02 de Setembro de 2009 | 15:31
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Alegria, soberana decisão de Roberta Sá 
“Agora estou me transformando, chegando perto da cantora que
um dia eu quero ser. Acho que eu nunca vou ser a cantora que um dia quero ser,
e acho isso uma coisa boa, inclusive. Você não pode dizer ‘Ah, agora eu
cheguei’, senão, o que tem mais? Eu acho que não acaba, gosto de pensar assim.”
Assim, modestamente, Roberta Sá vai construindo sua trajetória,
que até agora já rendeu dois bons discos, além do recém-lançado DVD ao vivo, Pra se ter alegria (Universal), gravado
no Rio de Janeiro. Ela pode nunca ser a cantora que deseja, mas, em poucos anos
vem mostrando o talento e a segurança para interpretar tanto clássicos da
música brasileira (Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Paulinho
da Viola, Chico Buarque), como a música dessa geração mais recente, que inclui
Marcelo Camelo, Teresa Cristina, Rodrigo Maranhão (da banda Bangalafumenga) e
Pedro Luís, seu marido.
Em um caminho pouco usual, Roberta Sá chegou ao primeiro
disco sem muita experiência com shows e estrada. Revelada no programa “Fama”,
da Rede Globo, antes dele havia feito apenas “um showzinho” no Planetário da
Gávea, na zona sul do Rio. Braseiro (Universal) foi gravado em 2005 e conta com participações de Ney Matogrosso – “Meu
padrinho musical, um dos maiores artistas que o Brasil tem, aprendo muito só de
olhar o Ney no palco”, conta Roberta na entrevista exclusiva ao SaraivaContéudo –, MPB4 e Pedro Luís, e
composições de Camelo, Teresa Cristina, Lula Queiroga. Repleto de sambas, ela
rejeita o rótulo de intérprete exclusiva do ritmo. Sua história é com a música
popular brasileira, gosta de pontuar. O segundo disco, Que belo estranho dia pra se ter alegria (Universal), saiu em 2007, e ainda
que contenha alguns sambas, foca mais no trabalho de compositores contemporâneos,
como Junio Barreto e Jam Silva, Moreno Veloso e Quito Ribeiro, Pedro Luís e
Carlos Rennó, Lula Queiroga.
“Eu fui crescendo muito aos olhos do público. Quando lancei
meu primeiro disco, tinha feito cinco shows na minha vida. Quando me perguntam
quando decidi ser cantora, acho que foi, sei lá, dois meses atrás. [risos] Não
acho que tenha tanto tempo assim”, conta a cantora que nasceu em Natal (RN) e
se mudou para o Rio aos 9 anos, com a mãe. Talvez por isso ela se sinta tão
crua, e mesmo assim arranca elogios de Ruy Castro: “Roberta Sátransita sem o menor temor entre o material já
consagrado pelos grandes nomes e o que cabe só a ela consagrar. E por que
consegue isto? Porque, em tempo recorde, cristalizou um estilo a que qualquer
canção, por mais nobre ou vadia, se amolda – venha esta de Chico Buarque,
Cartola ou Janet de Almeida, ou dos novos talentos que parecem se realizar ao
escrever para ela.”
Foto de Tomás Rangel
Além do tempo curto entre o primeiro disco e este DVD, a
aprendizagem se deu em todos os quesitos, desde a transformação em persona pública,
a gravação do disco, a estrada. “Foi um processo delicado para mim. Primeiro,
de aprender a fazer discos. Pensar num repertório, cantar aquelas mesmas
músicas. Ser cantora é muito diferente de gostar de cantar. Tento ser cantora
sem deixar aquela coisa da menina que gostava de cantar. Fui me transformando
em uma cantora aos olhos do público mesmo. No primeiro disco, fiquei dois anos
fazendo aquele show, e não era todo mês, tantos shows, mas um aqui, outro ali.
No segundo, é que veio mais essa coisa do palco, do show, da ralação grande de
estar na estrada, show um dia em um lugar, no dia seguinte, em outro, sessão
dupla no mesmo dia. E é isso que faz um cantor, a estrada.”
O DVD, gravado no Vivo Rio pela Samba Filmes reúne quase
tudo dos dois discos, um registro desse primeiro momento da carreira. As
participações ficam por conta do bandolinista Hamilton de Hollanda, Pedro Luís
e Marcelo D2. “É um show superlongo, a gente – quando digo a gente, sou eu, meu
diretor musical, Rodrigo Campello, os meus músicos todos – quis colocar quase
todas as canções, tiramos uma música, talvez duas, de cada disco. Então tem
quase todo o meu repertório ali, no DVD”. E o resultado faz jus ao título, a
alegria impera, no palco e na platéia, e Roberta se apresenta segura, bonita e
cantando confiante com seu timbre particular, acompanhada pela competente
banda, formada por Antonia Adnet (violão 7
cordas, vocais e percussão), Élcio Cafaro (bateria e percussão), Jovi Joviniano
(percussão), Ronaldo Diamante (baixos acústico e elétrico e percussão), Rodrigo
Campello (programações, violão 7 cordas, guitarra, cavaco e teclado). A direção
geral de Pedro Luís e Bianca Ramoneda, o cenário de Gringo Cardia e o figurino
de Isabela Capeto completam a harmonia do show.
Nos extras, quatro gravações em estúdio, que ela chama de
Encontros, com Ney Matogrosso, dividindo “Peito vazio”, de Cartola, o músico
português António Zambujo, Yamandú Costa, e Chico Buarque, com quem Roberta
interpreta “Mambembe”. “É uma música que a gente sempre canta, eu, meus amigos,
tem muito a ver com o ofício do cantor, do músico que vai pra estrada, que
trabalha sem horário, a gente é cigano mesmo. Tem vezes que você acordar no
hotel e se pergunta: ‘Nossa, onde é que eu tô mesmo?’. E essa música fala muito
disso, e dos lugares em que a gente toca, pois nem sempre a gente toca num
teatro, com toda a pompa, a gente toca no meio do povo, no meio da praça, isso é
delicioso.”
Estes encontros foram gravados ao vivo no estúdio. “Isso era
uma coisa que eu queria fazer também, um microfone vazando no outro, que fossem
canais juntos, que não tivesse edição, ‘um, dois, três e já!’. Porque, hoje em
dia, com os canais separados, é legal porque permite que a gente linke um monte
de coisa, fica tudo perfeitinho. Mas eu queria mesmo o rústico, sabe? E você vê
que não faz tanta diferença assim, fica bacana também. A gente não botou nem
fone, só os microfones na frente, sentamos um ao lado do outro. E não encontrei
com nenhum dos artistas para ensaiar antes, tudo foi na hora. Passamos uma vez,
na segunda já foi gravando e o terceiro takejá ficava. Foi uma experiência supernova pra mim, e eu estou muito feliz com o
resultado.”
No segundo disco, apareceram algumas composições de Roberta,
em parceria com Pedro Luís e Carlos Rennó, mas ela ainda está longe de se
considerar compositora. “Gosto de brincar disso, mas não me considero
compositora. Ser compositor é um ofício muito sério, respeito muito. Sou amigo
de muitos compositores, sei o que é viver disso, ter isso como trabalho diário.
É diferente do que faço. A minha composição é muito livre, vem com uma
inspiração de vez em quando, não sento para trabalhar, mas a música às vezes
vem. Aí eu sento e trabalho, obviamente”
A vaidade de Roberta passa por outros caminhos: “Não tenho
essa vaidade de ser compositora, ter lá no meu currículo. Tenho a vaidade de
ter os meus parceiros e de ouvir a minha música bem gravada, bem tocada. Essa
vaidade eu tenho, acho bonito, me conforta”. (Bruno Dorigatti)
> Leia mais sobre Roberta Sá no Blog de Mauro Ferreira
> Confira o MySpace e o site da cantora
> Roberta Sá na Saraiva.com.br
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Branca Lee 04 de Setembro de 2009 | 16:53
Dá para ver a alegria mesmo, em toda a entrevista. E como Roberta mesmo disse, o DVD é um registro de sua carreira até então, com as músicas dos dois discos, para quem sempre a acompanhou.
Difícil escolher uma para sair, são todas excelentes - e essa era a proposta - e é a proposta da maior parte das pessoas que gravam um DVD.
Só fica difícil entender porque certos críticos que não-tem-obra-própria-muito-menos-DVD-para-registrar-esta-obra criticam a falta de musicas inéditas e novidades no DVD... HELLOOOOUUU!
Como diz Roberta (e Bethânia), aprenda seu ofício primeiro, rapaz!