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Como foram os últimos dias e horas de Edgar Allan Poe?06. 10. 2014
Literatura
Edgar Allan Poe
Por Andréia Martins

Quando se fala no nome de Edgar Allan Poe (1809-1849), somos levados para histórias de assassinos e loucos, enterros prematuros, personagens misteriosos que retornam dos mortos e coisas do tipo em obras clássicas como Os Assassinatos da Rua Morgue, O Gato Preto, Histórias Extraordinárias, O Corvo, entre outras.

Aliás, mistério é o que não falta na própria história pessoal do autor. Muito do que se sabe sobre Poe é fruto da desinformação de um de seus maiores inimigos, Rufus Griswold. Dias após a morte do escritor, Rufus escreveu um obituário ofensivo, retratando Poe como um bêbado e mulherengo, sem moral e sem amigos. Em vez de enterrar a reputação do autor, o texto acabou despertando a curiosidade do público e fez as vendas de seus livros decolarem.

A morte do escritor, em Baltimore (EUA), aos 40 anos, completa 165 anos no dia 7 de outubro de 2014, e a causa nunca foi completamente esclarecida. Poe morreu só, sem amigos ou familiares, depois de uma vida de poucas glórias.

Para relembrar este que é um dos mais importantes nomes da literatura de horror e suspense, o SaraivaConteúdo convidou dois autores nacionais para dar sua versão de como teriam sido os últimos dias e horas de Poe.

Ademir Pascale e Flávia Lins e Silva toparam o desafio. Para Pascale, uma palavrinha de quatro letras teria levado Poe à morte. Flávia imagina que, mesmo no fim da linha, o escritor quis acertar as contas com o desafeto, Rufus. Veja abaixo.

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O BILHETE PERDIDO, POR ADEMIR PASCALE

Alguns dizem que foi o destino. Outros, que foi a sociedade. Sua vida não foi fácil, e uma enorme quantidade de problemas o cercou até seu último dia de vida: perdas irreparáveis, amores não correspondidos, falta de dinheiro, doenças, vício, inveja... Embora cheio de obstáculos, mesmo lucrando pouco, viveu do seu ofício e produziu inúmeros textos, destacando maravilhosos contos que o levaram a um patamar de gênio, muito além do escritor comum. Ainda assim, num dia nublado, foi encontrado na sarjeta, delirando e usando roupas que não eram suas. Foi recolhido como um mendigo e levado a um hospital, mas seu estado de saúde já estava comprometido, vindo a falecer poucos dias depois. Os médicos nunca conseguiram identificar a causa da sua morte.

A única coisa que ninguém viu foi um pedaço de papel amassado e manchado de sangue no fundo do seu bolso, no qual se lia, com certa dificuldade, pois as letras estavam trêmulas, a palavra: A M O R.
 
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A ÚLTIMA CARTA DE POE – OU A ÚLTIMA BRIGA COM RUFUS, POR FLÁVIA LINS E SILVA

Baltimore, Maryland, 7 de outubro de 1849
Corvos me perseguem:
Nunca mais!
Corvos me azucrinam:
Nunca mais!
O pior de todos os corvos é Rufus, aquele crítico maldito.
Por sua causa, desisto:
Nunca mais!


Edgar Allan Poe

À corte de Baltimore,

Baltimore, Maryland, 10 de outubro de 1849

Em seu último garrancho, Edgar Allan Poe tenta me incriminar injustamente e isso é inaceitável. Devia estar alucinado, fora de si. Afinal, li toda a sua obra, sempre me interessei por seu trabalho e, se em algum momento fiz críticas, foi para que ele mantivesse sua literatura no mais alto nível. Não acho que tenha se deprimido por minha culpa. Era um tipo sempre angustiado, pessimista, gostava de beber... Em seu último dia de vida, encontrou-me no bar de sempre e me pediu dinheiro: uma soma alta. Emprestei e ele sequer agradeceu. Saiu apressado e, se usou o dinheiro para se drogar, não é culpa minha. Mas, como não está mais aqui para me reembolsar, proponho a esta corte que eu seja recompensado com o direito de ser o executor literário de suas obras. E, de agora em diante, se alguém quiser publicar algum texto de Edgar Allan Poe, terá de me pagar.

Sem mais,

Rufus Wilmot Griswold.
 
SOBRE OS AUTORES:

Ademir Pascale é escritor e fundador do Poe's Club, o blog brasileiro mais completo sobre Poe. É autor de Poe 200 Anos, Mr. Hyde Homem Monstro, Metamorfose - A Fúria dos Lobisomens (todos pela All Print), entre outros. Pela editora Draco lançou O Desejo de Lilith, e em breve publicará Caçadores de Demônios.

Flávia Lins e Silva é escritora, roteirista, documentarista e autora de diversos títulos infantojuvenis, como a série Diários de Pilar, O Estranho Bicho Zim, Mudança às Vezes Cansa e a coleção Os Detetives do Prédio Azul, todos pela editora Zahar. A série dos pequenos detetives foi adaptada para a TV, no canal Gloob.
 
Flávia Lins e Silva e Ademir Pascale
 
 
Comentários (2)
Miriam Santiago - 12/10
Parabéns pela matéria,a final, Edgar Allan Poe vale a pena. Parabenizo também a grande contribuição de um grande estudioso de Poe, Ademir Pascale, que por meio de seu blog, "dá vida ao escritor".
Elenir Alves - 07/10
Parabéns por essa matéria, e parabenizo ainda os autores Ademir Pascale e Flávia Lins que contribuíram com os seus conhecimentos, que só vem a fortalecer cada vez mais a história desse grande escritor que foi Poe!!
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