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Os 50 anos do Homem-Aranha10. 04. 2012
Quadrinhos
Wilson Vieira
O Homem-Aranha
Por André Bernardo
 
“Mas você não sabe que as pessoas detestam aranhas?”. Essa foi a resposta malcriada que o roteirista Stan Lee ouviu do então todo-poderoso da Marvel, Martin Goodman, ao propor a ele a criação de um personagem de HQ baseado no repugnante aracnídeo.
 
Famoso por ter criado super-heróis como Homem de Ferro, Poderoso Thor e Incrível Hulk, Lee não desistiu. E sugeriu a Goodman que publicasse, em agosto de 1962, uma história do Homem-Aranha na edição de nº 15 da revista “Amazing Fantasy” como “teste”.
 
Se o público aprovasse o herói, escreveria outras. Se o rejeitasse, aposentaria o “Cabeça de Teia”.
 
O número de cartas que chegou à redação da Marvel foi tão grande que Goodman não teve outra coisa a fazer se não dar ao personagem um título próprio: “Amazing Spider-Man”, lançado em março de 1963.
 
“Não é difícil entender o porquê de o Homem-Aranha ser um personagem tão querido pelo público”, garante Luciano Queiroz, o Luke Ross, 39 anos, um dos poucos brasileiros a ter o privilégio de desenhar o “Amigão da vizinhança” ao longo de seus 50 anos de existência.
 
“Aprendi a ler aos sete anos, com os gibis do Aranha. Ao contrário de outros super-heróis, ele não era indestrutível como o Super-Homem ou arquimilionário como o Batman. O Peter Parker não passava de um garoto de classe média como eu e tantos outros. Mesmo depois de ganhar superpoderes, continuava sendo um perdedor que tinha que costurar o próprio uniforme”, salienta Ross, que desenhou o aracnídeo entre 1995 e 1998 e fundou uma escola de desenho, a Impacto Quadrinhos, com filiais no Rio e em São Paulo.
 
Ross ainda estava aprendendo a ler quando Wilson Vieira, 63, tornou-se o primeiro brasileiro a desenhar profissionalmente o Aranha. 
Homem-Aranha por Luke Ross
 
A façanha aconteceu em 1979, na Itália, onde foi publicada uma ilustração de Vieira intitulada “Spider-Man versus Villains”, que reúne os principais inimigos do super-herói, como Duende Verde, Dr. Octopus, Lagarto, Electro e Kraven. 
 
Dois anos depois, Vieira foi convidado para ilustrar a revista “Octopus Sfida L'Uomoragno” (“Octopus desafia o Homem-Aranha”), com texto de Franco Fossati.
 
“Desenhar personagens mundialmente conhecidos como o Aranha é uma responsabilidade danada. Além de agradar ao editor, você se sente na obrigação de agradar também à sua legião de fãs. Ou seja, tem que ficar com um olho no peixe e outro no gato”, brinca Vieira, que ostenta, orgulhoso, outro personagem mítico das HQs em seu currículo: Tarzan, de Edgar Rice Burroughs.
 
A dificuldade por trás de cada traço

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. A lição aprendida por Peter Parker ao descobrir que o assassino do tio Ben é o mesmo ladrão que, horas antes, ele se recusara a deter é compartilhada pelos brasileiros que já desenharam o super-herói.
 
Homem-Aranha por Adriana Melo
“Sim, a responsabilidade é grande”, admite Adriana Melo, 36, a única mulher a ilustrar o Homem-Aranha. “Afinal, é um personagem que tem uma história grande e também por ser um herói de quem gostamos muito”.
 
Mas, se a responsabilidade é grande, os desafios são muitos. Para Adriana, nada é mais trabalhoso do que desenhar o uniforme quadriculado do “escalador de paredes”. “Desenhar aquele uniforme não é fácil, já que cada teia tem seu lugar certo. No começo, a gente apanha um bocado até ficar tudo direitinho, no lugar”, reconhece Adriana.

Para Ross, a maior dificuldade que sentiu ao rabiscar o herói foi visualizar o balançar dele por entre os prédios de Nova Iorque. “Naquela época, eu não tinha muitas referências visuais. Tentava dar um dinamismo especial às cenas para não ficar cansativo para o leitor. O público do Aranha é muito exigente e gosta de uma novidade a cada página, um ângulo novo a cada quadrinho”, observa. 
 
Para piorar a situação, Ross chegou à Marvel pouco depois da saída de Todd McFarlane, considerado um dos melhores desenhistas do aracnídeo.
 
“Esteticamente, o traço do McFarlane até que não era dos mais bonitos. Mas o efeito de movimento que ele dava ao personagem era extraordinário. O Aranha dele era muito dinâmico. Por essas e outras, eu queria deixar a minha marca também”, garante Ross.
 
Artistas que deixaram sua marca na história
 
Sim, Ross deixou sua marca. Assim como Benedito José Nascimento, o Joe Bennett, 44, ele foi o artista brasileiro que desenhou o Aranha por mais tempo: de 1996 a 2000.
 
E Deodato Taumaturgo Borges Filho, o Mike Deodato Jr, 48, ficou famoso por ter sido um dos poucos a matar Peter Parker. Sim, em história escrita por J.M. Straczynski, Peter Parker morreu.
 
Mas, como geralmente acontece em HQs, o repórter fotográfico do “Clarim Diário” voltou à vida algum tempo depois.
 
“Eu tive uma infância muito feliz, e grande parte disso devo aos quadrinhos. Muitos dos meus conceitos de Bem e Mal, assim como meus valores éticos, vieram dos gibis e de super-heróis como o Homem-Aranha. Ter a oportunidade de desenhá-lo é como fechar um ciclo em minha vida. É como se eu estivesse dando de volta tudo o que recebi”, explica Deodato, que desenhou o Aranha de 2004 a 2006.
Homem-Aranha por Mike Deodato Jr

Até o final do ano, o agora cinquentão Homem-Aranha ganha uma edição comemorativa: “Ends of the Earth” (“Fins do Mundo”), escrita por Dan Slott e desenhada por Stefano Caselli.
 
Nela, o “cabeça de teia” vai ganhar um uniforme novinho em folha para enfrentar o Sexteto Sinistro, liga que reúne alguns de seus piores inimigos: o Dr. Otto Octavius, o Dr. Octopus; Flint Marko, o Homem-Areia; Maxwell Dillon, o Electro; Quentin Beck, o Mysterio; Dmitri Smerdyakov, o Camaleão; e Aleksei Systevich, o Rhino.
 
Como parte das comemorações pelo jubileu do Aranha, o Brasil vai assistir, a partir do dia 6 de julho, à nova versão do super-herói para o cinema, com Andrew Garfield como Peter Parker, Emma Stone como Gwen Stacy e Rhys Ifans como Dr. Curt Connors, o Lagarto. “Trabalhar na Marvel para um desenhista de HQs é tão importante quanto disputar uma Copa do Mundo para um jogador de futebol”, compara Ross.
 
 
Dez curiosidades sobre o Homem-Aranha:

1. Para criar o Homem-Aranha, Stan Lee buscou inspiração no The Spider (O Aranha), um justiceiro mascarado que fazia sucesso nos pulp-fictions – revistinhas de bolso impressas em papel de péssima qualidade – da década de 30. No início, Lee escrevia e Steve Ditko desenhava as histórias do Aranha.

2. Em agosto de 1962, quando foi lançada, a edição de nº 15 da “Amazing Fantasy” custava 12 centavos. Hoje em dia, um exemplar não sai por menos que US$ 42 mil em sites de leilão. Parece muito, mas a nº 1 da “Action Comics”, que traz a primeira aparição do Super-Homem, é estimada em US$ 350 mil.

3. No Brasil, o Homem-Aranha chegou em 1968, data de publicação da revista “O Poderoso Thor”, da Editora Ebal. Ao longo dos anos, o Aracnídeo passou por diversas editoras, como Bloch, Rio Gráfica Editora e Abril. Atualmente, as histórias do “cabeça de teia” são publicadas pela Panini.

4. Quem tem mais de 40 não se esquece do desenho do Homem-Aranha, produzido entre 1967 e 1970. Ao todo, foram 52 episódios divididos em três temporadas. O desenho pode ter caído no esquecimento, mas a música-tema, composta por Paul Francis Webster e Bob Harris e regravada pelos Ramones, não.

5. Betty Brant, Debra Whitman, Liz Allen, Glory Grant e Gwen Stacy. Essas são apenas algumas das muitas namoradas de Peter Parker. Mas nenhuma delas foi tão sortuda quanto a modelo Mary Jane Watson, que se casou com o alter-ego do Aranha em 1987, na edição “Spider-Man Annual 21”.

6. Uma das histórias mais famosas do Homem-Aranha foi escrita por Gerry Conway e ilustrada por Gil Kane. Lançada em 1973, “A Noite em que Gwen Stacy Morreu” conta o trágico final do primeiro amor da vida de Peter Parker. Na história, a moça morre após ser jogada de uma ponte pelo Duende Verde.

7. Nenhum outro super-herói coleciona tantos inimigos quanto o Homem-Aranha. Ao todo, são mais de 20. O primeiro vilão uniformizado a dar as caras em uma história do aracnídeo foi Dmitri Smerdyakov, o Camaleão. Criado em 1963, é um espião russo especializado em disfarces.

8. Nem o Duende Verde, nem o Dr. Octopus. O vilão que esteve mais perto de dar um fim ao Homem-Aranha chama-se Sergei Kravinoff, o Kraven. Em “A Última Caçada de Kraven”, escrita por J.M. DeMatteis e ilustrada por Mike Zeck, Kraven chegou a enterrar o Aranha vivo depois de atirar nele com um rifle.

9. A franquia do Homem-Aranha é uma das mais rentáveis do cinema. Juntos, os três filmes dirigidos por Sam Raimi e estrelados por Tobey Maguire faturaram US$ 2,4 bilhões. Nos anos 70, o herói ganhou uma série de TV estrelada pelo ator Nicholas Hammond, uma das crianças do clássico A Noviça Rebelde.

10. O Homem-Aranha tem admiradores famosos, como o presidente dos EUA, Barack Obama. Quando soube que Obama colecionava gibis do herói, o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, teve a ideia de produzir um com o presidente. A edição de nº 583, de janeiro de 2009, vendeu 350 mil exemplares.

Fontes: “Mundo dos Super-Heróis”, da Editora Europa; “Super-Heróis – Coleção 100 Respostas”, da Editora Abril; e “Super-Heróis nos Desenhos Animados”, de André Morelli.
 
 
Comentários (4)
Eduardo - 29/11
Otima materia, pena que ele não é mais tão valorizado pelos novos fans, mas alguns poucos como eu ainda o veem como o maior herói de todos que ele é
Guilherme - 26/11
amo homem-aranha! belo trabalho!
ORLANDO WINKLER - 26/04
Muito legal a matéria.
JORGE AUGUSTO - 26/04
Filhão leia isto
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