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As mulheres ganham espaço no mundo nerd 25. 01. 2014
Quadrinhos
As mulheres estão ganhando mais espaço no mundo nerd
Por Marcelo Rafael
 
No começo, era só Penny em meio a quatro nerds. Logo, a palavra “geek” se espalhou no Brasil e, em The Big Bang Theory, a garçonete ganhou a companhia das nerds Amy Farah Fowler e Bernadette, criando um núcleo próprio. Hoje as nerds ganham espaço e se fazem ouvir.

Além das séries, a internet ajudou a popularizar facetas nerds, como gírias e o gosto por quadrinhos e jogos. Até videogames – como Kinect e Wii – e os celulares contribuíram, na opinião da geek Ana Paola Giometti Lombardi, doutoranda em Educação de Saúde e escritora.

“Depois que saíram esses games que você pode jogar com a família, isso foi crucial para que as mulheres e mães começassem a jogar e também a baixar joguinhos no celular. Cansei de ver mulheres no ônibus jogando, nem que seja Angry Birds ou Candy Crush”, aponta Ana Paola.

FORA DO NICHO

Um exemplo é Bethania Vícola, arquiteta, cujo maior contato com a cultura nerd havia sido a tentativa de ler um mangá. Não por falta de insistência do irmão Gustavo Vícola, jornalista e geek. “Desde sempre ele leu e ficava ‘Ah, lê um pra ver como é’. Até tentei, mas nunca me interessei. Realmente não é minha praia”, conta ela.

Até que, um dia, ele insistiu mais uma vez para que ela visse um “desenho”. Logo Bethania retorquiu: “Eu não vou ver isso. Tem muito sangue”. Mas, com a insistência, ela resolveu aceitar.

Era o anime Attack on Titan. Ao final do primeiro episódio, ela se interessou e quis ver o segundo. Ao final, Gustavo já estava com sono... mas Bethania queria ver o terceiro.

Aos 32 anos, Bethania se interessou pela série toda. Quando descobriu que ainda estavam sendo produzidos os dois últimos capítulos, ela foi em frente e pesquisou na internet para descobrir o lançamento do final.

“Eu ligava pro meu irmão toda empolgada: ‘Em que capítulo você está? Aconteceu tal coisa. Você precisa saber o que aconteceu!’”, lembra ela, que terminou a série. Gustavo ficou no episódio 13...

Após isso, ela conta que não foi atrás de mais nenhum anime. Mas confessa que adorou a história, as expressões e as falas dos personagens. “Tem muito sentimento. E... Ai... Fiquei com vontade de ser um deles porque... Eles são demais, né?”, anima-se.

Já Ana Paola é nerd de carteirinha. Lê gibis desde os 16, com preferência por X-Men; joga RPG desde os 14; e videogame, desde pequena. Hoje, com 30 anos, namora outro nerd, escritor de livros.

Ela conta que sempre foi a menina no meio dos nerds. “Eu tinha uma Barbie ou outra. Mas a Barbie era pra fazer par com o Rambo. O Ken, pra mim, não era o Ken, era o Rambo. Eu até brinco [hoje]: ‘Pra que o Ken se existe o Max Steel?’”, diz.

Assim como Gustavo fez com a irmã, ela tentava apresentar seus gostos para as amigas. Na casa de uma delas, viu um Playstation. Intrigada, convidou a amiga para jogar, mas ela disse que o videogame era dos irmãos e que não curtia muito.

Ana Paola insistiu. “Ficamos a madrugada jogando, resolvendo códigos”. Logo, as duas estavam jogando outros games e comentando não sobre os galãs das novelas, mas sobre os “gatões” dos games. “Eu e ela amávamos o Leon [S.] Kennedy. Ele era o nosso gatão. Tinha o Gail, do Dino Crisis, o Chris Redfield, do Resident Evil I...”, afirma.
 
Chris Redfield, o “galã” de Resident Evil

A REPRESENTAÇÃO DENTRO DO NICHO

Por ter sido, durante muito tempo, a “bendita sois” entre os homens, Ana Paola vê problemas na representação das mulheres nesse meio. “Eu percebo que existe machismo em toda a área nerd. É como se nerd só fosse homem”, afirma.

Ela exemplifica com uma imagem que viu da Mulher-Maravilha representada em posições eróticas em uma revista. “Ela não é assim. Ela representa coragem, bravura”, rebate. “Eu, como mulher, sinto-me meio humilhada. Ah, então quer dizer que as heroínas são isso aí?”, acrescenta.

“Por mais que use maiô, ela não precisa ser vulgar, entende? O problema não é o maiô”, diz. E Levi Trindade, editor sênior de DC e Marvel Comics no Brasil, concorda.

“Emma Frost foi criada e concebida assim [sensual], e ela não vai mudar. Mas eles amenizaram. Pelo menos ela não anda mais de calcinha por aí, o que acho que era completamente inconcebível”, diz Levi.

Feminina e adepta do salto alto, Ana acrescenta: “O problema é a posição em que colocam a mulher nas revistas. Posição ao pé da letra, mas também a condição em que colocam a personagem”, diz.
 
Mulher-Maravilha nos anos 1960 e nos anos 2000. “Durante muito tempo, ela foi símbolo de sexualidade. Hoje eu acho que ela é mais uma heroína”, afirma Levi

Traçando um paralelo, Namor e Aquaman usam sunga, mas dificilmente serão vistos em poses sensuais ou com “volumes” grandes, como os seios avantajados de algumas heroínas. O mesmo se aplica às adaptações dos heróis no cinema: apesar de usarem colants nas HQs, eles nunca usaram esses trajes na telona.

“Faz mais sentido. Mulher ficar andando com maiô cavado pra lá e pra cá? Ninguém, em sã consciência, faria isso na vida real”, diz Levi. “Valem-se muito das formas, do jeito de a mulher se vestir, de andar como se estivesse posando para uma foto. Não acho que, hoje em dia, seja 100% aceitável”.

AS BEM CONSTRUÍDAS

Levi avalia que, hoje em dia, os criadores têm dado um novo tratamento para a figura feminina. “Algumas ganharam destaque não por sua beleza, mas por sua atitude, por sua personalidade”.

Entre elas, o editor cita Katniss, da franquia Jogos Vorazes, e Batwoman, Jean Grey, Tempestade e até a Mulher-Maravilha, nos quadrinhos. Para Levi, isso vai da criatividade do artista.

Ele lembra que na fase dos X-Men escrita por Grant Morrison, todos usavam uniformes meio paramilitares. E a artista Kelly Sue Deconnick tirou o clássico maiô cavado da Capitã Marvel. “A Batwoman, eu a acho superatraente. Mas ela se veste da cabeça aos pés”, diz Levi.

Entre os autores que constroem narrativas sem apelo, o editor cita Neil Gaiman – e seus personagens cativantes – e Brian K. Vaughan: “Apesar de Y: O Último Homem e Ex Machina terem temas de sexo, isso não é o mote”.

Nos games, Ana Paola menciona Lara Croft: “Ela é forte, é guerreira, é brava. Mas tem uma sensualidade que é natural”.

Ao que parece, Lara, Katniss, Amy e Bernadette ainda têm que lutar muito para representar adequadamente aquelas que constituem mais da metade da humanidade. Mas as mudanças já estão acontecendo. E para melhor!
 
Katniss, entre os exemplos de bravura e heroísmo
 
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