04 de Setembro de 2009 | 16:05|
 

Entrevista com Affonso Romano de Sant'Anna   

Para o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, “a morte é uma construção que se faz em vida”. A sua produção poética e crítica – se encontram nos caminhos diversos de sua trajetória – fazem parte dessa tentativa de registrar as idiossincrasias da experiência humana. 

“A literatura, por exemplo, a poesia, para mim, é a construção que você deixa sobre a destruição. É a própria narração da destruição, mas, dialeticamente, construindo algo que vai cobrir aquele vazio. A impressão que o escritor tem – não sou só eu, qualquer escritor, qualquer artista que produz um som, produz uma imagem – quando produz uma coisa ele preenche o vazio, ocupou o espaço. A vida, no caso do escritor, só existe quando for transformada em palavras”. 

Um dos intelectuais mais atuantes do Brasil, Romano de Sant’Anna se relaciona com o tempo buscando imprimir sua visão de mundo através de versos e textos ensaísticos, num constante estímulo ao pensamento crítico. Confessando que estava cansado de “ler de joelhos”, o poeta sai à procura de um diálogo, em pé, com autores que pensam a sociedade atual. 

“Na universidade se lê tudo de joelho o tempo todo: Benjamin, Nietzsche... Fica repetindo aquelas coisas que o professor... O professor está de joelho também lá... Eu resolvi ler essas pessoas em pé, o que realmente acho. A vida é uma assinatura pessoal, tem que ter uma redação própria”, afirma o autor de O enigma vazio (Rocco, 2008), entre outros títulos de ensaios, crônicas e poesias. (Ramon Mello)

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