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As bodas de rubi de João Bosco12. 07. 2012
Música
Divulgação
João Bosco
Por Iveilyze Oliveira
 
Mineiro de Ponte Nova, carioca de coração. Esse é João Bosco de Freitas Mucci, mais conhecido como João Bosco, o cantor, violonista e compositor que há 40 anos faz parte da trilha sonora de muitas pessoas.
 
Canceriano do dia 13 de julho, simples, espontâneo, despojado. 22 discos gravados e em constante atividade criativa. “Minas é o princípio. Alma barroca e cabeça de nego. Pode me chamar assim”, completa o artista ao definir a influência de suas origens na construção de sua trajetória.
 
40 anos de carreira, 40 anos de diálogo com um público diversificado e exigente. Em seu novo trabalho comemorativo, João Bosco 40 anos Depois, o artista deixou de lado “Jade”, “Bijuterias” e “as cores do mar, festa do sol” de “Papel Machê”, que foram substituídas por releituras sofisticadas, um doce romantismo e um tom reflexivo, mas feliz.
 
Uma comemoração em grande estilo, com um repertório que foge do óbvio ao interpretar canções de seus ídolos. “A escolha do repertório se deu inicialmente não repetindo nenhuma canção do DVD anterior, Obrigado Gente. As canções que interpreto de outros compositores são para reafirmar a importância de nossa música popular e de seus grandes compositores pertencentes às gerações anteriores. As outras canções foram surgindo espontaneamente”, explica o homenageado do 23º Prêmio da Música Brasileira.
 
Produzido por João Bosco, João Mário Linhares e Amaury Linhares, o DVD João Bosco 40 anos Depois foi gravado em fevereiro deste ano, com a participação de artistas que, de uma forma ou outra, contribuíram para a formação de sua história musical. “Eu sou um músico totalmente intuitivo. Deixo rolar. A música sempre vem. Existe a música pra alma e a música pro corpo”, diz João Bosco ao pontuar sobre os velhos e novos grandes amigos.
 
Milton Nascimento e Toninho Horta
“O Milton e o Toninho eu já conhecia de Minas, desde a metade dos anos 60. O Milton abre o DVD cantando ‘Agnus Sei’, que eu penso ter relação importante com Minas e com o trabalho dele. O Toninho é um dos maiores guitarristas de todos os tempos que eu tive o prazer de conhecer”.
 
Chico Buarque
“É um dos maiores compositores brasileiros. Tenho a felicidade de ser meu amigo e parceiro. A presença dele em um DVD de 40 anos é motivo de celebração”.
 
João Donato
“É um amigo de muito tempo. A minha admiração pelo trabalho dele é imensa. Tenho o privilégio de frequentar a sua discoteca pessoal e digo que ele é o meu DJ preferido. Com sua cultura musical e seus discos, cada vez que o encontro aprendo algo”.
 
Roberta Sá
“Roberta Sá sempre quis cantar o samba ‘Escadas da Penha’. Como eu já havia gravado esse samba no DVD anterior, indaguei se ela gostaria de cantar comigo o samba ‘De Frente pro Crime’. Para a minha alegria, ela gostou da ideia. Gosto muito da Roberta, pelo trabalho que vem desenvolvendo em seus discos e pelo seu jeito de cantar, combinando elegância e suingue. Foi um grande prazer estar com ela nesse DVD”.
 
Trio Madeira Brasil
“Participam de duas músicas: ‘Plataforma’ e ‘De Frente pro Crime’. São dois sambas bem cariocas. O Trio é formado por violão de sete cordas, violão de seis cordas e bandolim, ou seja, o resultado sonoro nos remete ao som da música carioca feita pelos regionais como o Época de Ouro. Eles são sofisticados, fazendo a transição de algo popular com o erudito. Eu queria muito que esses dois sambas tivessem essa beleza das cordas. A participação deles foi fundamental para que se conseguisse esse resultado”.
 
Cristóvão Bastos
“É um amigo de longa data. No inicio da minha carreira, ele foi importantíssimo numa banda que trabalhava comigo. Sempre se destacou como um pianista de grande criatividade e um compositor sensacional. Colabora comigo há muitos anos. Arranjador de alto nível, espero que ele possa estar junto comigo no lançamento do DVD no segundo semestre pelas cidades brasileiras”.
 
“Agnus Sei”
A música, parceria com Aldir Blanc, lançada em 1972, abre o DVD com participações especiais de Milton Nascimento e Toninho Horta. Para João Bosco, ela é a que melhor representa sua trajetória.
 
“É um marco na minha carreira. Primeira música que gravei. Foi essa a música que me levou até Antonio Carlos Jobim e Elis Regina. Foi uma espécie de cartão de visita. Uma música que abriu os caminhos para as outras canções”, relembra. Ao ser questionado quem foi a melhor intérprete de suas músicas, João Bosco não hesita em dizer: “Elis Regina. É a grande intérprete da música brasileira de todos os tempos”.
 
Reverenciado por novos nomes da música popular brasileira, João Bosco pondera sobre a responsabilidade de ser considerado um gênio. “A música é dinâmica. Sempre se transformando. É muito bom a música seguir em frente, levando consigo alguma coisa, alguma marca, alguma pegada do que vinha acontecendo antes”.
 
Na alegria e na tristeza...
 
O violão é o fiel companheiro de João Bosco desde os 12 anos de idade, quando começou a dedilhar suas primeiras criações. “O meu violão é fruto da história do violão brasileiro: Dilermando Reis, Caymmi, João Gilberto, Dino Sete Cordas, Meira, Baden Powell, Rafael Rabelo, Canhoto da Paraíba, Garoto, Toninho Horta, Gil... são muitos os violões do Brasil. A lista é grande!”, empolga-se.
 
Da harmonia à melodia, sua formação tem uma grande influência da música instrumental, nacional e americana do samba-jazz.
 
No DVD, usa dois violões Suguiyama. “No DVD, cada canção tem um violão, ou seja, cada violão pede uma canção. Eu gosto do meu violão pedindo ‘Pra que mentir’, de Noel e Vadico”, diz o artista que, em 1967, teve a “benção” de Vinícius de Moraes, rendendo parcerias em várias canções como 'Rosa dos Ventos', 'Samba do Pouso', 'O Mergulhador', entre outras.
 
“O Vinicius é uma espécie de ‘fantasia’ que a gente tem do ser humano. A gente gostaria de ser ele. Ser como ele. Generoso, amigo, moderno, poeta, pessoa, humano, competente, criativo... ele representa a falta que faz...”, declara João Bosco com um certo pesar.
 
Afinal, qual o balanço desses 40 anos de carreira? Qual momento marcante não pode se apagar? O que ainda falta alcançar? “Num disco passado, escrevi num encarte: no balanço da cadeira, o balanço da hora, no balanço do mar, não caia fora. O momento marcante foi o princípio. Agora eu estou no meio, querendo seguir em frente”, encerra João Bosco, com toda sabedoria que lhe é peculiar.
 
 

 
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