31 de Janeiro de 2010 | 11:12
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João Ximenes Braga, intimidade e sotaque carioca 
A escrita de João Ximenes Braga tem sotaque carioca. E, junto às características da cidade que impregnam suas palavras, há uma ironia ferina. O cenário urbano é cercado por personagens que nos fazem ampliar o gosto pela intimidade alheia. E, por vezes, querer participar dela.
Em A mulher que transou com o cavalo (Língua Geral), o escritor direciona o olhar dos leitores – a trajetória de cronista faz de João Ximenes Braga um observador ainda mais atento – ao cotidiano privado de personagens marcantes, onde o sexo costura as relações a todo instante. As mulheres são personagens mais fortes, mas nem por isso escapam da misoginia da escrita.
“Se você vê misoginia nos contos, eu concordo porque a misoginia está aí. [risos] A misoginia está na área, se reflete. Estamos numa sociedade misógina, tantos os homens como as mulheres. [...] As mulheres são muito misóginas. Mulher carioca? A mulher brasileira é muito misógina. Elas se cobram uma feminilidade de uma forma... Estou generalizando. Mas acho a mulher carioca muito misógina.”, afirma.
Autor dos romances Porra (Objetiva) e Juízo (7Letras), caracterizados pela firme voz masculina, João Ximenes faz um mergulho na neurose feminina através dos contos. Impossível esquecer o diálogo das personagens, o que faz de cada história um registro antológico. Não me intimido ao apontar A mulher que transou com o cavalo como uma das melhores publicações de 2009.
Jornalista, o autor publica, todos os sábados, crônicas no Caderno Ela do jornal O Globo. Mas isso é um detalhe, o que importa é a sua ficção. (Ramon Mello)
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