Por Rafael Roncato
Sujo, distorcido, espinhento, ácido, odioso, sarcástico, verborrágico, direto e de traço nervoso. O trabalho do carioca Bruno Maron é de fácil definição: você ama ou odeia. Parece não haver um meio termo quando vemos aqueles desenhos toscos, mas de veracidade inquestionável.
Como o passar de unha no quadro negro, Maron chama a atenção pela crítica social – e algumas vezes, a autocrítica – por meio do blog Dinâmica de Bruto. É exatamente esse o ambiente no qual se sente confortável para desbravar o comportamento descerebrado e a egolatria do povo brasileiro. É uma distribuição de tapas na cara que estão ali para achar as devidas faces – basta se reconhecer.
As tiras do carioca são recheadas com um humor sem medo. Ele não tem receio de falar sobre o que realmente está ali, com protagonistas que poderiam muito bem ser o seu vizinho, seu colega de trabalho ou você mesmo. Ninguém se salva quando se mexe com a moral e os bons costumes – se ainda há algum.
Descobrindo e sendo influenciado pelo humor de Angeli, Laerte e Glauco nos anos 80, Maron realmente seguiu com seu trabalho num segundo levante dos quadrinhos críticos, humorísticos, mas com o dedo na ferida característico de Allan Sieber, Arnaldo Branco e André Dahmer. O resultado ele vem colhendo aos poucos, com suas tiras saindo da internet e chegando a veículos físicos de grande porte, como Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.