Olá Visitante, seja bem vindo!
Faça Login ou Registre-se
Artes
Filmes e Séries
Games
Literatura
Música
Quadrinhos
Home > Para Ler > Matérias
Vozes que fizeram história03. 05. 2010
Filmes e Séries


   Por Mariana Rodrigues


Por algumas décadas, a narração dos jogos de futebol era feita exclusivamente nas rádios. Torcedores grudavam seus ouvidos nos alto-falantes para acompanhar cada lance. Com a invenção da televisão, foi possível fazer o mesmo, com seus próprios olhos, mas sem perder a figura do narrador em cada jogada. A técnica é diferente, por isso até hoje há quem prefira uma maneira à outra.

Era 1931 quando pela primeira vez os ouvintes paulistas puderam acompanhar uma irradiação ao vivo de um jogo de futebol. Estreando na transmissão, Nicolau Tuma (1911-2006), na Rádio Educadora Paulista. O pioneirismo foi marcado também por uma estrutura precária. Sem repórteres, Tuma precisou se desdobrar para passar as informações aos ouvintes. Os jogadores não tinham números nas camisas, então, o narrador foi, antes do jogo, até o vestiário decorar os rostos e nomes de todos. Nicolau Tuma ganhou até um apelido: speaker metralhadora. Speaker era o nome dado aos narradores na época. E metralhadora pela velocidade com que ele narrava.

Nas Copas, a primeira a ser transmitida ao vivo foi a de 1938. Gagliano Neto foi o único a irradiar os jogos pela Rádio Cruzeiro do Sul (RJ). Outro que se destacou foi Jorge Curi (1920-1985), que narrou nove Copas do Mundo. “Adorava as narrações do saudoso Jorge Curi. Ele fazia realmente com que a gente, mesmo longe do estádio, estivesse vendo o jogo”, conta o ex-jogador Junior, autor do livro Minha paixão pelo futebol (Rocco).

Contemporâneo de Jorge Curi, Waldir Amaral (1926-1997) trabalhou em diversas rádios. Ficou conhecido pelos bordões que criou, pelos apelidos que dava aos jogadores e por uma narração mais “show” ou “artística”, como alguns chamam. “Adorava o Waldir Amaral, da Rádio Globo. Com ele ouvi o Botafogo ser bicampeão carioca em 67 e 68. Ele usava ótimos bordões como ‘Tem peixe na rede...’, era muito criativo”, diz Fernando Molica, jornalista e autor do livro O misterioso craque da Vila Belmiro (Rocco).

Os bordões se tornaram marcas registradas de muitos narradores. Amaral criou o apelido de Zico, “Galinho de Quintino”, que o acompanhou por muito tempo, e a frase: “Deeeeez, é a camisa dele!”

Fiori Gigliotti (1928-2006) – que narrou dez Copas do Mundo – foi quem criou a célebre “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, além de “E o tempo passa...” e “Aguenta coração”.

Gigliotti é um dos nomes de referência quando o assunto é narração esportiva, assim como Pedro Luiz e Edson Leite, que dividiram a locução da final da Copa de 1958 entre Brasil e Suécia. Pedro Luiz ficou com o primeiro tempo e Leite com o segundo, pela Rádio Bandeirantes. Naquele dia, as emissões alcançaram inacreditáveis 90% do Ibope.

José Silveiro cobriu todas as Copas desde 1978, foram 25 anos trabalhando na Rádio Jovem Pan, quando foi para a Rádio Bandeirantes. Em 1986, durante um treino, foi impedida a transmissão a pedido do técnico da seleção – Telê Santana. Ele improvisou, subiu no telhado de uma casa vizinha e de lá narrou, com a ajuda de um repórter de campo que passava as informações que não estavam no campo de visão de José Silvério. O locutor é conhecido também pelo “e que golaço”.

Osmar Santos é outro nome. Foi do rádio para a televisão. Era comum, quando ele ainda narrava os jogos pela rádio, as pessoas o ouvirem vendo o jogo pela TV, sem som. Já na TV, primeiro na Globo, depois na Manchete, narrou as Copas de 1986 e 1990, respectivamente. Seus bordões eram repetidos pelos torcedores, entre eles, “este grito estava entalado na garganta de um povo sofrido que tem no futebol o direito de expressar suas ideias e emoções!”.

“Uma locução que me marcou bastante foi a de Osmar Santos, pela televisão, na Copa de 1986. Ele é um dos grandes narradores (para muitos, o maior) da história do futebol brasileiro. Ele, como todo bom narrador, conseguiu transmitir a emoção daquelas partidas tão importantes com qualidade e sem qualquer exagero”, diz o coautor do livro Copas do Mundo (Novatec), Gustavo Longhi de Carvalho.

 

Pela telinha

Outro que saiu da rádio e migrou para a TV foi Geraldo José de Almeida (1919-1976). Na rádio, narrou as Copas entre 1954 e 1966. Passou pela TV Excelsior e em 70 foi para a Rede Globo. Lá, narrou a vitória do Brasil na Copa de 1970, junto com João Saldanha. “Minha primeira Copa foi a de 70, quando o Brasil foi campeão. Vi os jogos narrados pelo Geraldo José de Almeida. Ele sabia narrar para a TV, se desgrudou da linguagem do rádio, não ficava detalhando cada lance. O melhor: ele não gritava "Gol!", gritava "Olha lá, olha lá, olha lá... no placar!", relembra Fernando Molica. Almeida também inventava bordões, como “linda, linda, linda” e “que é que é isso, minha gente?”.

Para a comentarista esportiva Soninha, três nomes se destacam na história dos narradores na TV: “Luciano do Valle, Osmar Santos e Silvio Luiz – o primeiro, pela paixão genuína que expressava, e por usar um jeito mais coloquial, mais à vontade do que a geração anterior de narradores. Santos, pela criatividade, a simpatia, a sinceridade. E o Silvio Luiz pela irreverência, o modo como trata o futebol como algo menos ‘sagrado’, o que vem bem a calhar em alguns momentos”, explica.

Silvio Luiz é o responsável por várias frases criadas para diferentes momentos, entre elas: “Olho no lance”, “Pelas barbas do profeta!”, “O que foi que só você viu?” e a “Sai loca!”, esta usada em jogos do Brasil. Luciano do Valle foi o principal nome da Rede Globo após a saída de Geraldo José, quando narrou a Copa de 1978 e 1982. De mudança para a Rede Bandeirantes, cobriu a Copa de 2006.

Outro nome atual da transmissão em TV aberta é Galvão Bueno. O criador de “Bem Amigos da Rede Globo” iniciou suas narrações em Copa em 1978, antes de entrar na equipe da Globo, onde está desde 1982. Emocionado, após a conquista do tetra, disse: “É tetra, acabou! É tetra, acabou”. Mesmo ano em que imortalizou o “Vai que é sua, Tafarel”.

Os estilos diferentes de narração são os motivos que fazem hoje o torcedor optar por acompanhar uma partida pelos canais abertos ou a cabo. “Gosto do pessoal do Sportv, são locutores mais discretos. O problema dos locutores das TVs abertas é que, principalmente em copas do mundo, eles precisam narrar para pessoas que raramente veem futebol. Mais do que narradores, eles se tornam animadores de torcida (não podem deixar que as TVs sejam desligadas). Nisso, acabam falando demais, comentando muito os jogos. Gosto dos narradores que dizem os nomes dos jogadores. O Luís Roberto, da Globo, transmite em canal aberto, mas é muito bom: sabe o nome de todo mundo que está em campo, isso é fundamental para quem vê o jogo”, explica Fernando Molica.

Soninha também ressalta as diferenças. “Temos a TV a cabo, que também é muito importante por oferecer outro padrão, mais informativo, equilibrado, ‘jornalístico’ (diferente do modelo ‘entretenimento acima de tudo’ da Globo). Os mais destacados, aqui, são Paulo Soares e João Palomino, da ESPN-Brasil; na Sportv, o destaque é o Milton Leite”. 

 

Narrações marcantes 

Marcelo Duarte: “Eu me emociono muito com as narrações de Geraldo José de Almeida na Copa de 70. No rádio, eu gosto do José Silvério.” 

Soninha: “A Copa em si foi muito marcante para mim, lembro principalmente do Luciano do Valle em 1982.”

José Renato Sátiro Santiago Jr.: “Pedro Luiz talvez tenha sido um dos mais importantes, o grande responsável pela formação desta cultura do narrador, no entanto, não posso deixar de destacar Fiori Gigliotti, que tinha uma maneira toda particular de levar emoção a uma partida”. 

Milton Leite: “Lembro que na Copa de 70 só havia um canal de áudio para o Brasil e os locutores das diversas rádios se revezam para transmitir em rede, meia hora cada um. E lembro que na final o Joseval Peixoto da Jovem Pan, que narrou a meia hora final, foi quem gritou que o Brasil era tri. Depois tive a felicidade de trabalhar com ele na mesma Pan, nos anos 90, quando ele já não narrava mais, mas atuava (e permanece até hoje) como âncora do Jornal da Manhã.” 

Mauro Beting: “O gol de Maradona contra a Inglaterra, em 1986. A narração de (Victor Hugo) Morales é histórica como o gol.”

 

Ouça as narrações dos locutores que fizeram história:

> Edson Leite, Waldir Amaral, Jorge Curi, Pedro Luiz, Geraldo José de Almeida, João Saldanha, entre outros

 > Narrações, informações e entrevista com Jorge Curi

> Seleções de áudios de narrações do Vasco da Gama, com Jorge Curi e Waldir Amaral, entre outros

> No site oficial de Luciano do Valle há algumas opções para download de narrações, como a final da Copa do Mundo em 1994

 

> Waldir Amaral narra o  milésimo gol do Pelé



 

> Copa do México, 1970: Brasil x Itália, por João Saldanha e Geraldo José de Almeida



 

> Narração da partida entre Flamengo e Palmeiras, em 1979, por Fiori Gigliotti





> Narração de jogo do Flamengo, em 1980

 

> Eliminatórias da Copa do México, de 1986, por Galvão Bueno 

 
 

> Copa do Mundo de 1986, por Osmar Santos



 

> Copa do México, 1986: Argentina x Inglaterra, por Victor Hugo Morales




> A campanha da seleção brasileira nas Olimpíadas de Seul, em 1988, por Silvio Luiz 

 

> Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul, em 2002. A conquista do Pentacampeonato



 

 

Comentários (6)
JEOVA MARCOS DA SILVA - 20/04
ELE FOI UM MONSTRO DA NARRAÇAO ESPORTIVA.QUE SEU ESPIRITO DESCANSSE EM PAZ.
benedito ubirajara oliveira - 21/10
Gostaria de saber se Milton Leite é parente do saudoso Edison Leite
benedito ubirajara oliveira - 21/10
Emociona-me e, muito, ouvir as vozes do trio de ouro do rádio brasileiro: Fiori, Edison Leite e Pedro Luiz. Que saudades!
francisco da motta - 14/11
futebol de ouro kara não da esquecer
francisco da motta - 14/11
que saudade tempo futebol de ouro jogadores como jairzinho e paulo cesar
claudio - 23/06
É fabuloso ouvir estes homens que colorem e coloriram o esporte pela suas palavras, deixando um legado nos meios de comunicação. Pelas suas Palavras, conseguiamos ver com clareza os lances dentro e fora de campo,onde aprendemos o que é vibrar..., pois são pessoas que passam suas aflições, decepções e alegrias contagiando seus ouvintes. Parabéns aos profissionais que se foram, deixando saudades e respeito pela paixão com que "nos faziam ver" na narrativa. E nesta intersecçaõ de talentos, com o aprendizado dos grandes mestres onde se ajustou as formas e modos da narrativa, pelos que estão na ativa, meus mais sinceros OBRIGADO, pela DEDICAÇÃO, EMPENHO, que continua nos fazendo vibrar. grande abraço
Comente você também!
Nome

Mostrado junto ao comentário
Email

Não mostrado junto ao comentário
Postar Comentário
CAPTCHA
Copie os caracteres que
aparecem na figura ao lado

Notícias
Visite nosso site de vendas
Arquivo
powered by Brado! Networks