Por Juliana Welling
O Brasil, além de ser visto como a “bola da vez” por investidores e especialistas, também está atraindo o interesse de estrangeiros pela nossa cultura, em especial, para a literatura produzida no País.
A opinião foi o centro das reflexões da mesa “Internacionalização da Literatura Brasileira”, realizada durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e que contou com as participações de Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e do escritor amazonense Milton Hatoum.
Os dois concordaram com o fato de que o Brasil precisa aproveitar esse atual momento de visibilidade para difundir ainda mais a literatura nacional no exterior.
Neste sentido, Galeno falou sobre os programas para a internacionalização do livro e do escritor brasileiro, que prevê investimentos de cerca de R$ 80 milhões até 2020. As iniciativas incluem bolsas de tradução, apoio à publicação nos países de língua portuguesa, além de patrocínio de viagem a escritores brasileiros para divulgação de suas obras no exterior.
O escritor, que já foi traduzido em 16 línguas, com edições em países como Alemanha, França, Portugal, Suécia, Estados Unidos e Inglaterra, disse que vê um esforço maior do Brasil para tentar estimular editoras estrangeiras a traduzirem nossas obras.
“Mas, ainda assim, nos EUA, menos de 5% dos livros publicados são traduzidos. Na Europa, esse dado é de mais ou menos 30%. Há 20 anos, meu editor foi até a Feira do Livro de Frankfurt e apresentou às editoras estrangeiras o meu livro (Relatos de um Certo Oriente). Hoje isso é mais complicado, porque as editoras não correm mais o risco de publicarem livros não-comerciais. E esta é uma das grandes ameaças da literatura”, disse Hatoum.
O escritor Jorge Amado – um dos homenageados da Bienal – foi apontado durante a mesa como um dos autores nacionais que abriu as portas da literatura brasileira no exterior.
Segundo o presidente da FBN, as obras do escritor Moacyr Scliar tem obtido grande interesse das editoras estrangeiras, além de autores estreantes. “Ao mesmo tempo em que há interesse pelos clássicos de nossa literatura, muitos agentes literários vêm ao Brasil procurando por novos autores”, enfatizou Galeno.