Por Camila da Silva Bezerra
Lígia é apaixonada por literatura. Sonhava em conhecer seus ídolos, que são os escritores que lhe proporcionaram viagens incríveis sem que ela precisasse sair de sua cidade natal: João Pessoa, na Paraíba. Cansada de conhecê-los apenas pelas páginas de livros e pela internet, a jovem de 20 anos decidiu participar de uma grande aventura. Acompanhada por mais três amigas, Lígia vai entrar pela primeira vez em um avião para chegar perto daqueles que criaram obras que tanto a emocionaram.
Essa história pode até parecer ficção, mas Lígia Paulino da Rodrigues é uma das 800 mil personagens reais, de acordo com a expectativa da organização do evento, que darão vida à 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontecerá entre os dias 9 e 19 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.
“A Bienal tem uma importância pessoal e também profissional. Pessoal porque amo ler, esse é o meu maior passatempo, e a Bienal exerce um papel importante no mundo literário: trazer os lançamentos mais esperados do ano. Digo que também é uma motivação 'profissional' porque há aproximadamente dois anos resolvi não só ler os livros, mas também comentar sobre eles em um blog que eu criei para compartilhar as minhas impressões”, afirmou a jovem de 20 anos, que irá passar dez dias na capital paulista para acompanhar todos os dias do evento.
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Lígia Paulino (à direita), na Feira do Livro de Pernambuco. A viajante agora vai percorrer dois mil quilômetros para conhecer a Bienal de São Paulo
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A ESCRITORA
Assim como Lígia, diversas pessoas vão à Bienal para conhecer seus autores favoritos, oportunidade que só é possível graças à intensa programação proporcionada pelo evento, que propõe diversas mesas temáticas de debates. No espaço #Você + Quem?, voltado para o público jovem, a escritora Thalita Rebouças falará sobre “adolescer”.
Thalita, aliás, é outra grande personagem do evento. “A minha vida se faz na Bienal. Sinto-me emocionada por participar, pois muita gente duvidou da minha carreira como escritora, e foi na Bienal que tudo começou”, conta a autora carioca que, para divulgar seus livros, fez polichinelos e pagou mico na divulgação de
Traição entre Amigas na Bienal do Rio de Janeiro, em 2001.
A estratégia deu certo. A obra começou a “vender como água no deserto”, e Thalita se transformou em um fenômeno da Bienal. “Em 2010, via que leitoras ficavam horas na fila só para passar dois minutinhos comigo. E a cada edição, vejo que o público está crescendo, porque minhas leitoras passam o livro para irmãs mais novas”, conta a escritora em tom animado.
A DOCENTE
Preocupada com a criação de novos leitores, a Bienal sempre dedica espaço para os grandes responsáveis pela formação literária dos estudantes: os professores. No Espaço do Professor deste ano, temas como a leitura na era digital, inclusão e a experiência da biblioteca para bebês serão discutidos entre profissionais. Além do espaço voltado para os docentes, a Bienal também está de portas abertas para os alunos, que podem participar de excursões providas pelas próprias escolas gratuitamente.
Divulgação/Bienal do livro SP
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Menina passeando pelos stands da Bienal
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Para Maria Cristina Troiano, 49 anos, professora de Arte de uma escola pública de São Paulo, a ida à Bienal incentiva a formação de novos leitores. “Este ano, pretendo fazer uma excursão com meus alunos. Espero que eles gostem muito e voltem sempre que houver a Bienal, pois é de grande importância cultural para a vida deles. Por serem de classe média para baixa, eles não têm acesso às grandes novidades culturais, como teatro e bienal de arte, de livro”, conta a personagem, que sempre cola cartazes de divulgação de eventos como a Bienal para incentivar a formação cultural dos seus alunos.
A LEITORA
A jovem Talita Cristina Gomes Neves, 19 anos, é a prova de que o incentivo dos professores estimula o gosto pela literatura entre os alunos. Depois de participar de uma excursão de escola, em 2008, Talita decidiu voltar ao evento sozinha. “Adorei ter ido com a escola, mas achei que por conta própria eu teria mais liberdade para encontrar o que procurava”, afirmou a auxiliar administrativa financeira, que também aprecia a variedade e o bom preço que o evento oferece.
“Gosto das banquinhas personalizadas, como uma loja em forma de castelo que vendia livros de romance. Fiquei encantada com a criatividade, já que os vendedores estavam fantasiados de vampiros e princesas. Também vi crianças encantadas com tantos livros, e até mesmo os adultos 'babavam' nas lojas sobre música, literatura brasileira e estrangeira”, comentou Talita, que pretende participar desta e de futuras edições da Bienal do Livro de São Paulo.