 1989. Voltou ao posto em 1992, e não saiu mais.
 
Além dele, outros integrantes saíram e voltaram para a banda. Ao todo, o Deep Purple já passou por oito formações. O troca-troca não alterou o peso e a qualidade. “As mudanças no som foram sutis, os membros, conforme entravam, traziam novas influências, seus toques pessoais, mas a base do som, o DNA da banda se manteve o mesmo. É uma instituição muito grande, uma marca praticamente, que não permite - e nem precisa - de grandes mudanças”, diz Wladimyr Cruz, jornalista, editor do site ZonaPunk.
 
Da primeira formação da banda, entre 1968-1969, apenas o baterista Ian Paice segue no grupo. Na segunda formação, de 1969 a 1973, quando a banda estourou, Paice, ao lado do tecladista, Jon Lord e do guitarrista Ritchie Blackmore ganhou a companhia de Ian Gillan e Roger Glover, esses, integrantes atuais. Estes são considerados membros clássicos da banda.
 
Musicalmente para Cruz, o Deep Purple “não surpreende, mas se mantém na zona de conforto, surpreende pela longevidade, pela disposição e pela qualidade, esta sim, marca registrada. Sua música é calçada nos anos 1970, mas ao mesmo tempo é atemporal. Riffs e músicas geniais como "Smoke on The Water", "Burn ou Highway Star" conquistam os jovens que tem seu primeiro contato com a banda, por exemplo. A música não tem prazo de validade, e sua influência passa de geração para geração”, completa o jornalista.
 
O novo disco reforça o DNA da banda: clássico nas referências aos anos 1970, com uma ou outra experimentação, e apostando naquilo que os próprios músicos reconhecem como um dos pontos altos da banda: tocar ao vivo. Para gravar Now What?, o produtor Bob Ezrin apostou no formato ao vivo, talvez o segredo da sonoridade que Ian diz ter gostado tanto.
 
“É um álbum do Purple que vale a pena conferir e que não deve ser de forma nenhuma subestimado simplesmente por não ser do marco dois ou três ou qualquer outro marco da banda. É um disco que tem uma banda coesa, entrosada, com músicos versáteis e honestos, fazendo um trabalho excelente, um rock bacana e que por essas qualidades todas merece ser valorizado e conferido”, escreveu Ricardo Pagliaro Thomaz –, do Whiplash.
 
Na hora de eleger seu disco favorito, Cruz cita Machine Head, álbum de 1972. “Foi o primeiro que tive contato, ainda bem novo. Como não se apaixonar por um álbum que abre o lado A com Highway Star e o lado B com Smoke on The Water?”.
 
OS CARAS
 
                                                                                                    Crédito/ Jim Rakete
Após um período de 8 anos, a banda lança Now What?, novo álbum de estúdio
 
Ian Gillan – vocais: além do Deep Purple e da carreira solo, Ian assumiu os vocais do Black Sabbath no disco Born Again, de 1983. Do trabalho com o grupo, nasceu uma grande amizade com Tony Iommi, guitarrista do Sabbath. Em 2012, a dupla lançou o disco Who Cares, uma surpresa no mundo do heavy metal.
 
Roger Glover – baixo: esteve presente na maior parte da trajetória do Deep Purple. Entrou na banda na segunda formação, em 1968, e ficou até 1973. Retornou em 1984, ano da grande volta da banda após um hiato de oito anos. Nunca mais saiu. Tem discos solos lançados e chegou a produzir discos de artistas como Judas Priest, Nazareth, David Coverdale, entre outros. Poucos sabem, mas o baixista também pinta quadros.
 
Steve Morse – guitarra: Da atual formação, é o que está há menos tempo na banda. Desde 1994, ele é cara dos riffs, posto que fez história no Deep Purple.
 
Don Airey – teclado: Airey teve a difícil missão de substituir o fundador da banda, Jon Lord, que ficou desde o início até 2002, e morreu em 2012 devido a um câncer. Antes do Purple, Airey tocou com Gary Moore, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Black Sabbath, Jethro Tull, Whitesnake, Rainbow, entre outros. O teclado é um dos destaques do disco Now, What?, o que foi visto por muitos como uma homenagem a Lord.
 
Ian Paice – bateria: As baquetas do Deep Purple foram domadas sempre pelas mesmas mãos, a de Paice. Da cozinha, ou melhor, do fundo do palco, ele assistiu às diversas formações da banda, viu amigos chegarem e saírem, e assistiu às apresentações explosivas da banda encarando a plateia. Tocou com outros artistas como músico convidado, mas sua casa sempre foi o Deep Purple.
 
5 CURIOSIDADES SOBRE O "SMOKE ON THE WATER", UM DOS MAIORES HITS DO DEEP PURPLE
 
O hit máximo do Deep Purple – mesmo quem não gosta lá muito de rock reconhece o famoso riff – integra o disco Machine Head, de 1972. Você sabia...
 
1. A música foi inspirada em um incidente durante a gravação de um disco em Montreaux, na Suíça. O cassino que pertencia ao complexo onde ficava o estúdio pegou fogo, e a fumaça chegou ao lago Genebra. Por isso o nome “fumaça na água”. Na hora do incêndio, Frank Zappa tocava no local.
 
2. Embora o disco tenha sido lançado em 1972, a banda só lançou a música como single no ano seguinte. Ian conta que eles não esperavam que a música fizesse tanto sucesso.
 
3. O riff nasceu de uma jam entre o guitarrista Ritchie Blackmore e o baterista Ian Paice.
 
4. A música chegou a bater um recorde por reunir o maior número de guitarristas tocando ao mesmo tempo. Aconteceu no Kansas City, nos EUA, em 2007. Ao todo, 1.721 guitarristas se reuniram para tocar o riff de Smoke on the Water. A marca só não entrou para o livro dos recordes porque no mesmo ano 1.730 guitarristas se reuniram na Índia para tocar juntos "Knockin on Heaven's Door".
 
5. O tecladista e um dos fundadores da banda, Jon Lord, dizia que a música deveria se chamar "Durh Durh Durh". Era como o grupo traduzia o som do riff.
 
 
Comentários (1)
marcio silva de almeida - 06/09
Ouvi algumas faixas do novo album, mas nunca cheguei a compra-lo.
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