Olá Visitante, seja bem vindo!
Faça Login ou Registre-se
Artes
Filmes e Séries
Games
Literatura
Música
Quadrinhos
Home > Para Ler > Matérias
Cinquenta tons de Crepúsculo02. 08. 2012
Literatura
Divulgação
E. L. James até hoje, 3 anos depois de começar a escrever a fanfic que deu origem ao livro, é tratada pelas fãs de Crepúsculo pelo pseudônimo que usava na internet, Icy
Por Marcelo Rafael

Há um mundo na internet pouco conhecido pelos usuários que a usam apenas para postar fotos no Facebook, comentar o dia a dia, as notícias no Twitter ou se informar pelos portais jornalísticos.
 
Nesse mundo, Harry Potter tem tórridos casos de amor com seu melhor amigo Ron Weasley e Bella Swan volta no tempo para ter um romance com um Edward Cullen das cavernas. Isto para citar o mínimo.

Nesse mundo de “fanfics”, “fandons” apaixonados passam horas e horas lendo ou escrevendo no computador histórias de “AU” com seus heróis favoritos da literatura. Às vezes com pessoas reais, como Robert Pattison e Kirsten Stewart (atores de Crepúsculo) ou bandas como McFly e Red Hot Chilli Pepers.

E é desse mundo que vêm o mais novo best-seller avassalador das livrarias em todo o mundo: Cinquenta Tons de Cinza. Ou melhor 'Masters of The Universe', como se chamava a fanfic antes de se tornar livro.

Mas, o que são “fanfics”, “fandons” e “AUs”? Esse mundo onde fãs se tornam escritores de romances tem toda uma nova terminologia. “Fã-clube” é coisa do passado e visto com desdém. Hoje em dia o termo é o fandom (o “fan kingdom”, “reino dos fãs”, em inglês).

Quando os fandons se reúnem em sites para contar histórias baseadas em seus amados personagens ou celebridades, começam a produzir as fanfics: ficções (daí, o “fic”) criadas por fãs (daí, o “fan”).

Se o enredo diverge absurdamente do original, como Naruto, personagem de mangá, apaixonado por seu amigo Sasuke ou Bella, de Crepúsculo, aristocrata inglesa apaixonada por um Edward mafioso, as fanfics passam a se chamar AU (alternative universe, em inglês), pois se passam em um universo alternativo ao nosso.

E foi em 2009, que uma fã de Crepúsculo começou a escrever uma fanfic AU sombria e recheada de sexo em um dos maiores sites desse tipo de literatura disponibilizada gratuitamente.
 
 O blog de Masters of the Universe usava imagens de Kirsten Stewart e Robert Pattinson antes que a autora decidisse guinar a história para Cinquenta Tons de Cinza

Icy, como se autoidentificava a autora narrou o romance de dominação em que Bella, uma estudante de jornalismo, se submente às crueldades e abusos sexuais do playboy bilionário Edward. Dois anos depois, já adotando o nome de E. L. James, a autora já estava entre as mais vendidas na Grã-Bretanha.

Definido como “porn for moms” nos EUA (mal-traduzido para “mamães”, mas, no Brasil, nos referimos às “tiazonas”), o best-seller gerou uma crise no fandom de Crepúsculo e abriu precedentes antes inimagináveis para os autores de fanfics.

De fã para fã

No século XIX, Machado de Assis e José de Alencar publicavam seus romances em capítulos do jornal, lidos quase cerimonialmente para uma família que se reunia para ouvir as histórias. No início do século XXI capítulos de contos que se baseiam em clássicos modernos são postados na internet e debatidos em fóruns. “São folhetins. Uma vez por semana a pessoa publica um capítulo.” analisa Juliana Ribeiro Dantas, vendedora de livros em São Paulo e autora de fanfics.

“Você quer rever aquele seu personagem querido. Então você lê a fanfic imaginando os personagens que você gosta. Se colocassem simplesmente a Natasha e o Christian... não sei quem são”, justifica Juliana, que escreve sobre Robert Pattison e Kisrten Stewart

E é no site Fanfiction.net onde essas tramas absurdas se desenrolam. As obras mais populares são Harry Potter, com mais de 602 mil fanfics, seguidos pelo mangá Naruto, com mais de 306 mil e Crepúsculo que beira 200 mil histórias. “Tudo acaba em sexo. Se não tiver sexo, o povo para de ler, se não, não tem graça.”, brinca Juliana.

Nesse mundo fechado, em 2009, o que mais se comentava era uma história sombria chamada 'Masters Of The Universe'  escrito por uma desconhecida chama Icy. “O fandom de Twilight (Crepúsculo) estava com uma onda sadomasoquista. Surgiam várias histórias” comenta Angela Bathke, advogada de Florianópolis e também autora de fanfics.

O sucesso de Masters Of The Universe, ou “MOTU” para os íntimos, fez Icy migrar suas histórias para um blog próprio e subitamente proibir traduções para outras línguas (prática comum para histórias que não tem nenhum tipo de fim lucrativo).

Na segunda temporada (termo emprestado dos seriados e que equivalem os volumes do livro) de MOTU, por exemplo, o blog com a tradução russa foi tirado do ar.

Os traços que ligavam MOTU a Crepúsculo foram sendo apagados da internet quando a autora passou de “Icy” para “E. L. James” e resolveu terminar a história em um e-book.

Sucesso de vendas na internet, logo teve os direitos de publicação em papel adquiridos pela editora britânica Vintage Books. Sucesso de vendas na Grã-Bretanha, hoje já está traduzido para 37 línguas e acaba de ser lançado no Brasil pela Intrínseca, que arrematou os direitos de tradução em leilão por 780 mil dólares.

Nunca antes uma fanfic tinha feito tanto sucesso. E os leitores/escritores do fandom de Crepúsculo se dividiram. Muitos abraçaram a obra de E.L. James. Outros, que chamam a série de Stephenie Meyer pelo nome original, Twilight, torceram o nariz para a publicação da James, que ainda tratam por “Icy”.
 
“Eu conhecia a fanfic e morri de rir, né? Eu achava o fim da picada. Imagina... Sadomasoquismo?”, conta Juliana, que, apesar de não ler em inglês, começou a ler MOTU/Cinquenta Tons através de uma amiga que traduzia para o português e enviava o texto por e-mail a amigas.

Juliana, que não leu Cinquenta Tons é do time que não aprova a publicação da obra. “Ela usou a mesma premissa de Twilight: o Edward (Grey) é perigoso para a Bella (Anastasia) e ela gosta dele, só que a Bella não pode entrar no mundo dele. Só que, ao invés de vampiro, ele é um sadomasoquista.” conta.

Os agentes britânicos e norte-americanos de E.L. James se defendem, argumentando que 'Masters of The Universe' era sim uma fanfic, mas que Cinquenta Tons é uma “obra distintamente separada” de Crepúsculo, segundo o  jornal L.A. Times.

Mesmo com os traços que ligam as duas obras sendo apagados da internet, alguns sites, como o Galleycat, ainda exibem como era o blog de MOTU antes de virar Cinquenta Tons de Cinza.
 
Publique seu livro

O precedente do lucro pela publicação de algo que antes era gratuito foi aberto. Mesmo no Brasil já há autoras editando suas fanfics, como a carioca de 24 anos que adota o pseudônimo de Jane Herman.

Jane também lia fanfics de Crepúsculo em inglês e português e, apesar de não ter lido, já conhecia a fama de MOTU. Jane acabou escrevendo, em 2009, sua própria fanfic ambientando Crepúsculo na Inglaterra e transformando Bella em uma  nobre e Edward em um mafioso. Este ano, publicou-a como livro pela editora Lio.

Ela nem sonhava em publicar e, quando a editora entrou em contato, via Formspring, achou que era brincadeira. “Não levei fé e pensei que fosse trote! Respondi, de besteira, que se eu quisesse publicar uma história quente, procuraria a editora Harlequin, que já tem know how no assunto!”

Somente quando a editora-executiva da Lio, que lia a fanfic na internet, entrou em contato foi que a ficha caiu e ela resolveu aceitar. Além de Entre a Nobreza e o Crime, de Jane, a Lio também já publicou A Infiltrada, outra fanfic adaptada para livro de autoria de Natália Marques.

Quanto à E. L. James/Icy, Jane tem suas reservas. “Concordo discordando. Logicamente que ela se valeu de uma parcela do fandom Twilight para vender seus livros, mas isto não supre muito além dos gastos iniciais da publicação de um livro” afirma.

Afinal, para ela, não basta fazer sucesso na internet. “Já tive leitores que confessaram, na cara-de-pau, que não pretendem comprar meu livro porque já leram na internet, ou porque agora os personagens perderam os nomes de Bella e Edward”, complementa.

Lido ou não lido na internet, adaptado de fanfic para obra original ou não, Cinquenta Tons já vendeu mais de 10 milhões de exemplares nos EUA, criou seu próprio fandom e prova do próprio “veneno”: já conta com 154 fanfics no Fanfiction.net.

Está também sendo preparado para virar filme, tendo seus direitos de adaptação para o cinema sido vendidos por 5 milhões de dólares.

Erotismo e sadomasoquismo

Cinquenta Tons tem o aclamado mérito de trazer o erotismo ao grande público feminino, antes restrito a livros de banca como Sabrina.  “Creio que o maior precedente criado  é o de fazer mulheres de todas as idades perderem a vergonha de ir às livrarias e perguntar por livros eróticos.
Pela primeira vez, vejo mulheres falando de literatura erótica livremente, presenteando suas amigas com livros eróticos.” analisa Jane.

“Ela fez sucesso porque ela descreve cenas de sexo muito bem. Para o público feminino”, completa Juliana.

Mas até neste ponto a obra recebe algumas críticas, como o fato de entrar nos meandros do sadomasoquismo. “As pessoas não estão lendo os clássicos da literatura erótica. Não tem nada de novo: o Marquês de Sade escreveu sobre sadomasoquismo no século XIX”, rebate Angela.

E ela tem razão. Perversão sexual na literatura vem do século retrasado, quando os contos do Marquês deram origem ao substantivo “sadisimo” enquanto a poesia do austro-húngaro Leopold von Masoch, também no século XIX, deu origem ao termo “masoquismo”.

O fato é que, agora, o nicho de luxúria e perversão aberto por E. L. James está aberto. A Companhia das Letras já abocanhou Toda Sua, de Sylvya Day, que está com lançamento marcado para 1º de setembro. Com mais de 1 milhão de cópias vendidas nos EUA, já bateu os números de Cinquenta Tons na Inglaterra.

A coletânea Tons de Sedução, da Universo dos Livros, também reúne contos com o mesmo tipo de literatura que vem angariando fãs pelo mundo.

Resta saber agora, com o teor altamente explosivo de Cinquenta Tons, como será adaptado para a telona e como será recebido pelo público.
 
Comentários (1)
Samira - 02/08
Olha eu li MOTU enquanto fanfic,não acho que mereça toda essa atenção,é uma estoria interessante para se ler enquanto,fic já em livro não.Já Entre a Nobreza e o Crime da Jane Harmam,essa sim merece todas as honras e publicações,pois é algo totalmente surpreendente,com traços históricos,romance,e erotismo tudo na medida certa.Com certeza se algum produtor ler,transformara em um filme.
Comente você também!
Nome

Mostrado junto ao comentário
Email

Não mostrado junto ao comentário
Postar Comentário
CAPTCHA
Copie os caracteres que
aparecem na figura ao lado

Notícias
Visite nosso site de vendas
Arquivo
powered by Brado! Networks