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A artista plástica Nina Pandolfo e suas meninas07. 11. 2011
Artes
Por Carolina Cunha
Na foto, Nina Pandolfo

Dia de chuva em São Paulo. No seu estúdio, no bairro da Aclimação, a artista plástica Nina Pandolfo, 34, divide espaço com tintas, plantas e dois gatos. “Estou fazendo uma produção para uma exposição que vai ser feita em maio na Inglaterra”, comenta. Em um dia normal, ela costuma entrar às 9 horas da manhã e sair apenas à noite. Não reclama. Ela faz o que sempre quis. E pintar, para ela é como sonhar. O tempo simplesmente voa.
 
Nas paredes, lá estão suas telas. Com cabelos coloridos, infantis, ingênuas, sensuais e até mesmo melancólicas. Em comum, seus grandes olhos, que veem tudo que sai da imaginação de Nina. As inconfundíveis bonecas são o tema principal da obra dessa artista paulista e estão em muros e galerias de muitas cidades.

Carina Arsenio, a Nina, faz parte da geração de artistas brasileiros que cresceu grafitando nos anos 90 e levou o grafite das ruas para os museus e galerias de arte. Agora, com 20 anos de carreira, a artista acaba de lançar Nina (editora Master Books), livro que traz uma seleção de imagens que retratam sua trajetória.

O projeto nasceu por acaso. Ao folhear um livro de arte, Nina comentou com amigos que, um dia, teria o dela. Pouco depois, durante a feira SP Arte, a artista conheceu a apresentadora de TV Eliana. Colecionadora de arte e dona da editora Master Books, Eliana a convidou para criar um livro sobre sua obra, com toda a liberdade para decidir o formato.

“Fiz o livro da mesma forma que faço meus quadros. Queria olhar e me ver”, conta Nina, que participou de todas as etapas. O mais difícil foi selecionar as imagens. “Partia o coração tirar alguma obra. A editora reclamava: a cada hora você vem com um livro!”, ri.
 
Nina começou a pintar ainda criança. Caçula de cinco filhas, vivia no quintal da casa, falando com bichos, brincando com plantas e colorindo livros. Depois, quando uma irmã mais velha se casou, a pequena ficou fascinada por desenhar vestidos de noiva. Aos 14 anos, decidiu que queria ser artista e ingressou no curso de Comunicação Visual da escola técnica Carlos de Campos, em São Paulo.
 
A primeira pintura com spray veio em 1992, aos 15 anos de idade. No colégio, Nina conheceu alguns alunos que, influenciados pelo hip-hop, estavam experimentando o grafite. Entre eles, garotos que mais tarde se tornariam grandes nomes do street art brasileiro, como Speto, Onesto e os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, da dupla OsGemeos.
 
Grafite no bairro do Bexiga em São Paulo
 
Mas foram OsGemeos que mudaram sua vida. “Eles me ensinaram tudo que aprendi”, lembra Nina. Durante uma mostra de artes do colégio, Otávio e Nina engataram um namoro e, desde então, não desgrudaram mais. Já são casados há dez anos e comemoram mais de duas décadas de parceria amorosa e artística.
 
“O Otávio foi praticamente meu professor. Na primeira vez que pintei um grafite, ele pegou duas latas e falou: pinta o que você quiser”. Naquele tempo, ela acompanhava Otávio e seus amigos nas andanças por São Paulo, à procura de muros vazios. Nesses “rolês”, Nina, na maioria das vezes, era a única menina. Ela diz que nunca sofreu discriminação.
 
“A gente se via de igual para igual. Alguns amigos falam que eu tinha tanto pique quanto qualquer menino. Pintar na rua era um esforço físico, tinha que carregar o peso das tintas, a escada. Eu ficava de canela roxa, detonada. Saia às nove da manhã e voltava às 18h. Era a minha balada”, lembra.
 
Os primeiros desenhos foram letras com seu nome estilizado, depois vieram criações mais elaboradas, com elementos da natureza e as famosas bonecas que habitam seu universo imaginário. “Não vim do universo hip-hop e não fazia o que todo mundo faz. Queria pintar o que gosto. Pintava meninas com laços enormes. Se era grafite ou se não era, não importava”, explica a artista. 
 
Mural de Nina em rua de Barcelona Espanha
 
Nina não gosta de ver seu trabalho taxado como “grafite de mulher”. Ela prefere dizer que pinta o que gosta. E o seu jeito doce gosta de ver as coisas com curiosidade e romantismo. “Eu acho que o universo feminino é encantador. A mulher tem força para muita coisa e, ao mesmo tempo, consegue ser delicada. Acho isso o máximo.”
 
Outro tema comum são os bichos e insetos. Gatos, vagalumes, abelha, joaninhas. Todos já foram pintados nos jardins de suas telas. “Bichos são diferentes. A gente deixa de reparar em detalhes que são tão valiosos, que fazem com que a gente tenha um momento de alegria. Faço isso quando coloco insetos”, comenta.  
 
A artista é fofa até mesmo quando não quer ser. Num mural feito em Munique (Alemanha), ela pintou uma cena com crianças iraquianas e soldados americanos. “Queria ser muito agressiva nesse trabalho. Na época, eu estava com tanta revolta e queria chocar. Mas quando olhavam, diziam: que fofo, que bonitinho! Mas não tinha nada disso ali”, brinca. 
 
O caminho das criações nas ruas para a galeria aconteceu gradualmente. Em 2002, fez sua estreia no exterior, onde participou com alguns quadros da coletiva I Don’t Know, na Die Farberie, em Munique. Desde então, participou de exposições e projetos em países como Espanha, Cuba, Estados Unidos e Índia.
 
Um dos projetos mais marcantes foi em 2007, quando embarcou para a Escócia com OsGemeos e o grafiteiro Nunca para pintar a fachada do histórico castelo Kelburn, que data do século 13. O resultado agradou tanto que virou uma importante atração turística da cidade.
 
Apesar de exposições fora do Brasil, foi somente em 2008 que Nina alcançou projeção no meio artístico brasileiro. Naquele ano, o galerista Eduardo Leme a convidou para sua primeira mostra individual no Brasil, na Galeria Leme. “Aos nossos olhos” foi um sucesso e, antes mesmo da abertura, todas as obras já haviam sido vendidas. Na galeria de concreto, os destaques foram as bonecas de látex que Nina havia produzido.
 
“Essa mostra foi uma surpresa para mim. Você ser reconhecido fora do Brasil é legal, mas o seu país achar que você tem valor é muito melhor” conta Nina, hoje representada pela Galeria Leme.
 
Obra exposta na galeria Maskara em Mumbai na India 
 
Nina decidiu abraçar de vez as artes plásticas e sua multiplicidade. Hoje, quer experimentar cada vez mais formatos, produzindo telas, esculturas e instalações. Em suas obras, utiliza e mistura materiais como cristais, renda, lantejoula, lâmpadas, vidro e ferro.

Agora com o livro em mãos, Nina olha para sua trajetória e se sente mais amadurecida. Espera, assim como suas meninas, nunca perder o brilho do olhar. “Eu vejo que estou engatinhando, estou subindo. No futuro, quero ficar velhinha e continuar fazendo o que amo”.

 
Comentários (10)
yonara - 09/04
A grafitagem da menina nao aparece nesse site mas podem procurar no google imagens que vcs acham.
yonara - 09/04
parabens nina pelo seu trabalho! estou estudando em artes sobre seu trabalho que é muito bom. UMA COISA QUE EU FIQUEI CURIOSA FOI QUE SE PRESTARMOS ATENÇAO NO DESENHO DA MENINA DE CABELO COMPRIDO PERCEBEMOS QUE O FORMATO DO CABELO VAI FORMANDO O NOME "VINCI" QUE É O SEGUNDO NOME DE LEONARDO DA VINCI (NAO SEI SE É ILUSAO)MAS DE QUALQUER FORMA FICOU MUITO INTERESSANTE.
Maria Eleni Matos - 10/03
Parabéns Nina,pelo o seu excelente trabalho, são lindos suas obras...estamos trabalhando uma sequencia de artes na nossa escola e está sendo muito aceito pelos alunos. eu amo o colorido que você faz. beijão.
PATRICIO AYALLA - 18/02
Nina, bom dia! Seus trabalhos são fantásticos. Meu nome é Patricio e gostaria de conversar contigo sobre uma ideia que tenho. Espero que topes. Um grande abraço e obrigado pela atenção. P. A.
Daniela Cristina Godoy - 06/11
Eu achei muito interessante pois a menina que tem o cabelo gigante isso é muito bom ver que tem gente que gosta de arte plástica eu tenho uma amiga que a professora mandou fazer um desenho e ela fez a menina de cabelo comprido ficou lindo e é mesmo lindo
Renata Chiavari - 06/10
Oi Nina, assisti ontem a reportagem que Serginho Goisman fez sobre a sua exposicao e fiquei encantada ! Sou professora de arte na rede publica do estado de Sao Paulo e sempre trabalhei com "Os Gemeos" e agora vou apresentar o seu trabalho para os meus alunos junto com as obras de Gustavo e Otavio .Parabens pelo olhar que voce imprime na sua obra,estou pesquisando bastante na internet para poder conhecer um pouco mais sobre a sua arte....
clara - 29/09
Você é simplesmente sensacional, aquela pessoa que Deus enviou para abrilhantar nossos olhos.
roseliy cedro - 11/07
Vi vc na TV recentemente e fiquei encantada com seus trabalhos.
marcia de oliveira - 16/04
muito lindo o seu trabalho fiquei encantada...
Constança - 08/11
muito legal - parabéns
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