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Os segredos para alcançar milhões de espectadores27. 06. 2012
Filmes e Séries
Divulgação
Fernanda Montenegro em 'Central do Brasil'
Por Camila da Silva Bezerra

Mais de 10 milhões de espectadores e R$ 7 milhões de captação. Tropa de Elite 2 é o filme brasileiro mais visto da história do cinema nacional. Já a primeira parte da série ganhou um Urso de Ouro – prêmio de maior prestígio do Festival de Berlim, que consagra a melhor obra do ano – em 2008.

Assim como Tropa de Elite, outros filmes recentes do cinema nacional também fizeram sucesso, como Cidade de Deus, Abril Despedaçado, Bicho de Sete Cabeças, Central do Brasil e Se Eu Fosse Você. Como consequência, o número de espectadores nas salas de exibição de longas brasileiros aumentou de 52 milhões para 90 milhões entre 1997 e 2002, o que representa crescimento de 70%.

“Não devemos nada para qualquer cinema feito pelo mundo afora. Em segundo lugar, há a conquista do próprio espectador brasileiro. Existia uma resistência contra nossos filmes, e, quando fomos avançando com qualidade, o espectador brasileiro passou a ter prazer em ir ao cinema e ouvir sua língua nas telas. Passou a ter prazer em se identificar com sua cultura, sua imagem, seu jeito de pensar a vida”, afirmou o ator e diretor Selton Mello, sobre as mudanças que impulsionaram o avanço do cinema nacional.

Mas as produções brasileiras nem sempre foram tão populares como são hoje, como mostra o jornalista Franthiesco Ballerini, que passou dois anos entrevistando profissionais da área, coletando dados e pesquisando os erros e os acertos da nossa indústria cinematográfica para escrever Cinema Brasileiro no Século 21, em que consta a entrevista completa de Selton Mello.

“Senti que eu precisava dar minha contribuição às reflexões sobre o cinema nacional e coloquei como meta produzir um livro na área”, conta o autor, que teve a ideia após concluir sua primeira obra, Diário de Bollywood, que fala sobre a maior indústria cinematográfica do mundo, a indiana.
 
Com linguagem simples e objetiva, Ballerini traça uma linha do tempo das fases do cinema brasileiro, citando filmes e artistas que são referência em cada uma. Entre todas as épocas, o jornalista destaca o Cinema Novo, já que as produções desse período marcaram a década de 60 ao propor novas formas de refletir o cinema e a sociedade, como, por exemplo, o longa Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. No entanto, as boas críticas e prêmios recebidos por alguns longas dessa fase não atraíam o público, que só passou a apreciar os filmes aqui a partir de 1995, com Carlota Joaquina – que deu início à era denominada Retomada.
 
A maior procura dos espectadores pelas obras nacionais é consequência da melhora técnica das produções, mas também da diversidade dos títulos. Do drama à comédia, como Verônica e Divã, há longas para todos os públicos.
 
Mas engana-se quem pensa que por cair no gosto popular, o cinema brasileiro é autossustentável. Em suas pesquisas, Ballerini constatou que praticamente todos os filmes utilizam recursos públicos no processo de produção. Somente em 2010 foram empregados mais de R$ 154 milhões com tal finalidade, mas menos de 10% das produções conseguem atingir o grande público – fato que não gera retorno nem para o Estado, nem para o contribuinte.
Wagner Moura em cena de Tropa de Elite

Essa foi uma das principais decepções do autor enquanto escrevia o livro. “Ver que o cinema brasileiro persiste com problemas de sempre e que o sistema de financiamento público não exige contrapartidas de espectador, criando vícios em diretores herméticos e que não se preocupam em utilizar o dinheiro público para o fazer público”, revela Ballerini.

 
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