19 de Novembro de 2009 | 11:14
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A transmutação de Suzana Amaral 
Sempre que se fala em Clarice Lispector, especialmente no livro A hora da estrela, lembra-se do filme homônimo, dirigido por Suzana Amaral. E lembramos, ainda, da revelação de 1984, a atriz Marcelia Catarxo, como a impagável Macabéa.
"De repente ela ressurgiu, a Clarice e os livros dela tiveram um desabrochar muito grande a partir de A hora da estrela. Não só aqui no Brasil [o filme] teve uma repercussão, mas fora também. Há, mais ou menos, um mês foi publicada uma biografia dela por um americano, em inglês – e pouca gente sabe disso", afirma Suzana, que recentemente esteve no Cine Odeon, Rio de Janeiro, para exibição da restauração de A hora da estrela, que reuniu todo elenco do filme. A biografia mencionada por ela, Clarice, de Benjamin Moser, chega em novembro ao Brasil pela Cosac Naify
Incansável, Suzana tem se aventurado por lugares diferentes em sua trajetória, mais fragmentados. O resultado é o excelente filme Hotel Atlântico, um profundo mergulho na obra do escritor João Gilberto Noll. Com uma narrativa fluida, o filme mantém o respeito a obra de Noll, sem ser reverente à literatura. Uma linguagem cinematográfica original e arrisca – do jeito que a cineasta gosta.
"Achei, de repente, que eu queria arriscar, partir para outro universo, um universo masculino, um filme completamente não clássico, não intimista, não psicológico, não social...”
A paixão por obras literárias é notória, mas Suzana Amaral faz questão de esclarecer:
"Crio uma nova obra a partir da obra original. Não digo que adapto, eu transmuto. É uma transmutação. Eu pego a obra, leio bastante, procuro entrar na obra e capto dela o espírito, o tema mais central - segundo meu ponto de vista." (Ramon Mello)
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