‘Deus da Carnificina’: do texto para a peça, dos palcos para os cinemas
06. 06. 2012
Filmes e Séries
Divulgação
Por Thaís Ferreira
Uma atriz que escreve para atores. Assim pode ser definido o estilo da francesa Yasmina Reza. Antes de se dedicar à criação, ela dava vida aos personagens e, por isso, seus textos privilegiam uma intepretação intensa. Para tal efeito, seu currículo é formado por obras que partem de situações banais do cotidiano para expor as partes mais problemáticas dos indivíduos.
Para a autora, o ser humano se protege com uma máscara social e, por detrás dela, se esconde a selvageria, que acompanha a humanidades desde os primórdios, sempre pronta para ser exposta. É um teatro de tensão, sem excluir, no entanto, o humor como parte essencial. Situações trágicas que nascem do cômico e vice-versa.
Entre os textos de Reza, um se tornou o maior representante de seu estilo: Deus da Carnificina. A história narra o encontro de dois casais que se reúnem para discutir a briga de seus filhos, que resultou em uma agressão física. A educação inicial dos envolvidos se transforma em troca de ofensas e mostra que mesmo os aparentemente civilizados escondem uma barbárie interior.
Escrita em 2006, a obra foi encenada pelo mundo. A primeira montagem foi em Zurique, seguida de Paris e Londres.
Nos palcos da Big Apple
Após o sucesso nos palcos europeus, a consagração aconteceu na Broadway. O texto, adaptado da versão inglesa, estreou em março de 2009 para uma temporada de cinco meses, mas permaneceu até junho de 2010 em cartaz.
O espetáculo rendeu duas estatuetas do Tony Awards (o principal prêmio do gênero nos Estados Unidos): de melhor atriz para Marcia Gay Harden e de melhor peça.
Deus da Carnificina:em terras tupiniquins
“O texto apropria-se de situações corriqueiras e mundanas e nos devolve toda uma discussão sobre questões da sociedade e do mundo contemporâneo”, reflete Emílio de Mello, diretor da versão brasileira.
No Brasil, para esclarecer o nome enigmático e sombrio, a peça ganhou o subtítulo de 'Uma comédia sem juízo’. Com elenco de peso, formado por Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti, a encenação levou prêmios da APTR e do Prêmio Quem, ambos de melhor atriz para Julia Lemmertz.
A obra está em cartaz há mais de um ano e passou por diversas capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Atualmente, a montagem percorre o interior do estado de São Paulo.
Cena da adaptação brasileira com Deborah Evelyn e Orã Figueiredo
A versão de Polanski
Para os que perderam a versão brasileira nos palcos, o trabalho de Reza pode ser visto nos cinemas. O filme tem direção de Roman Polanski, premiado com o Oscar e com a Palma de Ouro por O Pianista.
Assim como as adaptações no teatro, a produção conta um elenco consagrado: Kate Winslet (vencedora do Oscar por O Leitor), Christoph Waltz (de Bastardos Inglórios), John C. Reilly (de Chicago) e Jodie Foster (premiada por O Silêncio dos Inocentes). O próprio Polanski e seu filho Elvis Polanski fazem participações na história.
O longa estreou em 2011 no circuito internacional e ganhou o Pequeno Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Assista ao trailer de Deus da Carnificina:
Mais um texto de Yasmina Reza...
Está em cartaz no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro, a peça Arte, com direção de Emílio de Mello, mesmo diretor da versão brasileira de Deus da Carnificina. O texto também é da francesa Yasmina Reza. A peça conta a história de três grandes amigos que têm sua relação abalada quando um deles compra um quadro aparentemente em branco.
Arte foi escrita em 1994 e adaptada para filmes de televisão em Portugal, Suécia, Alemanha e França.