29 de Julho de 2009 | 17:06
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Bernardo Carvalho, pânico em São Petersburgo 
Por Bruno Dorigatti
“As mães têm mais a ver com a guerra do que imaginam.” Essa frase do livro mais recente de Bernardo Carvalho tem sido recorrente em textos que tratam de
O filho da mãe (Companhia das Letras). Faz sentido, dentro da obra que aborda perdas, despedidas, reencontros, desajustes e uma sensação de não-pertencimento e deslocamento que permeia a história passada entre o Cáucaso, onde fica a Tchetchênia, São Petersburgo, na Rússia, o Mar do Japão e o extremo norte do Brasil. O foco central destas histórias de desencontros e lutas insanas de mães que tentam, a todo custo, salvar seus filhos dos desastres da guerra – no caso, a segunda guerra da Tchetchênia, em 2003 –, no entanto, se passa entre Grozni e São Petersburgo.
Todos sabemos que de uma guerra ninguém sai vencedor, mas os que perdem aqui, perdem um pouco mais. Bernardo Carvalho aborda a decadente sociedade russa, a questão da migração e do preconceito com os caucasianos, da decadência do exército russo, da poderosa força de vontade destas mães, que formaram o Comitê das Mães dos Soldados, e não medem esforços para salvar seus filhos. O livro – que integra o projeto Amores Expressos – revela uma outra São Petersburgo por detrás das fachadas renovadas por conta dos 300 anos de fundação da cidade, comemorados em 2003, ano em que se passa o enredo: escura, escondida, de personagens que só podem sair à noite, nada edificante.