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Isabel Allende se inspira em drama familiar em seu novo livro, 'O Caderno de Maya'15. 12. 2011
Literatura
Divulgação
Por Luma Pereira
A escritora Isabel Allende
 
8 de janeiro não é uma data comum para a escritora chilena Isabel Allende. É neste dia e mês que costuma começar a escrever seus livros. Foi assim com A Casa dos Espíritos (1982) e provavelmente com O Caderno de Maya – que acaba de ser lançado em português brasileiro.
 
A obra conta a história de Maya Vidal, jovem de 19 anos que se envolve no mundo das drogas, do crime e da prostituição. “Trata-se de uma obra que se diferencia das anteriores pela contextualização na atualidade”, afirma Cinara Ferreira Pavani, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
Após a morte do avô, com quem a protagonista se identificava muito, ela passou a agir com rebeldia. “O Caderno de Maya tem um tom confessional, que atrai e sensibiliza o leitor desde as primeiras linhas”, afirma a professora.
 
“De escrita livre e fluída, esse novo livro é mais uma das histórias de Allende bastante imergentes, com uma cadência suave e um ritmo interessante”, diz Solange Cosme, leitora que costuma se identificar muito com as personagens criadas por Isabel.
 
E completa: “De leitura agradável e relaxante, aposta nos valores do amor e da família como pilares fundamentais na construção da vida”.
 
Então, a protagonista passa a escrever no diário – um presente da avó – sobre a viagem que fez de São Francisco, nos Estados Unidos, a uma ilha do Chile. “Mas a viagem de Maya não se realiza apenas no plano geográfico, mas também no tempo”, diz Cinara.
 
A professora observa, no livro, um aspecto recorrente na literatura de Isabel: a salvação pelo discurso (escrever no caderno/diário). “Os romances se configuram como metáfora do poder transformador da literatura – as personagens, como Sherazade, se salvam pela habilidade de narrar”, explica.
 
A própria experiência da autora é material para esse romance. Ela conta que, desde que se casou com o promotor William Gordon, há 25 anos, se interessa pela questão das drogas. Os três filhos dele têm problemas com isso e, então, ela viveu tudo de perto.
 
Editado pela Bertrand Brasil, a tradução da obra ficou a cargo de Ernani Ssó. Esse é o quarto livro da escritora que ele passa para o nosso português, e conta que demorou quatro meses para concluir o trabalho. “Ela usa um espanhol corrente e direto, sem muitas expressões idiomáticas e gírias”, comenta. “Me preocupo com o ritmo do texto. A última revisão é ler o livro para ver se as frases não soam esquisito em português”, completa.
 
Uma Allende, Isabel
 
Filha do diplomata Tomás Allende e sobrinha do ex-presidente chileno Salvador Allende, Isabel leva um sobrenome já famoso desde que nasceu, no Peru, em 2 de agosto de 1942. Logo ela voltou para o Chile, país que considera sua terra natal, apesar de atualmente morar nos Estados Unidos.
 
Sua vida é marcada por eventos históricos, como o momento em que seu tio foi tirado do poder. Após o golpe militar de Augusto Pinochet, o clima instável do Chile fez a família Allende se refugiar na Venezuela, onde viveu de 1973 a 1984.
 
Antes de publicar obras literárias, trabalhou como jornalista de periódicos, revistas femininas e também na televisão. Atribui o sucesso como autora ao poeta Pablo Neruda, que a incentivou a interromper a carreira como repórter e se aventurar na literatura.
 
“Isabel Allende se beneficia de toda a literatura latino-americana produzida nos anos 60 e 70. Autores como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa seguramente fazem parte do cânone literário da autora”, afirma Lélia Almeida, especialista em literatura latino-americana feminina.
 
Isabel Allende
 
Para Cinara, duas influências podem ser observadas na obra da autora: As Mil e uma Noites – contar histórias para sobreviver – e o Realismo Mágico, comum na literatura latino-americana. Trata-se da interferência de elementos fantásticos na narrativa realista.
 
“Nos romances, a história da América Latina, território mágico, é contada pela ótica das mulheres, constituindo-se como uma ruptura com a tradição histórica de base patriarcal”, comenta a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
A escritora chilena influenciou a obra de vários autores, em sua maioria mulheres latino-americanas, como a brasileira Nélida Piñon, em República dos Sonhos (1984), que apresenta em seus escritos características semelhantes ao estilo de Isabel.
 
Uma estante toda dela
 
Isabel Allende se inspira em fatos reais, experiências próprias e acontecimentos familiares para escrever suas obras. Além disso, a temática da representação da mulher e a inclusão de elementos históricos também são bastante recorrentes.
 
Ela é conhecida tanto por livros autobiográficos, como Meu País Inventado (2003), quanto por romances. “O sucesso das obras ficcionais e autobiográficas associa-se a um grande imbricamento entre vida e ficção na criação da autora”, acredita Cinara.
 
“As personagens femininas dos romances são mulheres fortes, sempre envolvidas com projetos de autonomia e realização”, afirma Lélia. E completa: “São comprometidas com a libertação das outras mulheres, de situações de violência ou submissão”.
 
“As narrativas têm como pano de fundo a história de países da América Latina, representada a partir de sua formação, suas dificuldades, suas revoluções, seus governos ditatoriais”, acrescenta Cinara.
 
O Caderno de Maya não é um romance histórico, diferentemente das obras que consagraram a escritora”, comenta Aquiles. Mas existem semelhanças entre esse novo livro e os outros escritos por ela.
 
“Estão lá, mais uma vez, lendas e mitos chilenos, certo misticismo e, sobretudo, a história política do Chile, que aparece amiúde em sua obra, explícita ou implicitamente”, completa o crítico literário.
 
Uma de suas obras mais importantes, a já citada Casa dos Espíritos, ganhou adaptação cinematográfica em 1993. Com direção de Bille August, o filme contava com a atuação de Meryl Streep, como Clara del Valle Trueba, e Jeremy Irons como Esteban Trueba.
 
“Ela narra a saga de uma família oprimida pelo patriarca Esteban, a partir da voz da neta Alba, que representa o ponto de vista feminino da história da família e de seu país, que passa por sérias dificuldades no âmbito político e social”, conta a professora.
 
Outra obra memorável da carreira da autora é Paula (1995). “Foi escrita com o intuito de registrar memórias para a filha em coma devido a uma grave enfermidade. Trata-se de um livro que tenta exorcizar o fantasma da morte através da escrita”, afirma Cinara.
 
Eva Luna (1989) também merece destaque. “A personagem é influenciada pela narrativa árabe, que se caracteriza pela narrativa de uma mulher que conta histórias para sobreviver em um contexto dominado pelos homens”, diz a professora.
 
São muitas as obras de sua autoria: De Amor e de Sombra (1984), O Plano Infinito (1991), Afrodite (1997), Zorro: O Começo da Lenda (2005) e A Ilha Debaixo do Mar (2009). São mais de 10 livros escritos ao longo da carreira.
 
O mais recente é o já citado O Caderno de Maya, até que chegue novamente o dia 8 de janeiro, e Isabel Allende comece a escrever o próximo.
 
Comentários (15)
Thiago Sousa - 15/07
Por favor alguém me ajude, queria saber como se da a representação feminina na obra de amor e de sombras
Consuelo Melo - 29/06
Sou uma leitora assídua das obras de Isabel Allende, finalizei recentemente o Caderno de Maya, história muito envolvente e também triste. Há possibilidade de me informarem como vive atualmente a personagem Maya Vidal?? Conseguiu de fato superar o vício?? Uma história quase tão magnífica quanto a Casa dos Espíritos.
maria da paz - 23/05
Amo Isabel Allende.Leitura simples e de uma sutileza em detalhes que apaixonam.Minha escritora favorita,claro depois de Cecília Meireles.Compro o que posso das duas pois me fazem muito feliz.Muitos anos de vida e de bons livros caríssima Isabel. Ah.consegui tirar uma foto com voce,Jorge Amado,em Salvador.É relíquia.
Rosemari Silva - 12/03
Amo a obra desta autora sensacional e gostaria muito de um dia escrever como ela!!!!!!!!!!!!!!
silvana serafim dos anjos barroso - 14/02
Uma das minhas autoras prediletas, Isabel Allende é maravilhosa, pois consegue com seu jeito simples de escrever nos levar para realmente ela deseja. Li, Filha da fortuna e logo em seguida Retrato em sépia. Sou apaixonada por suas escritas.
keyth mycheline de oliveira - 07/12
Isabel Allende toca a alma feminina e a reproduz como se o fizesse com uma câmera fotográfica, essa mulher sexualizada e que utiliza da literatura e da narrativa para exorcizar-se. Desta forma, semelhante ás personagens criada por ela, Isabel mulher e escritora desnuda-se á cada obra.
paschoalina cireli areal - 22/11
Isabel Allende merece o Premio Nobel de Literatura.
Cleides - 28/08
Estou iniciando um trabalho de faculdade sobre esta escritora e confesso que fiquei mais curiosa sobre seus trabalhos.
Maura Bastos - 10/07
Eu li Paula,e terminei de ler A Soma dos dias...amei. Cada dia gosto ,mais do que ela escreve.PARABÉNS.
ANDREIA AMANCIO RIBAS - 03/06
Sou apaixonada por todos os livros de Isabel mas o mais lindo de todos é Paula...pois é uma história de amor magnífica... amo todos ...Uma escritora incrível e envolvente!!!!Impar... no seu modo de escrever e relatar histórias....
ANDREIA AMANCIO RIBAS - 03/06
Sou apaixonada por Isabel e seus livros magníficos!!!!!
L A P de Almeida - 04/11
Li, quase que deu só folego, O Caderno de Maya e comecei a ler A Ilha sob o Mar. Com certeza vou ler a obra inteira de Isabel Allende, que consegue usar uma linguagem leve e um ritmo cadenciado e envolvente para falar de coisas sérias, seríssimas.
MARISE - 15/10
muy bueno
Irene R.Barros - 23/09
Assisti ao final de uma entrevista à escritora na TV Cultura e fiquei curiosa para saber mais detalhes sobre a mesma devido ao seu sobrenome. Estou orgulhosa pelo que vi nesta matéria sobre uma mulher tão comprometida com o seu país e tb com a América Latina e o mundo. Demonstra isso através dos seus escritos. Vou procurar ler seus livros. Obrigada!
puta que pariu - 10/07
muy bueno
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