25 de Fevereiro de 2010 | 17:30
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Ruy Espinheira Filho 
"Eu resisto à escrita. Escrever não é nenhum prazer, não. É uma coisa que incomoda muito, angustia."
Como o próprio poeta afirma, pode parecer estranho um homem de letras, que vive delas e para elas, falar isso. Mas não foge à compreensão que a busca pela palavra exata, pelo tempo e pelo ponto final, sobretudo para quem se dedica a árdua travessia pela poesia, não é nada simples tampouco fácil, mas dolorosa.
Apesar da resistência, o baiano Ruy Espinheira Filho, nascido em Salvador em 1942, vem produzindo poesia, prosa, ensaios. Entre os primeiros, contam-se 13 livros dedicados aos versos, começando com Heléboro[presente em Poesia reunida e inéditos (Record, 1998)], em 1974, e chegando, até agora, em Sob o céu de Samarcanda, lançado em 2009 pela Bertrand Brasil. Sua filiação passa por Drummond e, como ele, Ruy investe no poder restaurador da palavra, como afirmou Miguel Sanches Neto. Para outro poeta, Alexei Bueno, "Ruy conseguiu a façanha de fluir com a mais absoluta naturalidade da grande corrente da nossa poesia modernista sem incorrer em nenhum de seus maneirismos, onde se banharam tantos de sua geração".
Ruy publicou o primeiro livro, Heléboro, em 1974, aos 31 anos, a mesma idade que Manuel Bandeira e Monteiro Lobato publicaram os seus, "uma boa idade para se estrear", afirma nesta entrevista exclusiva aoSaraivaConteúdo. "Primeiro livro é uma experiência muito particular. Tive uma sorte de não ter condições de publicar antes, e fazer como Vinicius de Moraes, cujos primeiros poemas foram praticamente todos rejeitados. Esse livro meu, não rejeitei nada até hoje." (Bruno Dorigatti)