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A viagem de Céu17. 02. 2012
Música
Divulgação
Por Eduardo Lemos
Na foto ao lado, Céu
Crédito foto: Renan Costa Lima

Céu pegou a estrada para inspirar-se na criação de Caravana Sereia Bloom, seu terceiro álbum. Ele representa uma mudança de caminho (mas talvez não de destino final) na discografia da cantora paulista.
 
As novas influências – como a música brega e os tradicionais cancioneiros latinos – fazem do disco um empurrão para elevá-la ao cargo já conquistado de voz feminina mais interessante de sua geração.

Caravana revela três viagens distintas, sendo a primeira a de Céu como artista. “Esse disco tem essa temática de estrada e, desde o começo, era isso que eu queria. Isso surgiu das muitas viagens que venho fazendo desde o primeiro disco”, disse a cantora, em conversa com jornalistas na semana passada, em São Paulo.

A próxima travessia é a da personalidade musical de Céu. Se seus dois primeiros trabalhos eram exercícios admiráveis de misturas entre samba, reggae, dub e jazz, esse novo disco mostra a cantora pegando carona em outros ritmos que acabaram por levá-la a destinos nunca antes imaginados. “Eu andava ouvindo coisas do Norte e do Nordeste e muita coisa de música latina. E nesse processo, fui estudar até a origem da lambada”, conta.

A terceira viagem, consequência direta das duas acima, é a que Céu proporciona ao ouvinte. As treze faixas poderiam ser também treze pequenos contos ou treze minirroteiros de cinema.
 
As letras evocam personagens que nos aguçam a imaginação e a curiosidade sobre cada enredo.
 
Musicalmente, o bilhete de viagem é a união das já conhecidas harmonias malemolentes da cantora com a produção de Gui Amabis, que trouxe mais peso às composições – agora são as guitarras e os órgãos cheios de climas que dirigem a caravana, como atesta o single “Retrovisor”, que já tem clipe protagonizado pela própria cantora.
 
“Neste disco, cada música é um conto, um causo, uma pequena história. Acho que a estrada é um ambiente de muita imagem, então ele é meio um cineminha”, analisa.

Disco tem parcerias e canções em inglês

O músico Edgar Poças, pai de Céu, toca violão em “O Palhaço”, canção da obra de Nelson Cavaquinho que os dois transformaram em uma valsa com fortes tintas de trilha sonora.
 
“Eu falei para o meu pai que queria fazer uma ‘versão Fellini’ [diretor italiano], não queria que fosse um samba. E ele entendeu completamente”, revela. “É uma musica que fala do universo dos palhaços, e eu achei que tinha tudo a ver com o tema ‘estrada’”.

Outra companhia que ela encontrou no caminho foi Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi que lhe presenteou com “Chegar em Mim”, parada final do disco e uma das mais dançantes. “Namoro essa música já há algum tempo, até tentei gravá-la no ‘Vagarosa’, mas o Jorge ainda não a havia terminado. Dessa vez deu certo”, comemora.

Já Lucas Santtana é autor de “Streets Bloom”, uma das duas músicas cantadas em inglês – a outra é o reggae à la Specials “You Won’t Regret It” – que, aliás, a cantora nega que foram incluídas para atingir o mercado internacional.
 
“Foram escolhas ao acaso. A língua inglesa é muito musical e muito gostosa. Não acho que é melhor que o português, mas também é legal”, explica.

A colaboração é recíproca, já que Céu também participa de diversos discos de artistas da chamada nova música popular brasileira. “É muito interessante parar e se entregar um pouco ao olhar do outro. É até engraçado, porque eu sou meio arroz de festa, participo de muitos discos”, diz, rindo.
 
Outra atração à parte são as vinhetas, um recurso que a cantora já usava nos trabalhos anteriores e que fazem parte de sua rotina como compositora. “É um rascunho, e eu costumo fazer essas coisas quando estou viajando”, diz.

Shows no Brasil, Caetano Veloso e... Britney Spears

Sua viagem pelos palcos começa nos dias 10 e 11 de março, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo (confira abaixo a agenda completa).
 
Depois, a cantora passa dois meses rodando a Europa e se dividindo em shows solo e em conjunto com os músicos China e Lucas Santtana.
 
Na volta, em abril, ela se apresenta no Circo Voador (RJ). “Tenho vontade de fazer mais shows pelo Brasil, inclusive em cidades pequenas”, avisa. “Não sei se vai rolar, mas eu gostaria muito de levar minha caravana a lugares menores, sair das capitais”.

Enquanto a turnê não começa, Céu repete a rotina de ensaios e entrevistas quase que diariamente e ainda se dedica a outros projetos.
 
Um deles é a participação em um disco da gravadora Universal em homenagem a Caetano Veloso, onde diversos artistas dão cara nova aos clássicos do músico baiano. Céu escolheu “Eclipse Oculto” (1983) e chamou Fernando Catatau, líder do grupo Cidadão Instigado, para produzir. Ainda não há data de lançamento.

Uma das perguntas que ela mais vem respondendo nas sessões de entrevista é se Caravana é uma estratégia para torná-la mais pop. “Acho demais quem faz um som declaradamente pop. Isso é uma arte, é incrível, mas não é o que eu sei fazer”, diz, citando Ivete Sangalo, Rihanna e Britney Spears (“adoro aquela música ‘Toxic’”) como exemplos.

Para ela, a graça de sua profissão está justamente em não saber qual resultado sua música alcançará. “Quando estou gravando um disco, não penso em estratégias e planos. Não sou boa nisso. Eu nunca sento com um papel na frente para pensar antecipadamente o que vou fazer ou qual é a minha intenção. Se fizer isso, vou me desconectar do meu intuito como artista”, finaliza.

A convite do SaraivaConteúdo, Céu listou 5 inspirações para a produção de Caravana Sereia Bloom.

1. Eydie Gormé & Trio Los Panchos
A cantora Edith Gormezano (nome real de Eydie) ficou famosa por entoar clássicos da música latina, como “Sabor a Mí”, nas décadas de 50 e 60.

2. Mestre Vieira
O músico paraense é conhecido como inventor da guitarrada e um dos precursores da lambada. Céu cita especialmente seu primeiro disco, Lambadas das Quebradas (1978), como influência para Caravana Sereia Bloom.

3. Nancy Sinatra
Filha de Frank Sinatra, a cantora tornou-se ícone cult com “These Boots Are Made For Walkin’” e chamou atenção por seu visual e espécie de ‘ironia vocal’. A dica de Céu é que você ouça qualquer coleção de Greatest Hits da cantora.

4. Diana
Diana iniciou carreira no final da década de 1960, na esteira da Jovem Guarda. Depois de lançar diversos compactos simples, a CBS produziu seu primeiro LP, Diana (1972), álbum que Céu recomenda tanto pelas músicas quanto pela capa.

5. Rádio Forró Brega
Não se trata de um artista, mas de uma rádio online que reúne pérolas do “forró brega”. Céu conta que passou dias ouvindo e se divertindo com a programação. 
 
 
Comentários (2)
Camilla Freitas - 25/05
Céu é uma das poucas artistas brasileiras que fazem um lindo trabalho, agradabilíssimo de ouvir. Adoro!
Marina - 22/02
Excelente matéria!!! Parabéns a Saraivaconteudo e ao Eduardo Lemos! Uma das melhores q ja li aqui!
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