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Livro 'A Arte do Rock' relembra peças gráficas criadas para grandes bandas 10. 11. 2011
Literatura
Por Eduardo Lemos e Luiz Filipe Tavares
Na foto, cartaz promocional de coletanea Pink Floyd na Suecia em 2006

Não foi só a música que marcou a vida de milhões de aficionados pelo rock produzido entre as décadas de 60 e 80. A prova disso está no livro A Arte do Rock, recém-lançado pela Companhia Editora Nacional no Brasil. Capas de disco, cartazes de shows, anúncios de jornal, displays colocados em lojas e crachás de bastidores, entre outros itens, estão no livro de Paul Grushkin, um historiador americano especializado em música e em coleções. A obra reúne uma infinidade de peças gráficas criadas por bandas como Rolling Stones, Pink Floyd e Led Zeppelin.

Lançado em outubro de 2010 na Inglaterra e nos Estados Unidos, o livro tem como base a coleção particular de Rob Roth, um produtor de shows da Broadway com envolvimento direto no universo do rock. Ele juntou, durante décadas, diversas peças que chamou de “coisas incríveis do rock”, incluindo alguns itens de campanhas criadas para os maiores músicos do gênero. “O Rob amava colecionar essas peças promocionais. Ele pressionava todos os seus amigos das lojas de discos para guardarem para ele tudo o que estava pendurado nas paredes e no teto”, conta Grushkin, em entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo.

Grushkin é, de fato, um especialista no assunto. Dentre os diversos livros que lançou, dois possuem temática semelhante: The Art of Rock: Posters from Presley to Punk (1987) e The Poster Explosion (2004). Para ele, a arte produzida por (e para) bandas de rock tinha uma função que ia muito além da divulgação e da construção da imagem do grupo. “Houve um tempo em que as lojas de disco existiam”, diz. “Nessas lojas, havia imagens promocionais dos músicos, das bandas e de seus mais recentes discos. E os próprios álbuns, nas prateleiras, também eram obras de arte. Então você olhava para toda aquela arte gráfica e dizia: ‘cara, isso é demais’. Me perguntava: ‘como é esse som?’. Essas artes te levavam até a música”, observa ele.
 
Cartaz Rolling Stones 

Em A Arte do Rock, oito ícones do gênero ganharam um capítulo exclusivo: Rolling Stones, Pink Floyd, The Who, Led Zeppelin, David Bowie, Alice Cooper (que assina o prefácio), Elton John e Queen. “A escolha dos artistas partiu de Rob. São aqueles que ele julga que detêm os materiais promocionais melhores e em maior quantidade”, diz Paul.

Cada capítulo cobre uma determinada ação, enfocando turnês e álbuns para mostrar as mudanças no design e estilos gráficos. Dentre os homenageados, o escritor fica entre “o rock” e “a arte”. “Eu tenho muito respeito pelo Who e pelos Stones. Estive em grandes concertos dessas duas bandas. Mas, no processo de produção do livro, o que mais me impressionou foi a arte de Alice Cooper. Era tudo muito selvagem e pensado para conseguir uma certa reação. E a música não é nada se não tem uma reação”, analisa.

Sua escrita direta e com forte enfoque histórico é importante para colocar as imagens em contexto, descrevendo o desenvolvimento dos grupos e suas ações em termos de apresentação visual, além de discutir a arte gráfica e seus criadores. Todos os itens apresentados têm legenda e, em geral, destacam o excesso às vezes exorbitante, a inegável criatividade e as despesas monumentais envolvidas na promoção do rock nos anos 70, 80 e 90.

A diretora editorial da Companhia Editora Nacional, Silvia Masini, lembra que, em A Arte do Rock, houve um cuidado especial para que os fãs tivessem uma experiência semelhante à de Paul Grushkin ao conhecer os arquivos de Rob Roth. “Existem imagens que são tão antigas que você consegue enxergar o vinco da dobra do pôster”, diz. “Bem, por se tratar de um livro que retrata uma coleção, rico em imagens e de um colorido extremo, não poderia ser de outro jeito: ele precisava vir num ‘formato de álbum’, para que o aficionado por Rock pudesse também ter a sua”.

Retomada
 
Anuncio comemorativo Led Zeppelin na Impensa 1973

Os caminhos que unem a arte e o rock, embora continuem a se entrelaçar, já não são os mesmos. “Os tempos mudaram”, diz Paul Grushkin. “Além do [site] Gigposters, não há muito mais arte desse tipo sendo produzida, infelizmente.”

Mas há em curso o que aparenta ser uma retomada da valorização da arte produzida para a música. Em outubro, a MTV criou uma nova categoria para o Video Music Brasil 2011, e cinco artistas concorreram ao inédito prêmio de “Melhor Capa”. A vencedora foi a estilista paulistana Rita Wainer, responsável pela arte que embalou o último disco da cantora Tiê. “A capa do disco é o primeiro contato ‘físico’ que o fã tem com o artista. É importante pensar junto e tentar chegar ao lugar que o artista quis atingir com suas canções”, explica.

Para Rita, a “nova era” da música – em que os artistas trabalham também como divulgadores e produtores de sua obra – possibilita uma maior interação entre a arte... e o rock. “Agora que o material gráfico não fica só aos cuidados das gravadoras, há mais liberdade de escolha”, diz ela. Paul Grushkin também vê com bons olhos o futuro, principalmente na arte criada para divulgação de shows.

“Hoje, na ausência de arte promocional nas lojas e capas grandes do formato LP, a garotada que consegue música trocando arquivos MP3 está desesperada por arte gráfica, e esse desespero está marcando uma nova ascensão dos pôsteres de shows”, acredita.

Outros livros sobre o tema:

The Art of British Rock (2010): Compêndio de pôsteres, flyers e material promocional de bandas britânicas desde os anos 50 até a primeira década do século XXI. Autores: Peter Blake e Mike Evans.

Stickers - From Punk Rock To Contemporary Art: 4 mil adesivos ligados à cultura do faça-você-mesmo, que vai desde bandas punk até o trabalho de street artists conhecidos do calibre de Banksy e Swoon. Autores: Shepard Fairey, Db Bukerman e Monica Locascio.

Art of Rock: Posters from Presley to Punk: Coleção do mesmo autor do nosso livro, que reúne pôsteres de shows entre 1950 e 1990. Autor: Paul Grushkin.
 


 
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