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A fantasia e a ficção científica sem preconceitos06. 11. 2012
Literatura
Ao contrário do que muita gente pensa, a bandeira do movimento LGBT não tem as sete cores do arco-íris
Por Marcelo Rafael
 
No reino da Fantasia, tudo pode acontecer. O sapo pode virar príncipe e a princesa ser acordada de um longo sono por um simples beijo. O que até pouco tempo não podia era o sapo virar príncipe e arranjar outro príncipe para se casar, ou a princesa ser acordada pelo beijo de outra princesa.
 
Numa tentativa de transformar esses gestos simples de amor em algo mais comum e corriqueiro, a Tarja Editorial lança, desde o ano passado, uma série de livros abordando a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) em histórias de fantasia e ficção científica para o público adulto. A coleção A Fantástica Literatura Queer já tem três volumes publicados e, em novembro, lança o seu quarto título. 
 
A palavra “queer”, que, ao pé da letra, quer dizer “esquisito”, em inglês, também é usada pejorativamente, mas tornou-se um termo para designar o ramo de estudos que busca desafiar as categorias de identidade. O novo significado surgiu dos estudos sobre gays e lésbicas nas universidades.
 
A ideia de escrever sobre fantasia LGBT no Brasil surgiu quando o publicitário e escritor Rober Pinheiro e a escritora e revisora Cristina Lasaitis perceberam que não havia nada do gênero no país e resolveram organizar uma coletânea. Ambos apresentaram a proposta a Gianpaolo Celli e Richard Diegues, editores da Tarja, que se engajaram no projeto e abriram inscrições para receber contos com essa temática.
 
Foram tantos contos que ficou inviável publicar os selecionados em apenas um volume, e o que era apenas um, virou dois. Os editores abraçaram a ideia, e o projeto se transformou em uma série de seis livros, cada um representando uma das cores do movimento LGBT.
 
A série de seis livros já está em seu quarto volume
 
Gianpaolo conta que um dos fatores que o atraiu no projeto foi tirar a comunidade LGBT da esfera do sexo. “O conceito das histórias é você ter personagens principais homossexuais dentro de uma trama não sexual”, explica.
 
As diferentes histórias da série envolvem anjos, demônios, fantasmas, alienígenas e várias outras feras e seres sobrenaturais. E nem sempre o protagonista é homossexual, travesti, transexual ou bissexual. A afetividade e a sexualidade não são tratadas como um problema. “É um ponto de vista aberto”, comenta Gianpaolo.
 
Mas como deixar claro ao leitor a sexualidade de alguém gay ou lésbica? De forma sutil, como explica Rober, ao citar um conto do livro Amarelo em que um comandante de uma espaçonave e seu subordinado enfrentam uma ameaça. “A relação entre os dois vai sendo construída à parte. É mais uma relação de companheirismo, de ajuda, do que propriamente uma relação homoafetiva”, conta.
 
Em outro caso, o preconceito foi explicitado, em uma história em que um soldado do reino de Aragão (na atual Espanha) é sequestrado por alienígenas. O guerreiro acaba fugindo com outros extraterrestres e um dos E.T.s acaba manifestando interesse pelo soldado aragonês, que não aceita essa atração. O conto está presente no novo livro, o Verde.
 
A série também quebra um pouco o preconceito de que, sob as palavras “gay”, “homossexual”, “lésbica”, etc., todos os envolvidos são, necessariamente, LGBT. Gianpaolo conta que, na primeira versão da introdução do livro Vermelho, o texto dizia que se tratava de uma obra onde todos os “editores são gays”. Ao ler aquilo, Gianpaolo, que é hétero, surpreendeu-se. “Como assim ‘os editores são gays’? Eu nem sabia que eu era gay!”, brinca. O texto foi alterado antes da publicação.
 
O livro 'Vermelho'
O livro 'Verde'
 
Um dos exemplos de autores da série que não estão ligados ao movimento é Antônio Luiz M. C. Costa. Escritor heterossexual, ele tem um romance de fantasia e vários contos publicados por diferentes editoras. Com o tema lésbico, escreveu dois textos. Um deles foi aceito para a coletânea Erótica Fantástica, da editora Draco, e o outro entrou para o livro Amarelo, da coletânea da Tarja. Em seu conto, a escritora britânica Emily Brontë vem morar no Rio de Janeiro, onde acaba se apaixonando por uma índia amazona.
 
“Eu acho que você pode ler sendo hétero e não ter problema nenhum em se identificar com o personagem. Existem mais aspectos num personagem para você se identificar do que a orientação sexual dele”, comenta Gianpaolo. E finaliza: “Preconceito é preconceito. E todos eles são ruins”.
 
Além do livro Verde, fecham a coleção o Azul e o Lilás, que têm previsão de lançamento para 2013.
 
 
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