27 de Janeiro de 2010 | 16:18|
 

Ana Cañas, do jazz ao rock   

Ana Cañas dormiu pouco nos dois últimos dias, quando esteve no Festival de Verão, em Salvador, e seguiu direto no dia seguinte para tocar no Humaitá pra Peixe, na Lapa carioca. Mesmo assim, não aparenta cansaço após a passagem de som no Circo Voador para o show no último sábado, 23 de janeiro. A cantora lançou em 2009 seu segundo disco, Hein?, produzido por Liminha e com participação de Arnaldo Antunes, parceiro em cinco das 12 músicas do disco, que conta com a versão de “Chuck Berry fields forever”, de Gilberto Gil. 

Bem humorada, Cañas falou, entre outras coisas, sobre o começo, quando se endividou para poder bancar dois shows, e a paixão pelo jazz e, mais tarde, pelo rock, tônica desse segundo álbum. Comentou ainda a oportunidade de compor e tocar com Arnaldo Antunes e de trabalhar com Liminha, ex-integrante d’ Os Mutantes, banda fundamental para a cantora e compositora que completa 30 anos em 2010.

Acompanhe alguns dos melhores momentos dessa entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo

O jazz e as divas 

“Tinha 22 anos e nunca tinha ouvido nada de jazz. Na época [2002], ouvi a Ella Fizgerald cantar e minha relação com a música mudou. Fui uma adolescente muito radiofônica, ouvia muito rádio FM, Jovem Pan, Transamérica, não tinha ninguém na minha família que fosse mias musical, tocasse um instrumento ou que cultivasse essa coisa da cultura musical dentro de casa. Quando ouvi a Ella improvisando com a voz, foi um choque. Me lembro, até hoje, da sensação que eu tive. E, de repente, eu percebi que aquilo era uma forma de expressão muito pessoal. Comecei a correr atrás, e a ouvir todas as coisas, essa monomania que tenho, de ficar ouvindo o mesmo estilo durante muito tempo. Aí fui para Billie Holliday, Sarah Vaughan, Carmen McRae, Nina Simone. Comecei a ouvir jazz instrumental, Miles Davis, John Coltrane, Ben Webster, essa turma toda que adoro. Por conseqüência, fui ouvir música brasileira, Tom Jobim, Chico Buarque. Me apaixonei por esse lance e comecei a cantar. Na época, estava duríssima, precisando de grana, fazendo faculdade, pagando aluguel e comecei a cantar na noite, com amigos que tocavam violão. 

Não sou uma jazzista, né? Não toco nenhum instrumento. Violão, tenho aprendido há pouco tempo, não leio partitura e nunca estudei música formalmente. Então era uma jazzista cara-de-pau, de ficar ouvindo os temas, decorando as melodias. E era difícil, porque cada cantora tem uma melodia diferente. No jazz, a verdadeira forma de improvisação é a modificação, a criação do seu jeito pessoal de fazer. Isso ampliou a minha maneira de entender música, e fui desenvolvendo minha musicalidade cantando na noite, que é uma grande escola.” (Bruno Dorigatti)

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  • NOVABOSSA (PHILL VERAS) 31 de Janeiro de 2010 | 15:23
    MEU DEUS, quando eu ouço a ANA, eu fico paralisado, as vezes me acabo de chorar. UM DIA AINDA CANTO COM ELA AO SOM DE UM VIOLÃOZIM!!!

  • Phill Veras 31 de Janeiro de 2010 | 15:20
    MEU DEUS, quando eu ouço a ANA, eu fico paralisado, as vezes me acabo de chorar. UM DIA AINDA CANTO COM ELA AO SOM DE UM VIOLÃOZIM!!!

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