21 de Agosto de 2009 | 18:43
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Marina Colasanti, entre a literatura e as artes plásticas 
"Marina não queria ser escritora, Marina queria ser artista plástica; era o meu projeto de vida. Eu nunca pensei que eu fosse ser escritora. Embora eu escrevesse quando era criança, fazia poema – mas isso todo mundo faz", declara a escritora e jornalista ítalo-brasileira, que nasceu na Eritréia – então colônia italiana no norte da África, que se tornou uma província da Etiópia nos anos 1960 até conseguir a independência, em 1993 – e imigrou para o Brasil ainda criança com surgimento da II Guerra Mundial.
Como artista plástica, estudou Belas-Artes e vem realizando desde a década de 1950 exposições, individuais ou coletivas. A arte plástica foi primordial para construção da trajetória da escritora, que até hoje ilustra as capas dos livros que escreve, e, na adolescência, viveu no mítico casarão do Parque Lage, no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, que na época pertencia a sua tia, a famosa cantora lírica Laura Besonini.
No entanto, Marina considera o trabalho com as tintas muito diferente do trabalho com as palavras. "Eu acho que é diferente, muito diferente da escrita. Primeiro porque tem o prazer físico, sensual, que não tem na escrita. Para pintar eu trabalho com óleo. Fazer um empasto da tinta, casar a construção da cor que você quer exatamente, aqui, ali, acolá..."
A escritora, que conta hoje com mais de 40 obras publicadas – entre crônicas, contos, poesia e literatura infanto-juvenil – também distingue o processo de criação para cada gênero que exerce na escrita. "O processo de criação é diferente para cada produto, chamemos produto ao invés de gênero. É diferente o processo de criação, sobretudo em relação à poesia e aos contos de fada."
E o que está fazendo a escritora que lançou seu primeiro livro, Eu sozinha, em 1968? "Agora estou fazendo um livro estupendo. Sabe o que é um livro estupendo? É um livro de poesia para crianças, são poesias alucinadinhas, muito curtas: ‘Nem de brincadeira fale a queima-roupa com a passadeira’, ‘Alguém me responda quem colocou na piscina essa anaconda’. São 80 poeminhas assim. O título é Classificados e nem tanto", confidencia sem modéstia, e com a certeza que não vai ilustrar o livro que sai pela Record. Eu sempre soube que eu não iria ilustrar esse livro. Fiquei procurando na minha cabeça quem poderia ser. Já no meio livro eu tinha certeza quem seria meu ilustrador ideal. É Rubem Grillo.” (Ramon Mello)
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