Com 23 anos de carreira, Margareth Menezes é hoje um dos principais nomes do afoxé baiano. Em seu mais recente trabalho, Naturalmente, lançado em 2008, porém, a cantora e compositora, passeia pela MPB e alguns dos seus principais nomes, como Gilberto Gil, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Chico César e Jorge Aragão.
Na entrevista a seguir, gravada com a cantora em Salvador, ela comenta a sua trajetória, fala do início no teatro, da força que teve de David Byrne, com quem excursionou no começo da carreira e de suas composições.
O começo no teatro
Margareth Menezes. Morava na Península Itapagipana, uma parte da cidade onde tem a Ribeira, Boa Viagem, a Igreja do Bonfim. Um lugar que tem um histórico cultural bem forte. No colégio onde estudei, comecei a ter aulas de teatro. Também cantava no Coral da Congregação Mariana. Minha família sempre teve, de maneira bem espontânea, essa ligação com a música. Minha mãe gostava muito de samba de roda. Todos os eventos na Ilha de Maré aconteciam na casa de minha avó, era como se fosse a produtora cultural do negócio. Isso já vem, de uma certa forma, naturalmente desse ambiente onde eu morava, em Boa Viagem. Ali tem muitas festas, cresci interagindo com esse universo.
No teatro da escola, foi algo mais forte, pois o professor vinha de uma formação profissional e trazia essa consciência para as aulas. Fizemos algumas peças, minhas personagens cantavam também. E tudo aconteceu de maneira espontânea, eu não tinha essa ambição, “vou ser cantora”. Para mim, era natural, a música foi me absorvendo. Depois do teatro na escola, comecei a participar de um grupo, Troca de Segredos em Geral, formado pelo Paulo Conde. Ele participou do grupo carioca Asdrúbal Trouxe o Trombone e tinha a idéia de formar filhotes do Circo Voador [onde surgiu o AToT] em vários lugares. Aqui em Salvador, ele criou esse circo Troca de Segredos em Geral e participei desse movimento. (Bruno Dorigatti)
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